O Destino e as mumunhas
Primeiro, a explicação da gíria "mumunha", que desconfio ser dos anos 70/80, que eu classifico como uma ação ou situação que fica entre a malandragem ou jeitinho e o ilícito, o ilegal.
Segundo, uma sensação que me vem sempre em épocas de Copas mundiais: o destino, a fortuna ou revés que as pessoas sofrem. E aí, eu fico pensando em momentos em que o acaso me levou a grandes avanços e outros que me causaram prejuízos, sejam pessoais ou profissionais sem a minha intervenção. Existe essa ingerência divina ou espiritual?
São muitos os exemplos: Careca lesionado na véspera da versão de 1982, Renato afastado em 1986 na hora do embarque, Ricardo Gomes, capitão da Seleção, cortado em 1994, Émerson, também capitão, que levantaria a taça em 2002, dispensado há menos de uma semana da estreia. São tantos casos, mas o mais emblemático de todos para mim ocorreu com o goleiro Leão, um dos convocados por João Saldanha em 1970, que Zagallo cortou. Retornou ao Brasil, mas, antes de desfazer as malas, foi reconvocado para o lugar do ponta direita Rogério, quando, pela primeira vez, a Seleção levou 3 arqueiros.
E o destino reservou algo melhor para quem recebeu a chance nos lugares deles (Roberto Dinamite, Ronaldão, zagueiro, Valdo, Ricardinho).
Mas tem as mumunhas, como a ida para a sua segunda Copa de Wilton Pereira Sampaio, um juiz sabidamente incompetente que não marcou 3 pênaltis no Grenal, todos a favor do Grêmio. Pois bem, ele apitou a abertura, ontem (vi apenas o segundo tempo) e fez duas lambanças que estão repercutindo pelo mundo todo: as duas últimas expulsões. Equívocos retumbantes. Será que é só santo forte?
E o que o destino reservou para José Roberto Wright, melhor árbitro de 1990, que não foi à final, porque algum "entendido" achou que não pegava bem ter 3 juízes brasileiros em três finais consecutivas (82, 86 e 90)? Resultado: botaram um mexicano que achou uma penalidade para os germânicos na "finaleira" da decisão diante da Argentina. Alemanha campeã.
É isso, as Copas do Mundo sempre me conduzem a reflexões, às vezes, dispensáveis.









