Gafanhotos
Na década de 70, durante minha adolescência, havia um seriado muito bom chamado Kung Fu, estrelado por David Carradine, que interpretava o personagem Crane, um sino-americano criado na Ásia, mas que viera para o país americano no século XIX, onde as histórias se desenrolavam no velho oeste, sempre intercaladas com cenas da fase de aprendizado. Na China havia mestre e pequeno gafanhoto (aprendiz). Crane recolheu ensinamentos dos monges do kung fu, que aplicava no seu dia a dia de enfrentamento com uma cultura diferente.
Lembrei da série porque, esta semana, a imagem de Telê Santana me veio à mente e, junto a ele, Muricy (Ramalho), que se tornou auxiliar do mestre por muitos anos até se transformar no grande treinador, vitorioso e injustiçado pela CBF. O ex-camisa 8 do Tricolor paulista é um exemplo de quem aprendeu com uma grande referência.
Pois, em 2023, os atacantes do Grêmio em todas as categorias do clube puderam conviver com o "monstro" Luizito Suárez e, limitações individuais à parte, alguma lição tiraram (ou poderiam tirar) no convívio com o avante uruguaio.
Agora, o Tricolor tem o melhor goleiro do Brasil. Simplesmente, ele domina todos os fundamentos exigidos pela posição em que atua: é tranquilo, ótima saída na bola aérea, reposição excelente, joga com os pés como se fosse "da linha", é pegador de pênaltis e tem a técnica do anti-espetaculoso, dos milagres quase diários, além de ter uma biografia invejável.
Será que os meninos da base e até Grando, Beltrame e Menegon (elenco principal) não estão aproveitando os ensinamentos deste grande goleiro?









