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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Opinião



Por enquanto, campeonato "iô-iô"

Início de certame, times muito parelhos, muitos em formação, era natural este sobe e desce das primeiras rodadas. 

Querem exemplos? Primeira rodada e a derrota para o Furacão deixou o Imortal na zona do rebaixamento. Passadas mais algumas e o Botafogo que enfiou a maior goleada, 6 a 0, ocupa um lugar na zona da degola. O Coirmão na quinta rodada era o flamante líder do campeonato; hoje está fora do G-4, isso em apenas 2 dias.

Na sexta rodada, os dois clubes que mais tempo se envolveram com a Libertadores, Cruzeiro e Grêmio, são os ponteiros da competição, derrubando algumas teses.

Ontem, o Atlético Mineiro, outro frequentador da zona de rebaixamento nas primeiras rodadas, agora encarreirou 3 vitórias consecutivas, feito que apenas o Imortal tinha alcançado.

Provavelmente será assim até a 9ª rodada. Tenho até palpite para um novo líder no final de semana: Atlético Mineiro que pega o Criciúma em casa. Portanto, despencar 3 ou 4 posições não é motivo para crise, o mais importante é a diferença de pontos entre os clubes e o percentual de aproveitamento alcançado.


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Opinião



Quinta, um dia após a liderança

Tratando sobre o grande jogo que o Tricolor realizou ontem e que o tornou Co-Líder  do Brasileirão, seguem algumas linhas:

- Jogue quem jogar, a zaga tem mais acertos do que erros. É óbvio que com Rhodolfo, ela se torna mais segura

- Pará está melhor em relação a ele mesmo

- Breno nos deu esperanças que o Tricolor não precisará ir às compras para ter um lateral titular

- Alan Ruiz realizou a sua melhor partida; passou a impressão que não é tão lento

- Máxi Rodriguez parece entrar sempre uma rotação a mais do que a partida exige. Quando acertar o ponto, poderá brigar por vaga. Tem uma qualidade rara que é bater de chapa, efeito procurante, quase sempre indefensável

- Gostaria de ver Dudu jogando pela direita como jogavam os autênticos ponta direitas

- A receita para sábado à noite (que loucura de horário!) é a utilização de 3 volantes

- Jogar fora de casa poderá ser uma boa para Barcos, que parece estar sentindo a pegação de

- Rodriguinho convence; um grande acerto da Direção

Opinião



Tricolor vira  num jogo sofrido

Grande vitória! O Tricolor mostrou muita garra, muita disposição, muito preparação física e especialmente, atitude.

O Botafogo assustou, fazendo gol no início num erro no campo ofensivo, que permitiu o contra-ataque. Zeballos surpreendeu, batendo de direita entre a trave e o goleiro. Mas foi só.

Gostei de Alan Ruiz; jogou um primoroso primeiro tempo, caiu no segundo. Breno muito bem, embora a ingenuidade em alguns lances defensivos. Pará, um erro, de resto, reproduziu a boa atuação que teve contra o Flu.

Seguindo, Werley e Bressan muito seguros num campo traiçoeiro, pois estava bem molhado. Riveros e Ramiro foram bem e não achei falha deles no gol alvinegro. Rodriguinho, mais uma atuação boa, Dudu, um primeiro tempo fraco, melhorou na segunda etapa, mas não conseguiu dar consequência aos seus lances. 

Gostei de Barcos, que se movimentou bastante, arredondou o lance para o primeiro gol, o de Rodriguinho, vital para não entrar no vestiário perdendo.

Acho que Enderson demorou para mexer, mesmo assim, Zé Roberto e Máxi Rodriguez foram decisivos. O uruguaio entrou elétrico e num momento de qualidade pessoal, colocou uma bola indefensável, que definiu o resultado. Passe de Zé Roberto.

Está melhor do que a encomenda, principalmente se olharmos os setores individualmente, isto é, não há consenso nem na mídia, nem na torcida de qual a melhor formação em nenhum deles.

Agora, duas pedreiras pela frente. 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Opinião



Riveros e Ramiro, a dupla de volantes

Polêmica à vista; alguns torcedores e cronistas se espantaram com o não retorno de Edinho a equipe. Permanecem Ramiro e Riveros.

Antes de tudo, parabéns a Direção que brigou para ter Riveros, convocado para amistosos pelo Paraguai. O Tricolor fez valer as regras, isto é, não era data Fifa, não cede.

Escrevi mais de uma vez, que Edinho é atleta para determinados jogos, não para ser titular indiscutível. Quem o deseja no time, argumenta e exemplifica o segundo tempo do Grenal, o dos 1 a 4. Bom! Aí estava um jogo para o Edinho, pois além de suas características como volante de contenção, tem a sua liderança e personalidade. Naquele episódio, o personagem a ser mantido era justamente ele.

Ramiro e Riveros deixam o time mais veloz e mais técnico, também finalizam com mais frequência que Edinho. Foram bem contra o Fluminense e podem melhorar com o entrosamento de novos posicionamentos, já que atuaram juntos apenas os dois em poucas oportunidades. É a dupla perfeita para enfrentar o Botafogo.

Contra o São Paulo, domingo, a receita é a entrada de Edinho no lugar de Alan Ruiz. À princípio, partida talhada para três volantes.

Escrevo agora, porque depois da partida é sempre mais fácil de acertar.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Opinião



Para ganhar um Brasileirão

O Grêmio enfrenta o Botafogo que vem muito desfalcado; aí que mora o perigo.

O perigo não é exatamente o Botafogo desfalcado, mas a sensação que o clube locatário, melhor colocado na tabela, com menos desfalques, achar que é páreo corrido. Já vimos muitos crimes serem cometidos em situações parecidas com essa. Toda a atenção será pouca diante de um adversário recheado de atletas que conhecem a aldeia e muito curtidos, Émerson Sheik, Edílson, Bolatti e Carlos Alberto para ficar em alguns nomes.

O Tricolor tem obrigação de passar por cima das dificuldades e somar mais três pontos, pois os próximos dois confrontos serão fora e a tendência é não conquistar na íntegra os pontos. Imaginem se tropeçar no Alfredo Jaconi, terá que suar sangue para se manter no G-4, depois destes 3 enfrentamentos.

Para conquistar um Brasileirão, via de regra, o clube tem que faturar 80% dos jogos em casa e beliscar 7 a 8 vitórias como visitante mais alguns poucos empates. Essa é a matemática que Enderson & cia. tem que ter em mente. Há exceções, mas estou analisando pela média.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Opinião



O grande saldo da Segunda-feira

Cara de quem perde, não é cara de quem ganha, e vice-versa. A Segunda amanheceu azul; vi gremistas trabalharem com o semblante mais desanuviado. 

O saldo deste começo de semana útil, está sendo extremamente positivo, deverá seguir, o Grêmio precisa fazer valer o fator campo, mesmo que seja o Alfredo Jaconi e ganhar do Botafogo; assim teremos, 6 jogos, destes 4 contra os que pertencem aos 12 maiores do Brasil (2 RS, 2 MG, 4 RJ e 4 SP). Serão contra Atlético Mineiro, Santos, Fluminense e Botafogo. Não é pouca coisa.

Considerando que o time está desfalcado, além disso, não há um padrão definido, exemplo está no meio de campo com vários pretendentes, quantos volantes? Um, dois ou três, o lateral esquerdo titular negociado, etc... Emplacar 13 pontos nesses 18 seria mais do que esperávamos.

Leio que os brasileiros estão com os olhos voltados para a Ucrânia; quem sabe o Tricolor não traz de volta o Fernando, sim ele, aquele que era chamado de "Pirata" por ser perna de pau. Quem sabe? Edinho é meia boca, Ramiro vai sair. Se for negócio viável, por que não?

Encerrando, esse campeonato ainda está no início, mas cada rodada (obviamente) valem 3 pontos, o negócio é não tirar o pé do acelerador e preencher as lacunas do elenco, porque ele só termina em Dezembro. Novamente a velha frase: É hora da Direção.

domingo, 18 de maio de 2014

Opinião




Vitória passou pelas defesas de Marcelo Grohe

Muita correria e eu somente agora consigo postar sobre a importantíssima vitória do Tricolor gaúcho sobre o outro, o carioca.

Foi um clássico. Confronto típico de grandes agremiações, onde o nosso Tricolor bateu o carioca, porque teve aplicação e uma disposição tática que equilibrou dois times desiguais. No papel, o Flu é mais time.

O Grêmio sai fortalecido, pois enfrentou um time situado no topo da tabela, que vinha de bons resultados, inclusive vencendo o seu tradicional adversário na rodada anterior.

Um jogo estranho, porque apareceram algumas novidades como Rodriguinho fazendo o seu primeiro gol, Werley parando o centro-avante da Seleção e como se fosse Mário Sérgio ou Paulo César Lima, o Caju, dando um passe açucarado no gol do Grêmio. Também surgiram defesas espetaculares e não "espetaculosas" de Marcelo Grohe, dando esperanças aos seus críticos (eu, entre eles) que ele realmente reúne condições para ser o goleiro inquestionável que todos sonhamos.

Foram defesas preciosas em momentos cruciais do jogo, principalmente porque a defesa estava desfalcada de Rhodolfo, Geromel , seu reserva imediato e de Wendell, que se despediu semana passada. 

Outro fator positivo é o fato de Ramiro e Riveros terem dado conta à frente da zaga. De negativo, a pegação no pé do Pirata. Caramba! É só olhar para dentro de campo, Fred, o grande Fred, não teve um desempenho condizente ao seu histórico. Parte da torcida segue puxando o Imortal para baixo.

Como escrevi anteriormente, a vitória teria que vir, custasse o que custasse. Veio. E isso é muito bom.

sábado, 17 de maio de 2014




Um Ano de Blog


Chegamos ao nosso primeiro aniversário. Um abraço a todos que honram este espaço com a leitura, comentários, críticas, elogios, correções de rumo e divulgação.

Um abraço especial ao Paulo Juliano que está nessa, antes do blog virar realidade.

Todos estes amigos fazem o nosso dia a dia mais feliz. 

Opinião



Grêmio X Fluminense é para convencer que o trauma passou

Sou daqueles que acham que o Fluminense foi ajudado neste rolo que envolveu a Portuguesa; antes de qualquer coisa, o bom senso. Colocar um reserva faltando 3 minutos para o final da partida, jamais será um ato visando riscar a lisura da competição. tenho minhas dúvidas sobre os desdobramentos se não fosse a Lusa a personagem principal deste imbróglio.

Disto isso, vamos ao jogo deste final de semana; o "Pó-de-Arroz" é um time muito bem montado pelo Cristóvão, que um dia irá treinar o Tricolor gaúcho; que vi capitaneando aquele Grêmio-Show dele, Valdo e cia., dirigido pelo Otacílio. Assim como Vágner Mancini, técnico do Botafogo e adversário seguinte do Imortal, Cristóvão conhece a aldeia gremista.

Além do entrosamento, há Fred. Fred, contestado pela torcida, é meio time do Flu, já livrou a cara do clube "n" vezes, já deu títulos, já evitou rebaixamentos. É sempre um perigo, o que ameniza um pouco é a sua mente voltada para a Copa do Mundo e seu histórico de lesões. Deve arrefecer o ânimo, tirar o pé nesta reta de primeira etapa de Brasileirão.

Tudo isso, deve ser bem considerado pelo Grêmio, especialmente, porque tem dois jogos como mandante e se deseja comprovar que a fase de turbulência ficou para trás, o negócio é fazer seis pontos nestas partidas. Na bola, mas custe o que custar.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Pequenas Histórias

Seguem mais 3 Pequenas Histórias



20 - O Hábito Não Faz O Monge - Grenal dos 4 a 0 - Ano 1977
Acompanhando essa ronha de interdita ou não interdita o Pinheiro Borda, refleti e vi porque eu estava interessado no imbróglio; muito simples! Depois do Olímpico e Baixada, o estádio que mais deu alegrias ao nosso Tricolor foi justamente o Beira-Rio. Grenal noturno então, nem se fala. Várias vitórias, seja o Grêmio entrando como favoritaço ou como o maior azarão. Basta buscarmos pela memória ou pesquisarmos que encontraremos belas lembranças do Gigante.

 A começar pelo quebra-pau da inauguração. Brincadeira! Além das muitas voltas olímpicas, temos a maior goleada registrada em Grenais naquelas quatro linhas. Foi em 1977, início de Novembro. O Grêmio recuperara a hegemonia regional e em praticamente 10 meses daquele ano, havia ganho 4 clássicos; 3 a 0, 2 a 1, 2 a 0 e o inesquecível 1 a 0 em 25 de Setembro, o Grenal do ENEA, como diziam os colorados; acabou sendo Enea mesmo, isto é: Eles Nunca Esquecerão o André (ENEA).

 Era um domingo de muito calor em Porto Alegre, o Coirmão não estava totalmente convencido da superioridade tricolor, questionava na justiça o título gaúcho, o caso Trimedal que os mais velhos lembram bem. Vinha se rearmando. "Raptaram" o goleiro da Seleção paraguaia Benitez que viria para o Grêmio numa ação cinematográfica, digna dos filmes de espionagem; buscaram o ponta-esquerda Edu, tricampeão em 70 que finalizava a escalação do poderoso ataque santista: Manoel Maria, Toninho Guerreiro, Pelé e ele, Edu.

 Para substituir Figueroa, após a frustrada tentativa com Marião, Beliato, um zagueiro promissor, ex-Palmeiras, trazido do Náutico e a camisa 9 foi para Luizinho, goleador do América carioca e Flamengo, de uma família de centro-avantes, pois era irmão de Cézar Maluco e Caio Cambalhota. Eles, mais os remanescentes Batista, Caçapava, Falcão, Jair, Escurinho e Valdomiro.

 Numa jogada de marketing adotaram o uniforme do à época campeão do mundo, Bayern München que ganhara o título  em cima do Cruzeiro, algoz do Inter nas várias Libertadores que se cruzaram. Iriam estrear o uniforme idêntico ao time bávaro naquele Grenal do Brasileirão; camiseta, calção e meias totalmente vermelhas. Seria o novo talismã; enfim, incorporar o futebol germânico em seus atletas.

 O primeiro tempo foi de um predomínio vermelho que não conseguiu furar o bloqueio tricolor. Ladinho (foto) foi o destaque, parando o lado direito que era o forte com as combinações de Batista na lateral-direita, Jair e Valdomiro. 

Quando tudo se encaminhava para um zero a zero, Iúra da entrada da área no gol à esquerda das cabines de rádio, aos 37 minutos, arrisca um chute que simplesmente saiu da tela da televisão; um "bago" para o alto que os deuses do futebol acabaram por soprar, sim, um vento inesperado fez com que a pelota literalmente "caísse" dentro do gol do azarado Benitez. 1 a 0. 

Recomeça o prélio e aos 17 minutos, o mago Tadeu cobra penalti marcado por Dulcídio Wanderley Boschilla, goleiro estático e bola rasteira no canto direito do paraguaio. O Coirmão desandou; aos 26, Éder entorta Batista e serve Iúra no lado esquerdo, o Passarinho, como era chamado nosso camisa 10, invade a área e sem ângulo bate cruzado,  3 a 0. 

A tampa do caixão foi fechada por Tarciso; Éder roubou a bola de Valdomiro, arrancou pela esquerda e fez um cruzamento, antes de chegar ao fundo, Benitez disputa no alto com o Flecha Negra que desviou sem muita força para o fundo das redes. Decorriam 85 minutos.

 Nunca mais se repetiu um Grenal com diferença de quatro gols. O uniforme estreante foi aposentado. Virou peça de museu, o Grêmio de Telê Santana conquistou a sua quinta vitória num único ano. Começava a cumprir uma trajetória vitoriosa, sepultando quase uma década marcadamente vermelha.

 Um Grenal que exorcizou os demônios que habitavam as cabeças tricolores. Um clássico para lavar a alma.

21 - O Estraga-Festa - Ano 2006
2006 definitivamente não é um ano de boa lembrança para nós tricolores se formos comparar com o que ele representou para o Coirmão; mesmo assim, tivemos uma alegria lá em uma de nossas casas mais tradicionais de espetáculos, o Pinheiro Borda, naquele ano.

 Para recordar, lembro que foi mais exatamente em Abril, mês muito especial para os colorados. O Gauchão foi decidido em dois Grenais, o primeiro no Olímpico, zero a zero, o segundo e definitivo, no dia 09 de Abril no Beira-Rio que recebeu naquela tarde mais de 57 mil almas.

 O Inter era franco favorito e ia em busca do penta-campeonato. O Imortal vinha remontando o time que subira no ano anterior da segunda divisão do campeonato brasileiro. Mantinha o competente treinador Mano Menezes e isso era um trunfo que se mostrou essencial para a retomada da hegemonia gaúcha. 

Os times entraram em campo com desfalques, o Inter sem Fabiano Eller expulso no primeiro embate e o Imortal sem o zagueiro argentino Maidana, lesionado e Alessandro, lateral que jogara no meio no primeiro confronto, onde se constitiu em grande destaque. Ele também cumpria suspensão automática. Tcheco ficou no banco, descontado.

 Poucos acreditavam que o título voltaria para o clube do Olímpico Monumental; o estado anímico indicava uma disputa forte, mas que a balança da vitória penderia para as cores vermelha e branca, senão vejamos as escalações: Clemer, Ceará. Bolívar, Ediglê em lugar de Fabiano Eller e Rubens Cardoso; Fabinho, Paulo César Tinga e Mossoró;Michel, Fernandão e Iarley. Ainda entrariam no Colorado, Rafael Sóbis, Perdigão e Rentería. O treinador, o conhecido Abel Braga. Esse time, 4 meses depois seria campeão da Libertadores. 

O Grêmio de Mano Menezes entrou com Marcelo Grohe, Patrício, Pereira, Evaldo e Escalona; Jeovânio, Lucas,Marcelo Costa e o lateral esquerdo Wellington repetindo a "pardalice" que deu certo com Alessandro na primeira partida; na frente, Ramon e Ricardinho. Praticamente um 4-5-1, pois Ramon era mais um meia do que atacante. Participaram também, Tcheco (sem condições para os 90 minutos), Nunes e Pedro Júnior. Este último, ainda sofrendo as vaias da massa, porque no jogo recente pela Copa do Brasil contra o XV de Novembro perdera penalti decisivo.

 A partida foi muito parelha no primeiro tempo, chances de abertura de placar existiram para ambos os lados, mas os 45 minutos iniciais ficaram sem gols. Começa o segundo tempo e aos 12 minutos, Fernandão acerta as redes azuis. A festa vermelha começa. 

Em número maior no seu estádio, a massa colorada sequer sonhava com a hipótese de perder o penta em casa, ainda mais, com time muito superior em nomes e naturalmente, saindo à frente no marcador.

Porém, à partir do gol sofrido, o Gremio começou a pressionar o time mandante e as chances de gol passaram a acontecer apenas na goleira da esquerda das cabines de rádio e televisão, isto é, só dava Grêmio no ataque.

 Aos 33 minutos, Marcelo Costa cobra falta no lado esquerdo e o menino Pedro Júnior ( o quarto agachado) "casqueou" no meio de vários zagueiros e matou o goleiro Clemer. 1 a 1.

 O Gigante da Beira-Rio emudeceu. Com o resultado de empate em ambos os prélios, o saldo qualificado beneficiou o nosso Tricolor que fez a festa, ou melhor, estragou a festa dos favoritos. 
Como se em Grenal houvesse um dia um favorito! Mano Menezes mostrou nos dois clássicos que poderia fazer carreira como técnico.

 Aqueles dois confrontos desmonstraram o estrategista que o Brasil e a América conheceriam melhor nos anos seguintes, quando foi vice-campeão da Libertadores em 2007 e em seguida fazendo história noutro mosqueteiro, o Corinthians Paulista e tornar-se timoneiro da Seleção Brasileira.


22 - Zequinha, o Professor - Ano 1975

José Márcio Pereira da Silva, mineiro, cabelo black power, calça boca de sino, professor de Letras, autor de "O Time do Bagaço", lançado em 1976 pela L & PM Editores, livro precursor nos relatos das histórias da bola e dos boleiros, atualmente reside na América do Norte. Conhecem? Não! Então, quem sabe Zequinha, o dos 3 gols num certo Grenal?  Ah! Melhorou.

 Zequinha é um ser iluminado, pois jogou no Botafogo com a camisa 7 que fora de Garrincha e sucedeu o tri campeão mundial, Rogério no clube da Estrela Solitária. Foi o ponteiro direito nos dois jogos de despedida de Pelé pela Seleção Brasileira, Morumbi e Maracanã, em 1971. Mais! Foi um dos raros jogadores da dupla Grenal a fazer três tentos num único clássico. Único também, era o seu estilo de conduzir a bola em velocidade; utilizava a face externa dos pés.

 Tem lugar certo na galeria de heróis da maior rivalidade esportiva do Brasil. Para os gremistas ele não é só um herói. É um super-herói.

  Bem, apresentei o Santo, agora vou contar o Milagre. Corria o mês de Julho de 1975, nos cinemas da capital filmes como Amarcord (Cine Premier), Satyricon (Marabá), Assassinato no Orient Express (Imperial e Presidente), Loucuras de Verão (ABC) e no Gigantinho, naquela semana, Quico, Gilnei, Peri, Kleiton e Kledir, isto é, Os Almôndegas, subiriam ao palco, juntamente com Sá, Rodrix e Guarabyra mais Morris Albert, o cara do hit "Feelings". Mas o que me importava era o Grenal; ainda mais pelo fato do Tricolor fechar simplesmente, 3 anos e meio sem ganhar um. Eram 17 edições na seca. Eu estava com 16 e a última vitória, eu recém fizera 12 anos.

  Na adolescência, quase 4 anos é uma eternidade. O Grêmio vinha tropeçando no campeonato gaúcho o que o obrigou a ganhar o clássico por diferença de 3 gols, no mínimo, para decidir o turno no fim-de-semana.

 O confronto seria à noite na casa do adversário, o Beira-Rio, o que aumentava a descrença numa vitória. Além disso, o nosso time era bem inferior. Sorte que naquele ano, o presidente Luis Carvalho, ex-craque dos anos 30, trouxera um técnico promissor: Ênio Andrade.

  Com poucos recursos,  os reforços vieram do interior gaúcho e paulista. Craques consagrados, o Tricolor tinha apenas 3: Picasso, o goleiro, Anchetta e Zequinha.

 Havia 3 promessas; Bolívar, Beto Fuscão e Neca. Os outros eram "pura raça". No dia 23, utilizando o uniforme idêntico ao da Celeste Olímpica (Uruguai), o Imortal entrou em campo praticamente com a equipe da foto aí de cima, ou seja, Picasso, Vilson, Anchetta, Beto e Jorge Tabajara; Cacau, Iúra e Neca; Zequinha,Tarciso e Nenê. Entraram ainda Luiz Freire e Bolívar. 

  O Inter com Manga, Cláudio, Figueroa, Hermínio e Vacaria; Falcão, Borjão e Paulo César Carpegianni, Valdomiro, Flávio e Lula. Mais o ingresso de Claudiomiro no tempo final. No comando: Rubens Minelli.

 Um primeiro tempo de muito respeito e poucas chances de gol. Os times voltam para a segunda etapa de forma mais ousada. Aos 6 minutos, Nenê arranca pela esquerda, perseguido por Figueroa, este dá um carrinho no momento em que o ponta ia chutar; azar do chileno, pois dá um verdadeiro passe para Zequinha (primeiro, agachado na foto) e este completa para o fundo das redes.

 Não demora muito e em novo erro do capitão colorado que atrasa curto para Manga, permitindo a Zequinha, com leve toque tirar o goleiro da jogada e empurrar para o fundo da meta rubra.

 Loucura total! O impossível estava acontecendo. A sensação era a mesma do mundo quando o exército nazista perdera sua primeira batalha, a de Stalingrado, mostrando que não era invencível. O Grêmio era os russos! Faltava mais um.

 O abafa continuava, mas o baque chegou aos 40 minutos, quando o jovem Falcão descontou. 2 a 1. Pouquíssimos minutos se passam e Zequinha invade a área pela direita e solta a bomba, a bola bate no peito de Vacaria e toma o caminho das redes.

 Terceiro gol dele na abençoada goleira que fica à esquerda das sociais, em frente a galera tricolor. Quase nos acréscimos, o meia Neca invade a área e coloca no canto esquerdo, a pelota caprichosa bate na trave e não entra. Final de jogo.

 Mesmo desclassificado, o Imortal faz a festa. Vê que é possível reverter o quadro. A vitória recupera a confiança, rende dois mil cruzeiros para cada atleta.

 Zequinha é eleito o craque da partida; logo abaixo dele, com grande atuação, o zagueiro Anchetta.

 Em suas entrevistas de final de jogo, o capitão gremista diz que vai pegar a esposa e sair para dançar à noite inteira.

  Já na minha casa, meu pai, meu irmão e eu, sentamos à mesa da cozinha com o rádio Phillips de 4 pilhas grandes ao centro e pela primeira vez bebemos vinho juntos. Agora era esperar pelo video tape completo pela tevê Piratini.

 Naquele Grenal, Zequinha ensinou ao mundo como se ganha um clássico. Havia dado uma aula de futebol.