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sábado, 7 de maio de 2022

Pequenas Histórias

 

Pequenas Histórias (267) – Ano - 1982

 

Los Olvidados

Fonte: https://gremio1983.files.wordpress.com/

Quem me conhece há mais tempo, sabe que Literatura, Música, Cinema, além do Futebol, sempre fizeram parte da minha vida, então, às vezes, eu recorro a exemplos nestas áreas para justificar os meus textos, minha compreensão sobre o que vejo no mundo da bola, como agora, onde busco a lembrança de discos como o segundo do Secos e Molhados (1974) ou Jesus não tem Dentes no País dos Banguelas, Titãs (1987), ambos, menos considerados em relação aos seus antecessores, o primeiro S&M (1973) e Cabeça Dinossauro (1986), mas de uma qualidade imensa, que julgo serem um trabalho único, apenas divididos por fins mercadológicos. Merecem mais e maior reconhecimento, com certeza.

 Pois o Grêmio de 1982 é um desses casos. Não era inferior ao de 1981, até teve acréscimos como Vantuir na zaga, Batista jogando muito no meio de campo, além de um entrosamento que o tempo emprestou-lhe. A causa do bicampeonato frustrado foi o detalhe, aliás, dois detalhes: a lesão de Vantuir, o melhor em campo, até então, que não voltou para a segunda etapa no primeiro confronto da decisão, (Newmar entrou mal e foi envolvido por Zico no último lance do jogo, resultando no empate) e na partida de volta, Estádio Olímpico lotado, quando o juiz errou clamorosamente, não dando um gol legítimo gremista, onde a bola cruzou a linha derradeira, sendo tirada de dentro por Andrade utilizando a mão (foto acima); resultando em novo empate, desta vez, 0 a 0. A disputa chegou à “negra” e só assim, o Flamengo conquistou o campeonato brasileiro daquele ano. O Grêmio era tão forte, que trouxe a decisão para o seu estádio.

 Há elementos inquestionáveis para afirmar ser aquele um  timaço: Leão era mais goleiro do que Mazaropi, Vantuir do que Baidek, o mesmo com Batista em relação à China ou Bonamigo. Baltazar ou Caio/César? basta se observar os números de cada um destes centro-avantes e a dúvida será dirimida. E Ênio Andrade ou Valdir Espinosa? Se fosse campeão da Libertadores e do Mundial, não seria nenhum absurdo.

 Resumindo: o time de 1982 era muito bom; um elo competente entre os títulos de 81 (Brasileiro) e 83 (Libertadores e Mundial). Deve ser reconhecido, nada de esquecimento ou menosprezo.

 Aliás, há um atleta importante que poucos falam, Tonho. Ele foi titular neste Grêmio de 82; fez gols importantes como na virada contra o Fluminense e  daquele que poderia ser o do título, diante do Flamengo. Também, Tonho foi titular em boa parte da campanha da primeira Libertadores ganha e esteve no banco de reservas em Tóquio, em Dezembro de 83.

 Seleciono aqui, uma partida em que ele fez os dois gols da vitória gremista sobre o Cruzeiro, primeiro triunfo oficial do Tricolor no Estádio Mineirão.

Ênio Andrade mandou a campo a formação habitual, porém sem seus melhores quatro titulares; o goleiro Émerson Leão, Paulo Isidoro, Tarciso e Batista: Remi (depois Beto); Paulo Roberto, Newmar, De Leon e Paulo Cesar (mais tarde, Casemiro); China, Bonamigo e Tonho; Renato, Baltazar e Odair.

 Yustrich escalou o Cruzeiro com: Gomes; Chiquito, Zezinho Figueroa, Osires e Celso Roberto; Geraldo, Mauro e Eduardo; Bendelack (Luis Carlos), Edmar e Edu.

O Tricolor optou por jogar no contra ataque, para isso, contou com a grande partida que fez o menino de 19 anos, Renato. Assim, logo aos 15 minutos, o Grêmio saltou na frente, quando Bonamigo fez cruzamento, Gomes falhou bisonhamente e Tonho empurrou a bola para o arco cruzeirense, 1 a 0 que se manteve até o final desta etapa.

No segundo tempo, aos 6, Renato arranca pela direita, chega ao fundo e atrasa para a entrada da grande área, Tonho chega batendo; resultado: 2 a 0.

O Cruzeiro vai assustar apenas aos 38 minutos, quando Edmar fez ótima jogada, centra para a cabeça de Mauro, que deu números derradeiros ao confronto. 2 a 1.

Dos treze atletas utilizados por Ênio Andrade neste jogo, nove estariam na delegação ao Japão no ano seguinte.

Fonte:

 Arquivo pessoal do amigo Alvirubro a quem deixo um abraço de solidariedade

 

 

  

5 comentários:

  1. Bruxo, uma pena que existam poucas imagens de boa qualidade destes jogos. Gostaria de ver mais deste time. Esse jogo do Olímpico tem no YouTube. O Renato deu um valor no Júnior aquela tarde.

    O centroavante Edmar depois jogou no Grêmio, sem grande sucesso. Era bom jogador, atuou inclusive na Itália e na Seleção Brasileira. Não tenho certeza, mas acho que estava no grupo da Copa de 86.

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  2. Vinnie
    Para a terceira partida, o Grêmio perdeu 3 titulares, Vantuir, Bonamigo e Tarciso. Na verdade, Vantuir já não jogou a segunda. Bruxo

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    1. Bruxo, o Vantuir foi titular do Grêmio nesses quatro anos em que atuou no tricolor? (78-92)

      Sei que ele foi trazido pelo Telê, tendo sido inclusive jogador de confiança do mestre desde o título do Galo de 71.

      xxxxx
      No primeiro post quiz dizer que o Renato deu um "calor" no Leovegildo. Foi pra cima dele a tarde toda. Personalidade de um junior atuando contra o lateral titular da Seleção na mais recente Copa do Mundo.

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  3. Vinnie
    Salvo algum período de lesões, ele fez dupla com Ancheta, Vicente e De Leon, neste período.
    Anos mais tarde, ele foi auxiliar técnico de Telê.

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  4. Renato entrou numa "fria", encarar a terceira partida e realmente, o Júnior (que já era o grande lateral) levou um sufoco do guri.

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