Uma Noite Mágica
Atenção: Não é uma postagem sobre o Grêmio
Na semana passada, eu fui acometido de um resistente resfriado, cujo ápice ocorreu na segunda-feira última, motivo pelo qual fui ao médico e aí veio a medicação mais pesada. Com isso, não tive ânimo para ver Atlético versus Cruzeiro, mas, deitado, coloquei o celular sintonizado na Rádio Itatiaia (BH) e vivi um momento nostálgico, mágico, que me fez querer não terminar a jornada desta "estação". Fiquei até 1h, 1 e pouco da manhã.
Como todos sabem, eu fui adolescente na década de 70 e a minha formação futebolística quase toda se deu pelo rádio, mais especificamente, três emissoras: Guaíba, Globo e Tupi, estas duas do estado da Guanabara, que era apenas a cidade do Rio de Janeiro e seus 12 clubes: Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama, Botafogo, Bangu, América, Madureira, Bonsucesso, Campo Grande, Olaria, Portuguesa e São Cristóvão. Tempos de narradores, comentaristas e repórteres fantásticos, lendas da história do jornalismo esportivo nacional.
Havia uma transmissão de partida por semana na TV e nem sempre do Grêmio. Imaginem!
Pois bem, depois do desmonte da Guaíba 2025 (saíram: Geison Lisboa, Cristiano Silva, Cristiano Oliveira e Carlos Guimarães), eu desisti da querida e saudosa emissora.
Tentei a rádio Grenal, mas o Haroldo de Souza, ícone, fantástico, atualmente, está perdendo o fôlego e não me entusiasmei. Busquei pelo Carlos Guimarães na Band e, para minha surpresa, na primeira tentativa, lá estava ele dividindo o espaço dos comentários na partida com... o Chico (Ribeiro Neto), gente boa, conheço a família dele, mas é uma p#ta sacanagem. É como dizer para o Carlos Vinicius: tu vais jogar um tempo e, no outro, joga o JP Galvão. Guimarães não merecia isso. Desisti, também.
A Gaúcha, eu já havia me afastado desde quando ela optou pela extinção da narração tradicional (Ranzolin, Brauner, Marco Antônio Pereira) a substituindo pela que Paulo Santana sabiamente rotulou: "animação de torcida". Que eu complemento como sendo: saiu o popular e entrou a vulgaridade, quase escorregando para a linguagem preconceituosa.
A Itatiaia me devolveu isso tudo, ontem: dois narradores qualificados, um para cada tempo, comentaristas identificados com cada clube, mas moderados e emitindo conceitos que só reforçaram o que a minha imaginação remetia aos gramados. Intervenções comerciais, igualmente, moderadas, entrevistas em final de jogo condizentes. Um show.
No jogo, Barba Dominguez, em pouco tempo de casa, ajustou o Atlético; são 14 jogos de invencibilidade, um elenco mais modesto que o seu maior rival, e a torcida fez a diferença. Ah! E Éverson jogou com fratura no pé esquerdo. Pediu para atuar.
Ouvindo a Itatiaia, dá para afirmar que a mediocridade esportiva do RS não se resume a Grêmio e Internacional.









