O Macro e o Micro
Recordando os meus tempos do curso de Economia, lembrei das disciplinas de macro e micro, as 120 h de cada uma; aí, trazendo para a realidade gremista, dá para fazer análises aparentemente antagônicas, mas que de fato se interagem.
O Grêmio, numa visão mais ampla, a conclusão é que está melhor do que em anos anteriores (excluindo o fator Suárez). Os passos da direção parecem ter diretrizes mais sólidas; basta ver a transformação do elenco, e isso não se refere apenas às dispensas de atletas caros, sem o devido retorno dentro dos gramados. Como diz o gaúcho: uma penca! Aravena, Cristaldo, Carballo e por aí afora, mas também, ao aproveitamento de jogadores da base. De quebra, a recuperação do título regional.
Além disso, olhando o panorama nacional, o que se vê é uma balbúrdia insana, em que há trocas de treinadores de clubes históricos como Vasco, Flamengo, Cruzeiro, São Paulo, Atlético Mineiro, sejam SAF ou não. Outros, como Remo, e arrisco dizer que Corinthians, Chapecoense, Botafogo e Inter têm boas possibilidades de engordar esta lista. Tudo isso até a metade de Março.
Então, se há convicção no trabalho de Luís Castro, melhor será ficar ao lado de Palmeiras/Abel Ferreira nesta balança. Leila Pereira, vale recordar, não deu ouvidos aos torcedores que pediram a cabeça do técnico mais de uma vez. E acertou.
Até este parágrafo, tudo bem. É uma das partes do copo com metade de água. E a outra, como está? É aquela da visão micro, a dos dois últimos compromissos do Tricolor, em que quatro pontos foram desperdiçados contra Bragantino e Chapecoense com atuações ruins individuais e falhas coletivas, em que a torcida (boa parte dela) imaginava já estar o time noutro estágio.
Tivesse vencido um destes jogos, a situação mudaria para quatro em seis pontos disputados, mas o problema que vejo é a insatisfatória performance de Viery, que não escolhe local para praticar a infração; a improvisação de Pavón, que confirma a inexistência de laterais confiáveis; a falta de protagonismo de Tetê (ah! se tivesse a atitude de Pavón), a instabilidade de Enamorado e a recente ineficiência de Carlos Vinícius.
No entanto, há boas notícias mesmo nestes resultados decepcionantes, como, por exemplo, o fim das defesas "espetaculosas" no arco azul, a evolução de Gabriel Mec (mais ousado e mais vertical), Amuzu em evidente ascensão, o ingresso "natural" de Nardoni, sem oscilações, o bom desempenho de Noriega à frente da zaga, a liderança de Balbuena.
Resumindo: falta muito, mas estou otimista com o trabalho de Castro. Não será a curto prazo, porém, ele parece saber onde quer chegar com o clube dentro dos gramados.









