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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Opinião



A Nefasta Cultura que busca o Épico 

Pode um time de mesma hierarquia na competição, jogando no campo do adversário, vencendo por 2 a 0, logo aos 14 minutos do primeiro tempo, ao ver o oponente perdido, golear? Claro que não!

Se isto ocorrer, isto é, meter 3 ou 4 gols, vencer de forma incontestável, o que vão pensar? Que a partida foi mamão com açúcar, aí, não vale. Não é um triunfo épico, o jeito é recuar, imediatamente e "negociar" três pontos garantidos por risco de um 2 a 1 apertado, uma resistência de heróis, daquelas em que o grupo teve que suar sangue, ralar muito, arrastar a bunda na grama, etc. Existem várias expressões para justificar isso.

Pois bem, à exceção de Telê Santana, não conheci treinador que fosse ferrenhamente fiel aos seus princípios, que teve uma derrota histórica em 82, mas que não manchou o seu belo trabalho, nem impediu os mundiais de clubes que vieram em sequência na década seguinte.

Há casos esporádicos com outros técnicos, mas, óbvio, por serem bissextos, não dá para considerar como característica de suas biografias.

Para ilustrar, eu lembro de um Grenal em 2009, ocasião em que o Tricolor perdia, Alex Mineiro empatou e, dois minutos passados do gol, o treinador sacou um ala ofensivo e botou Hérveton, um ex-júnior, que andou pelo São José, para "reforçar" a defesa no melhor momento do Grêmio no clássico: Resultado: perdeu por 2 a 1.

Esta tarde, outro exemplo, vi o Inter SM abrir 2 a 0 em Bagé, diante do Guarany, com toque de bola, bons passes, controle do jogo. O que aconteceu? Recuou, recuou e recuou.

O Guarany, com apenas uma jogada, bola levantada na área, a zaga retirava, ela caía para os meio-campistas colorados que, embora sós, preferiam dar um bico para as laterais do campo e vibrar como se fosse um gol,  do que armar possíveis contra ataques.

Como terminou? O "Índio" da fronteira, com 3 de seus zagueiros titulares fora + um atacante lesionado e com apenas 5 no banco de reservas, virou para 3 a 2.

O que aconteceu depois da virada? O Coirmãozinho Santa-mariense voltou a atacar, mas já era tarde.

Tenho certeza de que essa desistência da vitória com largo placar construída antes dos 15 minutos iniciais não veio apenas pela cabeça do técnico estreante, William Campos (bom treinador), mas dessa irrefreável e nefanda ideia de tornar uma partida fácil em algo a ser lembrado com heroísmo; uma jornada épica.

Infelizmente, o que ocorreu no Estádio Estrela Dalva, nós, gremistas, colorados, corintianos, flamenguistas, atleticanos, etc... já presenciamos na história de nossos clubes.

É um vírus de muito contágio.

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