Páginas

Páginas

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Memórias



O Destino e as mumunhas

Primeiro, a explicação da gíria "mumunha", que desconfio ser dos anos 70/80, que eu classifico como uma ação ou situação que fica entre a malandragem ou jeitinho e o ilícito, o ilegal.

Segundo, uma sensação que me vem sempre em épocas de Copas mundiais: o destino, a fortuna ou revés que as pessoas sofrem. E aí, eu fico pensando em momentos em que o acaso me levou a grandes avanços e outros que me causaram prejuízos, sejam pessoais ou profissionais sem a minha intervenção. Existe essa ingerência divina ou espiritual?

São muitos os exemplos: Careca lesionado na véspera da versão de 1982, Renato afastado em 1986 na hora do embarque, Ricardo Gomes, capitão da Seleção, cortado em 1994, Émerson, também capitão, que levantaria a taça em 2002, dispensado há menos de uma semana da estreia. São tantos casos, mas o mais emblemático de todos para mim ocorreu com o goleiro Leão, um dos convocados por João Saldanha em 1970, que Zagallo cortou. Retornou ao Brasil, mas, antes de desfazer as malas, foi reconvocado para o lugar do ponta direita Rogério, quando, pela primeira vez, a Seleção levou 3 arqueiros.

E o destino reservou algo melhor para quem recebeu a chance nos lugares deles (Roberto Dinamite, Ronaldão, zagueiro, Valdo, Ricardinho).

Mas tem as mumunhas, como a ida para a sua segunda Copa de Wilton Pereira Sampaio, um juiz sabidamente incompetente que não marcou 3 pênaltis no Grenal, todos a favor do Grêmio. Pois bem, ele apitou a abertura, ontem (vi apenas o segundo tempo) e fez duas lambanças que estão repercutindo pelo mundo todo: as duas últimas expulsões. Equívocos retumbantes. Será que é só santo forte?

E o que o destino reservou para José Roberto Wright, melhor árbitro de 1990, que não foi à final, porque algum "entendido" achou que não pegava bem ter 3 juízes brasileiros em três finais consecutivas (82, 86 e 90)? Resultado: botaram um mexicano que achou uma penalidade para os germânicos na "finaleira" da decisão diante da Argentina. Alemanha campeã.

É isso, as Copas do Mundo sempre me conduzem a reflexões, às vezes, dispensáveis.


 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Memórias



Começa a Copa do Mundo 

Amanhã inicia a primeira Copa do Mundo com três sedes e um número exagerado de concorrentes. Virou uma "Copa do Brasil" universal; assim, os olhos da imprensa gaúcha esquecem o que ocorrerá com a Dupla, a exemplo de quase todos nós.

Da primeira Copa que tive noção, lembro apenas da decisão (1966), mas sei praticamente tudo até hoje da edição de 1970. Quando escrevo hoje, é isso mesmo, sigo lembrando o nome completo e a numeração de cada um dos 22 campeões e de Rogério, ponta direita cortado já no México, tanto que está no pôster dos tricampeões, mas depois o interesse foi caindo a ponto de não assistir a alguns jogos do Brasil das últimas Copas.

Aliás, vi a série Brasil 70, a Saga do Tri, e, apesar de ser uma ficção inspirada em fatos reais, recebi com prazer o resgate do personagem João Saldanha (Rodrigo Santoro), que parte da imprensa (felizmente, cada vez menos) buscava minimizar a influência dele no sucesso da conquista. Eu sempre tive a verdadeira compreensão da estatura do gaúcho do Alegrete. Pois, dos 22 + 1 (o cortado por lesão), Saldanha trabalhou com 20 deles; apenas os centroavantes Roberto (Botafogo) e Dario (Atlético Mineiro) foram novidades de Zagallo. Com a desconvocação do ponta direita Rogério, lesionado, o técnico reintegrou Émerson Leão, que ele havia cortado, ficando o elenco com três goleiros.

A série pecou em não apresentar um detalhe muito relevante: a reunião entre Carlos Alberto, Gérson e Pelé com o novo treinador, na qual solicitaram a troca do lateral esquerdo, resultando na saída do menino Marco Antônio e na entrada de Everaldo, que na época tinha 25 anos e era considerado mais sério e experiente.

Everaldo era o único com numeração reserva (16).

Com o estrondoso sucesso da série, a busca pela figura de João Saldanha aumentou e de forma consagradora. Todos puderam se informar sobre o que realmente ocorreu.

A História é implacável, mesmo que alguns jornalistas não suportem a ideia da relevância do homem que moldou o escrete nacional. 

Fico muito feliz, porque sempre soube da importância vital do jornalista e treinador Saldanha, a quem homenageei com uma de suas frases na apresentação do livro Pequenas Histórias.

Eventualmente, farei alguma postagem sobre a Seleção, poucas, é verdade.

Boa Copa a todos!





sábado, 6 de junho de 2026

Opinião



Dentro de campo, há solução 

Vamos tentar fazer uma postagem otimista no meio desse turbilhão de más notícias.

Se o extra campo não atrapalhar muito, o ajuste nos gramados não é tão difícil assim, porque o Tricolor já possui "peças" fundamentais em posições estratégicas do time, que não ficam devendo para os dois mais bem-sucedidos clubes do Brasil, isto é. Rossi e Carlos Miguel não são superiores a Weverton. Carlos Vinícius está próximo ou igual a Pedro e Flaco López.

Estamos falando de goleiro e centroavante. Onde está o maior furo? No meio de campo. 

Se o modelo de Castro é o do Botafogo, tão bem-sucedido em 2023, ele não tem no Grêmio jogadores com o perfil daquele no atual elenco gremista. São necessários jogadores combatentes, velozes e verticais no setor.

Se a direção foi competente, precisa de duas a três contratações para titularidade: um lateral direito e dois meias.

Viery não é um extra-classe, nem Mec, ainda. Então, as suas possíveis baixas no grupo podem ser supridas na zaga pelo que tem no grupo e a chegada do tão esperado acréscimo no meio.

A vinda destas contratações não garante Libertadores ou pré, mas permitirá passar sem sustos pela famosa e propalada travessia de 2026 para 2027.

O furo do time está no meio de campo.



quinta-feira, 4 de junho de 2026

Opinião



Colapso 

Uma das definições de colapso é: "falência do funcionamento de órgão ou organismo".

Só a base gremista salva o clube. Estou chegando a esta conclusão após as notícias trágicas e reveladoras. Mostra que, neste momento, a instituição tem um "dono" e ele coloca pretensões alheias à frente dos interesses do Grêmio. Isso confunde a forma de lidar de suas empresas com o jeito de tratar uma agremiação centenária ungida por mais de 8 milhões de torcedores de vários lugares do planeta. Não se trata de gerir uma mangueira, estábulo, comerciar cereais ou fazer de conta na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.

Infelizmente, a situação mais preocupante do que o clube se tornar uma SAF é ter um dono de forma oficiosa. Dá para sentir que o atual presidente institucional é refém e, se tiver coragem, ou reage ou se demite.

Quando escrevo que só a base salva o clube, não está incluída a ideia de não ser rebaixado, mas, uma vez isso concretizado, o Tricolor não terá Weverton, Carlos Vinícius, Villasanti e Arthur. Eles são profissionais, mas não são ingênuos. Não poderão atuar na Série B, cientes do prestígio que têm no mercado da bola. Nem o clube poderá honrar o compromisso contratual com eles.

Teremos uma nova versão de operários como Domingos, Sandro Goiano, Escalona, Lipatin, Ricardinho, Marcel, Beausejour...

As confusões fora das quatro linhas não serão administradas (nem devem) por Castro e sua comissão; porém, o respingo delas afetará imediatamente o que se verá nos gramados. Mais até do que este quadro do primeiro semestre. Portanto, as soluções terão de vir dos dirigentes, esses mesmos que não estão colocando os interesses do clube como prioridade. 

Alguém acredita?

A venda de alguns atletas é inevitável, mas outras "promessas" estão subindo da base. Se os dirigentes forem minimamente competentes, acharão no universo da atual Série B gente pedindo passagem. Isso dará resposta igual ou superior aos "cascudos" com dois aditivos de imediato: querem "acontecer" na vida (ambição sadia) e com remuneração menor.

Para a tristeza geral da massa tricolor, essa esperança está cada vez menor. Afinal, o último grande presidente gremista já está no plano espiritual e faz mais de uma década que deixou seu cargo no Grêmio.