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sexta-feira, 6 de março de 2026

Opinião



A Batalha do Beira-Rio 


Olho com bastante preocupação para o evento de domingo, muito menos pelo que ocorrer no gramado, do que pelo antes, o durante e o depois do entorno do Clássico.

O Grêmio toma as suas devidas providências quanto a olheiros da CBF (arbitragem), Brigada Militar, Ministério Público, enfim, o que lhe cabe fazer, porém, exagerando um pouco, é como uma medida protetiva no caso de mulheres que sofrem agressões ou tornozeleiras eletrônicas em condenados, isto é, são precauções, mas podem não evitar a consumação de acontecimentos mais graves.

Quem não lembra da agressão ao ônibus Tricolor, que adiou o clássico em anos passados?

No caso da arbitragem, ação dentro dos gramados, ela pode ser detonadora de um processo incontrolável. Muitos incendiaram a massa Colorada de forma inconsequente na goleada na Arena.

As demais medidas reduzem os estragos, mas não possuem domínio total sobre os atores que ocuparão as ruas e as arquibancadas do Pinheiro Borda.

Preocupante!

A perda do título pelo Grêmio será uma chaga imensa no processo de construção de uma Nova Era futebolística, porém, a chance de recuperação virá em seguida, em casa, contra um adversário bom, mas de pouca tradição em Série A. Além disso, a posição na tabela não é desesperadora.

A fuga do título é ruim, mas não é péssima.

Já o Inter, se o insucesso vir através de uma derrota, ele conterá elementos catastróficos como ser na sua casa, ter a (infrutífera) melhor campanha, serem duas derrotas nos confrontos finais, no caso, nas últimas dez edições do regional, uma conquista apenas (2025), em seguida, encarar uma parada dura fora de casa em Minas Gerais com o risco de conquistar apenas dois pontos em 15 disputados e fincar pé no Z-4.

Essa perspectiva foi analisada pela imprensa, torcida e direção colorada. Tudo isso faz do Grenal um momento nevrálgico na vida da instituição e, lógico, podendo ser o elemento deflagrador que acenderá o rastilho de pólvora alimentado durante esta semana.

Basta elevar a voltagem da irresponsabilidade.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Opinião



Desespero 

É evidente que não será colocando cartazes com postagens ou áudios de gremistas no vestiário que os jogadores colorados vão se inflamar e jogar mais. Se vencerem, será por várias contingências que, às vezes, desafiam o futebol. "O futebol é uma caixinha de surpresas", já disse sabiamente Dino Sani. Então, qualquer comentário colocando a busca pelo título pelo lado do Beira-Rio como sendo uma jornada difícil, uma Odisseia, não será desprezo, mas análises calcadas no presente.

Essa transferência de causas que levaram à goleada para erros de arbitragem apenas demonstra que o Coirmão precisará de fatores fora das quatro linhas para almejar um resultado que lhe dê o título do Gauchão, pois os jogos de volta costumam ser mais parelhos. É o retrospecto deles, o contrário, é algo fora da curva.

Eu costumo dizer que, depois da Batalha dos Aflitos, tudo pode acontecer dentro dos gramados, porém, uma diferença de três gols para quem precisa fazê-los, a pressão é maior do que uma partida "normal".

Pezzolano disse, ao final do jogo, que seu time já fez quatro no Grêmio. Verdade! Mas sofreu dois.

Nem quando teve três penalidades, sendo duas equivocadas, no confronto apitado por Marcelo de Lima Henrique, o Inter conseguiu esta diferença (aliás, perdeu este clássico no Beira-Rio) ou o Grêmio naquele Grenal que Wilton Pereira Sampaio sonegou três pênaltis a favor do Tricolor, o placar resultaria elástico a ponto de ser considerado goleada.

O Inter pode fazer três ou quatro? Talvez possa, no entanto, o losango defensivo dele está muito longe daquele dos anos 70 (goleiro Manga, centrais Figueroa e Marinho, volante Caçapava), por isso, é razoável acreditar que um gol, pelo menos, o Tricolor fará no próximo domingo.

Toda a atmosfera clubística vermelha sabe disso, então, a partir da constatação de que só o fator quatro linhas será insuficiente, utiliza de todos os artifícios, alguns, fortemente emocionais, que poderão ter consequências ruins, se a massa de torcedores entrar "pilhada" e passar do ponto de apenas torcer.

É possível? Sim, mas a conjugação de fatores passa pelo ambiente favorável no seu estádio, um desempenho comprometedor do Tricolor, uma arbitragem suscetível a pressões, um golpe do destino e uma performance perfeita dos seus jogadores.

É um combo.

O lado vermelho, em todas as suas linhas de atuação, incluindo imprensa, sonha com um "fato novo", mesmo que repudie esta expressão. Traz más lembranças.

 




terça-feira, 3 de março de 2026

Opinião



Futebol à beira do Caos 

Lógico que o futebol não vai morrer. Aquele que está próximo de uma confusão monstruosa é o de agora, das Bets, dos Influencers, dos bombardeios e mortes que vão pôr em perigo a realização da Copa do Mundo deste ano.

A demissão de Filipe Luís é a síntese desse momento e eu cheguei a rascunhar uma postagem sobre um texto muito bom de Juca Kfouri, mas pensei, se postar antes de Grenal vai parecer "vacinação", então esqueci. 

Ontem, com o comentário do Glaucio, resolvi que, independentemente da repercussão, merecia ser lido por aqui e a saída do treinador rubro-negro apenas ratificou a minha intenção.

Como a crônica de Kfouri está no Uol e é para assinantes, vou colocar partes da que ele intitulou de "A sexta-feira da histeria Rubronegra" de 27/02:

"...Não se assuste com a gritaria.

Esta sexta-feira será de histeria daqueles que acham que o time deles tem obrigação de ganhar tudo.

Como se não existissem adversários... 

...Vai ter gente mostrando os dentes, tendo ataque de pelancas, narinas abertas, pedindo cabeças, porque, imagine, o Flamengo perdeu, o Flamengo não ganhou a Recopa — e não foi para o Boca Juniors ou River Plate, foi para o Lanús.

Já tinha perdido a Supercopa, mas, OK, foi para o Corinthians, do mesmo tamanho.

Mas duas Copas em tão pouco tempo, dirão, é inadmissível.

Nós somos o que somos, imaginam os histéricos...

... Sim, os sem noção são apenas arrogantes e envenenam a Nação.

...Lembre-se, flamenguista que honra o blog com sua leitura: o Flamengo disputou a Supercopa porque ganhou o Campeonato Brasileiro, que é mais importante que a Copa do Brasil.

Disputou a Recopa porque venceu a Libertadores, que é mais importante que a Sul-Americana.

Hoje é capaz que você ouça o nome de Jorge Jesus.

O amanhã é de Filipe Luís, que se não errasse seria Deus. E Deus não existe..."

***Alterado o trecho a pedido

Filipe Luís caiu ontem. Surpreendeu-se. Não deveria; justamente ele, que afirmou há tempos que não gostava de "Bets", então…

Também, há longos anos, no blog do Alfredo e do Guto ou no de Mário Marcos, afirmei que clube grande mais perde do que ganha títulos. Por quê? Porque disputa grandes certames contra clubes poderosos. 

Quantas Libertadores ganhou o River Plate? Quantos Mundiais tem o Barcelona? Quantos Brasileiros ganharam Grêmio, Cruzeiro e Atlético Mineiro?

Some-se a isso os novos interesses (acima citados) que orbitam no futebol e o caos está instalado.

O nível de tensão e histeria estará elevado à potência máxima e a consequência será imprevisível.

Por fim, um assunto mais leve; afirmei que havia uma diferença oceânica entre a bola de Enamorado e de Tetê. Parece que não é. Como alento, lembrei dos meus tempos de professor (e foram quase 15 anos), onde numa avaliação de 10 questões de mesmo peso, um aluno acertou oito.

Lógico que a aprovação dele é absolutamente certa. Não "fincarei" a análise final sobre as duas erradas.


domingo, 1 de março de 2026

Opinião



Grêmio vence e avança para o título gaúcho 

O que fica de concreto deste resultado elástico são: 

a) O time fez a sua melhor partida do ano.

b) É um passo gigante para a conquista do Gauchão.

As causas estão em ambos os oponentes, o Inter não entrou com a gana que apresentou no último clássico, também, uma desorganização tática, por fim, atuações muito fracas de algumas individualidades.

Já o Grêmio acrescentou características que estão sendo positivas nas duas partidas mais recentes, ou seja, além da tranquilidade de ter um arqueiro que, num sufoco, pode receber o recuo da bola, pois sabe jogar com os pés, a defesa ganhou vitalidade e velocidade com os ingressos de Pavón, Gustavo Martins e Viery. Como Marlon e Noriega estão crescendo, o setor ficou mais sólido. Contudo, saliento, é o retrato destas duas últimas partidas. Tomara que confirme no domingo.

Com a volta de Arthur, o domínio do meio de campo virou uma realidade. O ingresso de Monsalve, embora discreto, que desconfio ser pela falta de ritmo, deu lampejos de criatividade ao time e na frente, bem, ali estão grandes destaques como Enamorado, que é um ponta direita das antigas e isso é ótimo. Carlos Vinícius sempre perigoso e o destaque da partida: Amuzu.

Um pouco abaixo dele, Arthur e Pavón.

As trocas realizadas por Luís Castro não enfraqueceram o time, inclusive, com isso, o Inter reduziu as chances de gol a quase zero.

O belga/ganês participou dos gols e sofreu a falta decisiva que retirou Bernabei do jogo.

Está decidido o campeonato? Não, tem um juiz perigoso (Rafael Klein), a partida é no campo do adversário e há sempre o imponderável, o imprevisto dentro dos gramados.

De qualquer forma, o Grêmio, marcando um gol, só fica fora das disputas dos tiros livres se tomar cinco. Difícil.

PS: Muito bom ver mudanças na numeração das camisetas: Gustavo Martins com a 6 (53), Willian com a 10 (88) e Arthur com a 8 (29).


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Opinião



As Oscilações Naturais 

O novo Grêmio indica o aproveitamento da boa safra da base nos últimos anos, além de ser um ótimo investimento dentro de campo, proporciona a possibilidade de bons retornos financeiros e a tão sonhada redução da folha do elenco, que foi causada pela dispensa massiva de vários atletas que não deram retorno técnico ao time.

Esse processo de lançamento de jovens, se não dá para chamar de complexo, apresenta peculiaridades, a maior delas, a oscilação no desempenho, pelo menos, na maioria dos casos, como exemplifico nas linhas seguintes.

Quem estava se destacando nas primeiras apresentações de 2026? Quem pensou em Tiago (Tiaguinho) e Roger, acertou. Quem decepcionava neste curto período? Gabriel Mec e Viery.

Passadas algumas semanas e, salvo uma radical mudança, os primeiros desceram degraus na fila de lançamento para os 11 titulares, enquanto Mec e Viery estão ganhando sequência.

A torcida precisa ter tolerância porque até se firmarem, haverá boas e más jornadas alternadas, mas penso que com Luís Castro o aproveitamento de jovens é um caminho sem volta.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Opinião



Time em construção bate o Galo 

Jogo difícil mesmo com a expulsão de Nathanael (Galo), logo aos 15, 17 minutos e ser no momento, o time mineiro em transição. Vale lembrar que foi conduzido por um treinador interino.

O Grêmio venceu com uma postura mais arrojada, onde a força dos laterais sobressaiu aos demais jogadores ao longo de toda a partida, ainda assim, a bola não chegou à feição para Carlos Vinícius, um artilheiro que repete a seca que se abateu por um tempo sobre Luizito Suárez em 2023, logo superada e pouco lembrada.

O elenco está sendo reformulado, alguns ainda não estrearam (Léo Perez), Nardoni se apresentou pela primeira vez e a amostragem indica ser um bom jogador com movimentação na zona mais conflitada de futebol (o meio de campo).

Nitidamente, o Tricolor está em construção. A zaga, agora, veloz, carece de técnica em alguns momentos e apresenta vacilos graves, como o gol fortuito do Atlético Mineiro. É uma preocupação para os dois clássicos.

A ausência de Arthur será sempre sentida, mesmo com a boa performance de Noriega, Mec e Nardoni. Aliás, Mec começou muito bem, ousado, combinando bem com Pavón e Enamorado pelo lado direito. Na esquerda, Amuzu ainda está abaixo do que se espera de alguém que atravessou o Atlântico numa transação cara.

Enamorado alterna boas jogadas com outras equivocadas, que me trazem à mente uma definição antiga para determinados atletas: "Ciscadores". Tem coragem, velocidade e bom drible. Deve evoluir. 

Agrada-me a colocação de um ponta destro na direita.

Pela primeira vez no ano, tive a impressão de que o Grêmio que veremos em 2026 e 27 está sendo construído a partir da disponibilidade do elenco e de uma "ideia" de futebol.

O maior destaque foi Marlon, seguido por Noriega e Pavón. Jeferson Forneck, idem. Roger desperdiçou mais uma chance, mas é novo, vai oscilar.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Opinião



Gabriel Mec 

Aqui está um que ia desistindo do menino de 17 anos, Gabriel Mec.

Cheguei a sugerir a venda dele, enquanto tinha a fama de futuro craque ao seu lado, pois, ontem, na segunda etapa, o futebol que se espera dele surgiu forte e poderia até ser maior o impacto, se uma daquelas bolas chutadas com efeito "procurante", achasse o caminho das redes caxienses.

Pela transmissão do Premiere, um dos analistas ou repórteres salientou a fala de Castro pedindo para Mec ir para cima sem medo, não como bronca, mas um incentivo de "Mister" e ele assim o fez.

Lógico, são só 45 minutos, porém, o adversário, à exceção do Inter, é o mais qualificado do interior, como time e como instituição. Além disso, com a complacência absurda do árbitro Klein, sem usar de uma violência "explícita", a equipe alviverde se fartou em bater naquele método tão característico de equipes menores de praticar um rodízio de faltas, em especial, no camisa 8, Arthur, que, incrivelmente, após perder a paciência, recebeu o primeiro amarelo do jogo (se não me engano).

Se Mec ou Jeferson Forneck confirmarem as expectativas de todos, o clube poderá ter no elenco o tão esperado armador.

 Aliás, armadores que entram na área com frequência.


domingo, 22 de fevereiro de 2026

Opinião



Tiros livres colocam o Grêmio na final do Gauchão 

O resumo da tarde em Caxias do Sul: o Tricolor vai decidir o regional contra o seu mais tradicional rival. 

Após dois empates em 1 a 1, derrubou o invicto Juventude na cobrança dos tiros livres.

Luís Castro errou a formação do time, isso se viu logo nos primeiros minutos, pois Dodi só pode jogar numa única posição: primeiro volante. Esse lugar estava ocupado por Noriega, enquanto Arthur, o segundo volante, se esforçava demais para a compensação do setor; assim, o coração da equipe ficou enfraquecido e incompleto, e o impacto disso repercutiu no setor ofensivo.

A igualdade no placar seria a consequência do enfrentamento de um time desajustado versus um limitado, embora bem taticamente, mas um lance fortuito, onde a bola escorregou sobre o braço de Viery, possibilitou a diferença do placar do primeiro tempo em cobrança de penalidade máxima.

Castro mudou no intervalo e a "equipa" deslanchou, Gabriel Mec entrou muito bem desentortando o meio, apresentando um futebol inédito na sua fase entre os profissionais, Pavón que era o atacante mais ativo virou um lateral melhor do que João Pedro (e aí fica escancarado o equívoco da vinda de Marcos Rocha), por fim, Enamorado atuando como os velhos pontas direitas, indo ao fundo, forçando a dupla marcação e, de quebra, às vezes, enveredando pelo meio, tudo isso, mudou o panorama da partida.

Ainda assim, o gol veio numa iniciativa pessoal do zagueiro Viery.

Castro deixa claro que defensores antigos e cansados (Marcos Rocha, João Pedro, Balbuena, Kannemann) terão pouco aproveitamento com ele, sendo assim, jovens como Victor Ramon, Pedro Gabriel, Gustavo Martins e Viery ganharão espaço entre os titulares.

Se os argentinos Perez e Nardoni "vingarem", mais Enamorado, Roger, Gabriel Mec, Jeferson, Tiago, recuará bastante a média de idade.

Finalizando, o campeonato regional servirá para isso, mas se o título vier, nenhum gremista ficará brabo.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Opinião



Pressão relativizada 


É a notícia que mais se associa ao Grêmio na parada que vai ter no final de semana: "Tricolor jogará pressionado".

Assino um jornal da capital e me impressiono com a "coisa" escancarada, parecendo ser estrategicamente direcionada para o caos gremista na forma da informação apresentada, isto é, tem uma ótica pessimista ou crítica negativa. A notícia não vem asséptica, vem contaminada.

- Cuellar e Monsalve na folga concedida pelo clube (Carnaval carioca).

- Amuzu e o "problema" que o Ramadã pode causar no seu aproveitamento.

- Especulações sobre a forma indevida de abordagem do clube na busca por um lateral direito (Vasco da Gama).

- Colombianos reclamam do atraso de pagamento na vinda de Enamorado.

- Weverton tem muito boa média de defesas nas disputas por tiros livres, MAS, geralmente, seu clube sai delas desclassificado.

Fico nessas que são mais recentes, porém, uma busca mais acurada deve dar um manancial interessante para corroborar a tese da IVI.

De qualquer forma, a pressão deve ser relativizada por nós. Ela existe dentro do clube pelo seu tamanho e tradição, no entanto, dentro do gramado do Alfredo Jaconi, o time deve entrar concentrado, mas livre do peso da pressão, afinal, ele não está desclassificado no momento do trilar do apito inicial do confronto.

O que escrevo não tem relação com a estratégia de Luís Castro, ou seja, se ele vai esperar o adversário ou exercer marcação alta, enfim, a forma tática que será utilizada em campo. Refiro-me à questão anímica, à psicológica. Ele precisa ficar blindado com a ideia de que tentam fazer crer que o time está acuado, abatido, que vai ter que subir um "Everest" para conquistar a vaga.

Pode não superar, entretanto, só no fim saberemos.

Mais uma vez, o jornalismo esportivo dá mostras de quanto ele se farda numa hora destas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Opinião



A Nefasta Cultura que busca o Épico 

Pode um time de mesma hierarquia na competição, jogando no campo do adversário, vencendo por 2 a 0, logo aos 14 minutos do primeiro tempo, ao ver o oponente perdido, golear? Claro que não!

Se isto ocorrer, isto é, meter 3 ou 4 gols, vencer de forma incontestável, o que vão pensar? Que a partida foi mamão com açúcar, aí, não vale. Não é um triunfo épico, o jeito é recuar, imediatamente e "negociar" três pontos garantidos por risco de um 2 a 1 apertado, uma resistência de heróis, daquelas em que o grupo teve que suar sangue, ralar muito, arrastar a bunda na grama, etc. Existem várias expressões para justificar isso.

Pois bem, à exceção de Telê Santana, não conheci treinador que fosse ferrenhamente fiel aos seus princípios, que teve uma derrota histórica em 82, mas que não manchou o seu belo trabalho, nem impediu os mundiais de clubes que vieram em sequência na década seguinte.

Há casos esporádicos com outros técnicos, mas, óbvio, por serem bissextos, não dá para considerar como característica de suas biografias.

Para ilustrar, eu lembro de um Grenal em 2009, ocasião em que o Tricolor perdia, Alex Mineiro empatou e, dois minutos passados do gol, o treinador sacou um ala ofensivo e botou Héverton, um ex-júnior, que andou pelo São José, para "reforçar" a defesa no melhor momento do Grêmio no clássico: Resultado: perdeu por 2 a 1.

Esta tarde, outro exemplo, vi o Inter SM abrir 2 a 0 em Bagé, diante do Guarany, com toque de bola, bons passes, controle do jogo. O que aconteceu? Recuou, recuou e recuou.

O Guarany, com apenas uma jogada, bola levantada na área, a zaga retirava, ela caía para os meio-campistas colorados que, embora sós, preferiam dar um bico para as laterais do campo e vibrar como se fosse um gol,  do que armar possíveis contra ataques.

Como terminou? O "Índio" da fronteira, com 3 de seus zagueiros titulares fora + um atacante lesionado e com apenas 5 no banco de reservas, virou para 3 a 2.

O que aconteceu depois da virada? O Coirmãozinho Santa-mariense voltou a atacar, mas já era tarde.

Tenho certeza de que essa desistência da vitória com largo placar construída antes dos 15 minutos iniciais não veio apenas pela cabeça do técnico estreante, William Campos (bom treinador), mas dessa irrefreável e nefanda ideia de tornar uma partida fácil em algo a ser lembrado com heroísmo; uma jornada épica.

Infelizmente, o que ocorreu no Estádio Estrela Dalva, nós, gremistas, colorados, corintianos, flamenguistas, atleticanos, etc... já presenciamos na história de nossos clubes.

É um vírus de muito contágio.