Frame na imagem e outras bobagens
João Havelange, Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, Rogério Caboclo, Ednaldo Rodrigues, dirigentes da antiga CBD e atual CBF, possuem um traço comum: o de serem investigados e alguns, condenados pela justiça.
Jogadores envolvidos no escândalo das apostas milionárias, as chamadas Bets, cujo caso mais recente e impactante é o de Bruno Henrique, do Flamengo, aliás, condenação que foge à rotina dos demais, que era expressa em dias. BH recebeu 12 jogos de punição, inaugurando uma nova forma muito mais branda. Outro condimento de corrupção do esporte mais amado do país.
Diante destes fatos, os frequentes e absurdos erros de arbitragem podem ser colocados sob suspeição, porque ela (a arbitragem) é a arraia miúda perto dos grandes dirigentes de federações e confederação no Brasil. É razoável a desconfiança dos torcedores.
Por tudo isso, o futebol está morrendo, o torcedor vai adoecendo com tanto descaso pela sua paixão que invariavelmente surge na infância.
Pegando especificamente o caso do Grêmio, ele, neste ano, viu quatro penalidades absurdas serem decididas contra si e contra a regra, sendo três em Grenais: Na Arena, a falta capital em Aravena, os dois primeiros no clássico 448 e ontem no confronto com o Bragantino. Quantos pontos ficaram nestas disputas?
Teve a seu favor um pênalti polêmico no enfrentamento com o Botafogo, mas é possível que a marcação soe como uma constrangida compensação, um ato de comiseração do árbitro pelo roubo no clássico.
As contradições dos juízes são imensas, como expulsar Kannemann (porque é fácil dar cartão para ele, independentemente da cor). Kannemann já vem como o selo da turma da IVI de praticar outro esporte. Ele é pré-julgado sempre: — Não vi, mas, se for o Kannemann, o árbitro está correto.
Outro elemento: como não ir ao VAR na expulsão do argentino? Aliás, o VAR foi acionado para expulsar Arthur. E, por coerência, devia ter ido à cabine no toque no braço de Noriega dentro da área.
Pergunta: qual foi mais pênalti, Noriega diante do Massa Bruta ou os dois do Grenal, ou ainda o de Marlon, ontem?
E as justificativas nos áudios liberados pela CBF: no primeiro pênalti no clássico, depois de a convicção estar praticamente consolidada pelo acerto de Marcelo de Lima Henrique em não marcá-lo, uma voz feminina (sem problemas, podia ser de um homem, também) observa que, em um dos frames, "há um contato do joelho do defensor".
No suposto pênalti de Marlon, o áudio revela um movimento antinatural do braço do lateral. Aí se pergunta: o braço de Noriega estava mais resguardado do que o de Marlon?
É muita atrapalhação, quando deveria ser bem menos complicado, ou seja, se são necessários frames de imagem para decidir um pênalti, é porque não foi penalidade máxima. Estes detalhes, num lance capital, não podem ser decididos por uma imagem congelada. Futebol é esporte de contato. Ponto final.
Além da incompetência dos árbitros, existe uma busca pelo protagonismo e isso é mais um componente equivocado que está matando o futebol.
O bom juiz é aquele que passa discreto pelo espetáculo.
PS: Observem a movimentação de Praxedes, o atleta que finalizou a bola que resvalou em Marlon. Ele corre em direção ao escanteio para bater rápido, porque a partida estava acabando.