Toda a contratação é uma aposta; vejam o caso de Forlan, um rotundo fracasso, quem diria? Então a assertiva é verdadeira. Não são apenas jovens ou ilustres desconhecidos que são apostas. O que ocorre é que são apostas "cegas', muito poucos sabiam e bancavam a aventura de contratá-los; ilustrando: Nildo, centro-avante já em meio de carreira que o Tricolor trouxe da Caldense, imaginem só! Ou Alex Telles, para ficar num único nome da "geração juventudina" no pacotaço do ano passado.
No entanto, há apostas que pagariam pouco na bolsa das especulações, porque são quase certezas de êxito; o sucesso delas, não seria o sucesso de um "azarão".
É aí que entra Giuliano. Este chega, farda e sai jogando; ninguém dirá que foi no carteiraço. Tem biografia, ou seja, tem passado e presente abonadores.
O processo de sua contratação lembra uma imagem desfocada que aos poucos, vai tomando a forma definitiva, a nitidez vai sendo regulada até ficar completamente clara aos olhos de qualquer um. O que é isso? Significa que é uma grande contratação à partir das últimas notícias, isto é, que vem jogando, vem marcando gols e muito principalmente, é o principal assistente dos atacantes do time ucraniano.
Outro sintoma que ele tem maiores chances de dar certo no Imortal é que, diferentemente das últimas aquisições, Giuliano vem em definitivo, mesmo que a grana seja de investidores.
Aguardamos pelo fechamento do negócio. E que venham outros desse calibre.
De todos os malefícios criados pelos homens, a guerra certamente é o pior. As duas maiores, as do século XX, deixaram marcas indescritíveis e inesquecíveis, como por exemplo Hiroshima, Nagasaki, Guernica, Holocausto e muito mais.
Causaram males menor, mas igualmente, marcantes. A inviabilização das edições de 1942 e 1946 da Copa do Mundo foi um deles.
Apenas hoje, tomei conhecimento que em 1940, já durante a segunda guerra, a FIFA ignorando o contexto, decidiu que haveria a Copa de 1942, justamente no Brasil. Com o conflito recrudescendo no velho continente, apenas Romênia, Noruega, Portugal e Espanha acenaram com a vinda ao Brasil. Dessa forma, o torneio mundial viraria um certame sul-americano praticamente, por isso a ideia não avançou. Ficou tudo para 1950.
Fica a pergunta: realizadas as de 42 e 46, quais seriam os favoritos?
Futebol tem uma lógica, mas ela não é definitiva, foi o caso de 1950, o Maracanazo, porém, admitamos a lógica, neste caso, teríamos o Brasil dos goleiros Barbosa e Oberdan, Domingos da Guia, Zizinho, Jair da Rosa Pinto, Ademir Menezes, Heleno de Freitas, Leônidas da Silva, que jogou de 42 a 49 no São Paulo. Havia o Rolo Compressor de Nena, Adãozinho e especialmente Tesourinha que se mudaria para o Vasco em 49, aliás, o melhor time desta década, pois formou o Expresso da Vitória. Por tudo isso, os brasileiros eram candidatos. Entretanto, os maestros da década de 40 foram os argentinos. A melhor safra não foi a de Maradona, sequer a de Kempes, menos ainda a atual de Messi & cia. A grande e irrepetível foi a da década de 40; só o River Plate era uma seleção, ganhou dez títulos na década, sendo 4 campeonatos nacionais. Sabe-se que há até hoje, pelo menos um 6 clubes postulantes aos títulos na Argentina; então, ter uma supremacia dessa em 10 anos, é um feito e tanto. Um time que tinha o goleiro Carrizo e principalmente um ataque infernal; naquela época, jogavam com 5 dianteiros. Toda a linha era da Seleção: Muñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Losteau. Havia ainda, simplesmente, Di Stéfano, o maior jogador portenho antes de Maradona e maior atleta do River Plate. É uma década em que os argentinos levaram ampla vantagem no futebol sul-americano. Teoricamente, as Copas de 42 e 46 teriam um amplo favorito, a Argentina. Fica sempre uma interrogação e uma certeza: os favoritos confirmariam? A certeza é que muitos craques ficaram sem Copa do Mundo nos seus currículos. No fundo, quem perdeu foi o futebol. Para essa crônica usei a memória dos papos com meu pai que viveu tudo isso e mais as seguintes fontes: o livro de Roberto Sander, "Anos 40" e os sites blogs.diariodonordeste.com.br e imortaisdofutebol.com
Olho os jornais e sites sobre futebol e vejo notícias repetidas, até aí, tudo bem. Sinal que os esforços à cata dos fatos estão sendo recompensados nesta briga pela busca de informações.
Será? Tem um porém, às vezes, as fontes são os próprios concorrentes, lembram do caso de Enrico Cabrito? Um criou, inventou a história e os demais, na pressa, mandaram ver ... o mico.
Essas fontes são interessantes; notem que ninguém noticiou antecipadamente a saída de Guilherme Biteco para o Vasco, nem Marco Antônio para o Figueirense, tampouco Adriano, o volante que se mudou para o Vitória. Entretanto, possíveis saídas de Barcos, Kléber, vindas de Giuliano e outros são veiculadas quase que diariamente.
Como será que funcionam as fontes? Elas estão dentro dos clubes? Na origem ou destino dos atletas? Agora mesmo, será que o Galo alguma vez esteve interessado em Kléber, será que Luiz Felipe abriu negociações com o Inter em 2010? Ou que havia proposta chinesa por D'Alessandro?
Sob o manto que "preserva" a fonte do jornalista, muitas notícias são "plantadas" e a manada nessa corrida pela atenção do leitor/espectador/ouvinte, se encarrega de fazer o estrago através da propagação.
Este período de parada do Brasileiro é fecundo, apropriado para a arte de desenvolver boatos, até rola um que existe inimigo na trincheira no Grêmio, entregando as negociações em curso.
A seriedade com que os atletas
enfrentaram o adversário e a organização tática perfeita levaram a Seleção
Brasileira à vitória diante da grande Inglaterra, naquele 7 de junho de 1970.
Talvez a partida esteja dentre
aquelas consideradas como um enfrentamento acima da média, tamanha era a
qualidade das duas seleções. Sem dúvidas que, taticamente, foi um dos jogos
mais perfeitos já disputados em copas do mundo. Um jogo cuja intensidade dramática
reduziu ao silêncio atento a multidão de torcedores que ocupou todos os espaços
disponíveis do Estádio Jalisco, em Guadalajara, no México.
A Inglaterra perdeu de pé.
Postou-se como um grande time. Lutando até o apito final. Perdeu como uma
legítima campeã mundial. Ela, a Inglaterra, que havia conquistado a taça, em
1966, quatro anos antes, foi derrotada por uma seleção monumental, perfeita,
imbatível.
Mas, mesmo os craques brasileiros
não teriam conseguido dobrar o time de Ramsey se não tivessem se aplicado com
todas as suas forças ao esquema traçado por Zagallo. Nada foi deixado ao acaso.
Sob o sol do meio-dia, em Guadalajara, as duas seleções estudaram-se muito.
Os atletas movimentavam-se
lentamente, com a bola sendo tocada calmamente, evitando o desgaste
desnecessário, naquele forte verão mexicano. Por certo, teria sido diferente em
Wembley. Por certo, teria sido diferente no Maracanã, à noite.
Os ingleses tinham preparado um
esquema, preocupados com o sistema defensivo, para anular Pelé e Gérson. Alan
Ball iria exercer forte marcação todo o tempo possível. Os ingleses acreditavam
que Gérson jogaria (Ele machucou-se contra a Tchecoslováquia). Não contavam com
a ausência do “Canhotinha de Ouro”. Não contavam, também, com a grande atuação
de Paulo Cézar Lima, o futuro “Cajú”.
Pois Paulo Cézar foi um dos
grandes nomes da partida, junto com Bobby Moore, o capitão do time inglês.
Paulo Cézar, taticamente, esteve perfeito: ajudou o meio de campo e teve forças
para atuar pela lateral, oferecendo mais espaço para o ataque brasileiro e
evitando que o lateral Wright avançasse sobre a defesa brasileira.
Aos 11 minutos, houve uma jogada
de grande qualidade e beleza. A jogada que ficou gravada na memória de milhões
de torcedores pelo mundo afora. Jairzinho avançou em velocidade pela direita,
cruzou da linha de fundo e numa cabeçada fulminante de Pelé, de cima para
baixo, na risca da pequena área, a bola bateu no gramado, dirigindo-se para o
gol, e o extraordinário goleiro Gordon Banks salvou num milagroso mergulho. A
torcida já tinha se levantado para comemorar o gol e até hoje a emblemática
defesa é lembrada como uma das mais bonitas da história do futebol.
Definitivamente, Brasil e
Inglaterra entravam para a história dos mundiais.
Justiça seja feita a Félix,
também! Ainda no 1º tempo, num ataque inglês, Wright vai à linha de fundo e
cruza para a área. Bola alta, que passa por Piazza e Hurst, e Lee, de cabeça,
quase na pequena área, à “queima-roupa”, finaliza. Félix faz a defesa, salvando
o Brasil, e a seguir Lee comete falta sobre o goleiro. Jogo magnífico!
O Brasil passou a forçar o jogo.
Jairzinho, marcado por Cooper, levava vantagem. Cooper tinha ótimo desempenho
com a bola nos pés, no apoio. Defendendo, não tinha o mesmo rendimento. Começou
a apelar, batendo no ponteiro brasileiro. Mullery marcava Pelé em todos os
cantos possíveis. Sem tréguas. Pelé buscava o mínimo de espaço, pois tinha
poucas chances de fazer algo ou de mudar o quadro do jogo.
A marcação era tão ferrenha que,
num lance dentro da área, Pelé foi derrubado por Mullery, quando se preparava
para chutar. Pênalti! Pênalti! O juiz não deu! Putz...Talvez Pelé tenha
exagerado na cena, atirando-se ao chão. Segue o jogo.
Aos 14 minutos do 2º tempo,
Tostão, que até então pouco fizera, devido à dura marcação inglesa, decidiu a
partida numa jogada de grande categoria. Na intermediária, Tostão viu Roberto
Miranda no aquecimento e percebeu que o atacante do Botafogo tomaria seu lugar.
Sem se abalar, ele tabelou com Paulo Cézar e aplicou uma sucessão de dribles,
enfiou a bola entre as pernas de Bobby Moore, girou e lançou-a para Pelé,
dentro da área. O “Rei” dominou a “pelota”, dando um toque rápido para
Jairzinho, que chutou à meia altura, sobre o ótimo Banks, de forma
indefensável. Gol do Brasil. 1x0! Que jogo!
Alf Ramsey deu a resposta rápida
e substituiu Charlton e Lee, por Bell e Astle, partindo com toda a força para o
ataque.
Quem conhecia o estilo de
Zagallo, adotado no Botafogo desde sempre, sabia que nada era mais conveniente
para a Seleção Brasileira. Taticamente, o Brasil seguiu jogando com toda a
seriedade possível. Solidamente fechado, tocando a bola, o Brasil esperou uma
nova oportunidade, com as arrancadas de Jairzinho ou de Roberto Miranda, que
substituiu a Tostão. E as oportunidades surgiram: uma com Jairzinho e outra com
Pelé, já no último minuto de jogo, numa tentativa de encobrir o goleiro Gordon
Banks.
Já os ingleses, perderam chances!
Uma delas, numa falha de marcação, Astle, na marca do pênalti, recebeu livre e
chutou para fora. Depois, Ball, de dentro da área, no lado esquerdo, chutou de
pé direito e Félix tirou com a ponta dos dedos. A bola ainda raspou o travessão
brasileiro. A Inglaterra mostrou-se um grande time. O Brasil mostrou-se pronto
para o título. Um jogo para não esquecer.
INGLATERRA: Gordon Banks, Tommy Wright, Brian
Labone, Bobby Moore, Terry Cooper, Alan Mullery, Bobby Charlton (Jeff Astle),
Francis Lee (Colin Bell), Alan Ball, Geoff Hurst, Martin Peters. Técnico:
Alfred Ernest Ramsey
O ciclo cumprido irregularmente por Kléber, o Gladiador no Grêmio, parece que está chegando ao seu final. Final melancólico, pois o saldo deficitário é elevado, elevadíssimo. E aqui, certamente não estão computadas apenas as cifras extravagantes que a gestão anterior deixou cair no colo de Koff e parceiros por conta da aquisição dele; trato do saldo afetivo, aquele que muitos torcedores depositaram na figura do atleta, cuja personalidade e forma de jogar estariam em comunhão com o modo peleador tradicional do Tricolor. Teoria e prática colidindo frontalmente. Isso não ocorreu.
O Gladiador sucumbiu às lesões, mas não foram elas a causa maior pela indiferença entre estar recuperado ou no DM no pensamento do torcedor. A falta de comprometimento com o grupo, suas notícias "além" clube, deixam a ideia que ele, pelo salário, pela grandeza do clube e até pelo seu currículo de passagem por São Paulo, Palmeiras (2 vezes) e Cruzeiro, ou seja, grandes clubes, poderia se envolver, se doar mais para o Grêmio.
Ele está desde 2012 e com um brevíssimo período nos primeiros meses de Grêmio, que se constituiu numa exceção, nada fez que possa dar esperanças de reversão de expectativa de seu futuro no Imortal, arrisco dizer, na sua carreira.
Pelo seu biotipo, Kléber é um jogador que tem que estar "na ponta dos cascos", caso contrário, será um peso morto para quem joga na faixa de campo que ele atua. Desse jeito, não chega aos 32, 33 anos em times de ponta. É uma pena.
Noticia-se que Vasco da Gama, Atlético Mineiro e Santos estão de olho no seu concurso, ainda para este ano. Duvido. Duvido, mas torço para que isso seja verdadeiro.
No
Brasil dizia-se que a "final antecipada'' da Copa do Mundo de 1938 tinha
sido contra os italianos, três dias antes, 16 de junho. Sem Leônidas e sem Tim
o Brasil perdeu a partida por 2 x 1. Um dos gols italianos, o segundo, marcado
na cobrança de uma penalidade máxima, tem uma descrição curiosa: Giuseppe
Meazza teve que segurar o seu calção para cobrar o pênalti, pois o barbante
havia se partido. Mesmo assim conseguiu marcar o gol para a Itália.
Mas
na Europa, o pensamento dos observadores era outro. O Brasil era visto sem
nenhum favoritismo, ao passo que a Itália era, de fato, a grande seleção do
Mundial daquele ano. A seleção da Hungria aparecia entre as eventuais
candidatas a enfrentá-la na decisão. E a previsão se confirmou. Um pouco
incomodados com a sombra do “Duce” Benito Mussolini, os italianos entraram em
campo ostentando amplo favoritismo, naquele 19 de junho, em Paris.
“Vencer
ou morrer”! “Vencer ou morrer”! “Vencer ou morrer”! Esses dizeres não saíam da
cabeça dos jogadores da Itália. O texto enviado pelo ditador à delegação nem
era tão necessário, já que a “Azzurra” mostrou rapidamente por que era
considerada favorita.
Logo
no início da partida, aos 6 minutos, após cruzamento da direita, a defesa
húngara não cortou e Gino Colaussi, sem deixar a bola cair, acertou de primeira
e a mandou no canto direito de Antal Szabo.
Aos
8 minutos, Gyorgy Sarosi, pelo meio, ergueu a bola na área. Ferenc Sas desviou
de cabeça e encontrou Pal Titkos. No bico da pequena área, ele “matou” no peito
e bateu no alto do gol. Estava empatada a partida.
Aos
16 minutos, a Itália trocou passes na área da Hungria, até que Giuseppe Meazza
driblou um marcador e rolou para Silvio Piola, na marca do pênalti. Ele dominou
e acertou o ângulo esquerdo. 2x1 para a Itália!
Aos
35 minutos, Gino Colaussi recebeu lançamento longo de Giuseppe Meazza, entrou
na área, chegou perto do goleiro, que não saiu no lance, e tocou no canto
esquerdo. 3 x 1!
A
Hungria mostrava dificuldade em marcar o jogo mais veloz dos italianos. Ficava muito
exposta em sua própria área e dava a impressão de que se contentara com o vice
campeonato, apesar de todo o apoio das arquibancadas - para os franceses valia
o princípio de que "o inimigo do meu inimigo é meu amigo", e qualquer
um que enfrentasse os fascistas italianos era visto como amigo.
No
segundo tempo, a Itália diminuiu o ritmo e o húngaro Gyorgy Sarosi, aos 25
minutos, conseguiu descontar num contra ataque rápido. Pal Titkos rolou a bola
do bico da área, pela direita, e encontrou Gyorgy Sarosi entre os zagueiros. De
primeira, ele escorou para dentro do gol. 3 x 2 para a Itália! A Hungria
voltaria a pressionar.
Aos
37 minutos, Amedeo Biavati recebeu lançamento pela direita, na linha de fundo,
e cruzou para a marca do pênalti. Silvio Piola chegou antes de um zagueiro e
mandou no canto direito. Itália 4 X 2!
Quando
o árbitro, o francês George Capdeville, apitou o fim da partida, a torcida
vaiou o time campeão, numa atitude jamais vista. Os apupos aumentariam
consideravelmente na sequência: o capitão da Itália, Giuseppe Meazza, fez a
saudação fascista antes e depois de receber o troféu das mãos do presidente
francês, Albert Lebrun, nas tribunas de honra do estádio.
Mas
para a Itália, pouco importou. Os jogadores saíram da Copa com o título de bicampeões
e, principalmente, vivos - pelo menos no tocante ao telegrama de Mussolini que
dizia "Vencer ou morrer". E nisso tiveram até a complacência do
adversário: o goleiro húngaro Antal Szabo dizia que não se importava de ter
sofrido quatro gols, pois sabia que tinha salvado vidas.
De
volta à Itália, nada de morrer: titulares, reservas e o técnico Vittorio Pozzo
foram recebidos com muita pompa pelo “Duce” e ganharam do governo italiano um
belo prêmio em dinheiro.
19
de Junho de 1938 – Itália 4 x 2 Hungria
Local:
Colombes / Stade Olympique, Paris (França)
Público:
45.000
Árbitro:
George Capdeville (França)
Gols:
Gino Colaussi 6', Pal Titkos 8', Silvio Piola 16', Gino Colaussi 35' do 1º
tempo; Gyorgy Sarosi 25', Silvio Piola 37' do 2º tempo
ITÁLIA:
Aldo Olivieri, Alfredo Foni, Pietro Rava, Pietro Serantoni, Michele Andreolo,
Ugo Locatelli, Amedeo Biavati, Giuseppe Meazza, Silvio Piola, Giovanni Ferrari,
Gino Colaussi. Técnico: Vittorio Pozzo
HUNGRIA:
Antal Szabo, Gyula Polgar, Sandor Biro, Gyula Lazar, Gyorgy Szucs, Antal
Szalay, Ferenc Sas, Gyula Zsengeller, Gyorgy Sarosi, Jeno Vincze, Pal Titkos.
Técnico: Karoly Dietz.
Período de Copa do Mundo está soando perigoso para os futebolistas. Temos exemplos de morte súbita de vários deles, João Saldanha durante a da Itália, 1990, o humorista Bussunda, que estava cobrindo a de 2006 na Alemanha e agora, Luciano do Valle e Marinho Chagas.
Meu primeiro contato com o nome de Marinho, ainda não tinha agregado o Chagas, foi no único álbum de figurinhas que completei. Era da revista Placar e tinha tudo sobre os principais clubes brasileiros. O nome do potiguar Marinho estava no elenco do Náutico do Recife. Tinha dezenove, vinte anos.
Em seguida veio para o Botafogo e na estreia "chapeleou" Pelé e fez um gol de falta. Vale a pena ler sobre a história desse seu primeiro jogo. Retirei esse trecho do site trivela.uol.com.br; para se ter a ideia da personalidade dele.
"Chapéu em Pelé
Foi na sua estreia pelo Botafogo, em 1972. Marinho Chagas havia acabado de chegar do Náutico e ninguém o conhecia muito bem. Pelé até chegou a alertar que se tratava de um 'galego craque e meio doido', mas o Rei não prestou atenção ao próprio aviso. Na primeira vez que cruzou com o maior jogador da história, deu um chapéu que fez o Maracanã tremer. Depois da partida, Pelé pediu 'mais respeito', brincando. Marinho Chagas, também brincando, xingou: 'Mandei tomar no cu e saí rindo', disse à Trip.
Neste mesmo jogo, Jairzinho, ídolo do Botafogo, estava pronto para bater uma falta, chegou a avançar em direção à bola, mas Marinho Chagas cobrou sem avisar o companheiro, que ficou ligeiramente irritado. A resposta veio com o mesmo linguajar: 'Bicho, vai tomar no cu, o gol tá feito'. E estava mesmo: a bola entrou no ângulo."
Se Nilton Santos foi o lateral que primeiro avançou o meio de campo, fez isso de forma esporádica, já Marinho Chagas revolucionou a posição; tornou-se artilheiro, fez 40 gols só na sua passagem pelo Botafogo, isto é, 4 anos, na Seleção foram 4 em 36 jogos. Ganhou 3 Bolas de Prata em sua posição.
Se hoje temos laterais que avançaram como Júnior e Roberto Carlos e seguem avançando como Marcelo e Wendell, muito se deve o processo, ao ineditismo e talento de Marinho.
Infelizmente, as histórias extra-campo e o lance mais comentado de 1974, a disputa pelo terceiro lugar contra a Polônia, onde Lato, artilheiro do Mundial, fez o único tento às suas costas, que gerou um conflito no vestiário, obscureceram o principal: o seu grande e revolucionário futebol. Tinha apenas 22 anos nesta Copa.
Para se ter uma ideia, Marinho foi eleito o melhor lateral esquerdo daquela competição, concorrendo com Paul Breitner (Alemanha Ocidental) e Ruud Krol (Holanda). Quem gosta e acompanha futebol sabe o que significam esses nomes para os seus países.
Outra lembrança que tenho de Marinho; em 1976, Osvaldo Rolla, o Foguinho, assumiu o comando técnico do Grêmio; pediu um único jogador para a Direção: Marinho Chagas. Não levou, mas mais uma vez, mostrou que sabia tudo dos mistérios da bola.
Este era Francisco das Chagas Marinho, um revolucionário do futebol.
Como todo mundo esperava, a parada do Brasileiro gera especulações trazida pela mídia. O Grêmio, nosso interesse, é vitimado pelo momento de escassez de notícias, então, logicamente, tem muita gente saindo, tem muita gente chegando. É certo que o mercado está "aquecido", mas seria interessante, a gente guardar e aguardar, isto é, ver o que sobrará deste tiroteio de informações.
Os nomes pipocam; Bertoglio, Villalba, Giuliano, sem falar na outra via, isto é, os que irão.
Dos cogitados, Giuliano, eu aceno positivamente. Sei que está longe da unanimidade, talvez nem chegue a metade da aprovação dos torcedores gremistas, mas vejo nessa especulação algumas coisas boas, como por exemplo: é jogador do meio para frente, isso mostra que a Direção sabe onde está o furo do time. O perfil do paranaense me agrada, pois é desassombrado, é daqueles atletas que vão para o drible, joga nos dois lados do ataque e se junta ao camisa 9, arremata de média e longa distância. Já demonstrou várias vezes essas qualidades.
Onde estão os motivos para a rejeição, se ele tem todos esses requisitos? Ironicamente, mesmo eleito o craque da Libertadores da América em 2010, Giuliano não se tornou titular no Inter naquele ano. Vendido, faz carreira irregular na Europa, jamais seu nome foi cogitado para alguma Seleção sub alguma coisa, pois há 4 anos, estava com 20 anos, com certeza, poderia ser convocado ainda. Nesse período de Ucrânia, em 80 jogos, marcou tão somente 12 gols.
Apesar dos recentes números ruins, acredito que seja uma boa alternativa para o Tricolor. Giuliano ainda não atingiu o topo da carreira, de qualquer forma, é uma aposta como foi Diego Souza, esquecido no Benfica.
Setembro é o mês de aniversário do Tricolor. Mês de muitas alegrias; a maior, imagino; seja o título do Gauchão de 1977 no inesquecível dia 25. Tudo bem! Tem o Grenal Farroupilha em 22 de Setembro de 1935.
Parada dura para escolher qual o maior evento deste período. Voltando a 77, o ano inteiro o Grêmio nos presenteou com grandes vitórias, goleadas como a de 10 a 0 sobre o Pelotas, goleadas em Grenais, 3 a 0, 4 a 0, que valeram duas "Pequenas Histórias"; quem está por trás destes eventos mágicos? Telê Santana; ele merece uma estátua na Arena pelo que fez no Olímpico. Mestre.
Pois uma semana antes do título, no 18, houve um Grenal decidindo o último turno, antes da final ou finais,pois se o Imortal ganhasse o primeiro, a peleia estaria definida. Foi no Beira-Rio lotado e o Grêmio ganhou por dois a zero e encaminhou o quase outrora, intangível título de campeão gaúcho. O Tricolor formou com Corbo;Eurico, Cassiá,Oberdan e Ladinho;Vitor Hugo,Tadeu e Iúra;Tarciso,André e Éder. O técnico ainda fez entrar Vilson Cereja, o Cavalo no lugar de Iúra e Alcindo no de André, centro-avante que enlouqueceu a zaga vermelha. A defecção de última hora do capitão Anchetta não se fez sentir porque seu reserva, o atual político Cassiá, era um índio macanudo da fronteira e não se assustava por "poca côsa". Junto com Oberdan, compôs uma zaga impenetrável.
O Inter alterado, mesmo assim, contava com Manga,Marinho,Vacaria,Caçapava,Falcão,Escurinho,Valdomiro,Dario; bicampeões brasileiros 75/76. Com um gol em cada tempo, a supremacia tricolor foi incontestável. Aos 32 minutos do primeiro tempo, Tadeu Ricci cobrou uma falta na entrada da área, na verdade, um pênalti que o famoso juiz Carlos Martins viu fora da área para desespero de Iúra que ajoelhado, batia com a mão no gramado, indicando onde ocorrera o toque de mão. Da meia-lua para Tadeu e Éder, era o mesmo que penalidade máxima. Resultado: Gol (foto). Por mais que o fantástico goleiro Manga tenha se esticado, a bola foi onde dorme a coruja; no ângulo superior direito do arco da esquerda, a do Gigantinho. Tadeu bateu com a maestria habitual. Na etapa final, mais exatamente aos 22 minutos, uma das jogadas ensaiadas de Telê; o goleiro Corbo repõe rapidamente a bola em jogo até o meio, onde Iúra domina e estica para André pelo lado esquerdo do ataque, o baiano chega à linha de fundo e cruza na marca do pênalti, encontrando Tarciso que com uma cabeçada, fuzila o lendário arqueiro pernambucano; 2 a 0.
Pela cotação da Zero Hora; duas diferentes; uma colocava Tarciso e Tadeu, outra, Tadeu e Tarciso como os destaques do clássico. Aliás, o Flecha Negra quase fez o terceiro, mas foi acertado violentamente por um pontapé desferido pelo goleiro Manga, em lance fora da área, o que causou a expulsão do veterano arqueiro, fato que resultou no ingresso do paraguaio Benitez, recém-contratado, que iria jogar a decisão no final da semana seguinte. Aquela equipe estava só a dois pontos do título, a um passo da eternidade. Como se sabe, dia 25, à tarde, Olímpico hiper-lotado, Eurico roubou uma bola, passou para Iúra que lançou André entre os zagueiros, este avança e ...
27 - Batendo às Portas do Céu - Ano 1977
Qual será meu jogo inesquecível? Muitos. Eles vão variando de acordo com a memória, o humor, a saudade ou a descontração da ocasião; mas aquele que mais está presente é o do sagrado dia 25 de Setembro de 1977. Havia uma frustração armazenada no peito desde 1969, quando o Coirmão se mudou para o Pinheiro Borda e emendou uma sequência (interminável) de humilhações, gozações e sentimento de inferioridade. Pudera! Minha turma era de 10, talvez 15 amigos, onde apenas 2, eu disse dois, eram colorados e a flauta corria solta. Naquela época, o Grêmio já era o time de maior torcida nos pagos e em 1976, o título bateu na trave, o apito maldito tirou nossa possibilidade de gritar: É Campeão! Porém, 1977 tínhamos Telê Santana e isso não era pouco; ele já era o grande estrategista e visionário que formou várias academias ao longo dos anos. Como um grande arquiteto foi montando aquele time dos sonhos, onde a zaga simplesmente fez 20 gols, Eurico e Anchetta, cinco cada, Oberdan, seis e Ladinho, quatro; apenas para citar a defesa titular. Um centro-médio das antigas no seu posicionamento, mas um líder, o jornalista Vitor Hugo; seguindo, Iúra, o guerreiro e o mago da bola, Tadeu Ricci; na frente; três matadores: Tarciso, André e Éder. No gol, o "tupamaro" Walter Corbo. Ithon Fritzen comandava a preparação física e não dá para esquecer do massagista Banha, do presidente Hélio Dourado e o diretor Nelson Olmedo, autor da fantástica frase: "A Taça tá no armário, o bicho tá no bolso, a faixa tá no peito e a torcida está comemorando", quando o Coirmão quis "melar" o campeonato no Tapetão. O Imortal chegou neste jogo precisando vencer para evitar mais um jogo, que seria na casa do adversário. O Olímpico estava superlotado e a confiança azul era a maior dos últimos anos. Mesmo a defecção do capitão Anchetta, não preocupava. No domingo anterior, Cassiá, o substituto fez uma bela dupla com Oberdan no 2 a 0 do Beira-Rio (Pequenas Histórias 26). O Inter ficou sem Cláudio, Beliato e Falcão à última hora, mas tinha Benitez, Vacaria, Marinho, Batista, Caçapava, Valdomiro, Jair, Escurinho, Dario, Luisinho, entre outros. Logo aos 8 minutos, o atacante Santos derruba André na área; penalti sonegado pela arbitragem. O Grêmio segue pressionando, Eurico perde gol num cruzamento de Tadeu, desta forma, o gol sairia logo (era o que se imaginava). Aos 25 minutos, o zagueiro Gardel impede a conclusão de André, botando a mão na bola. Não tinha como não assinalar. Penalidade Máxima. Tarciso, o que nunca errara uma cobrança, se encarrega de bater. Bate forte ...Para fora! Lado direito de ataque. Meu mundo parecia desmoronar. Tarciso ficou tão abalado que na quarta-feira, jogo das faixas contra o Palmeiras, fez cobrança idêntica e no domingo seguinte, início do Brasileirão, mais uma vez errou; no caso, contra o Joinville em Santa Catarina. Tadeu virou o cobrador oficial. Aos 42 minutos, Eurico rouba a bola, passa para Iúra que mete entre o lateral direito e o beque central para André Catimba, o baiano avança e a lógica indicava bater de pé esquerdo, forte, rasteiro, cruzado no canto oposto do goleiro. André "inventou": chutou de pé direito, colocado, no ângulo superior, linha reta, portanto, no mesmo canto do goleiro. Voou para a cambalhota (foto) e se machucou. Saiu e entrou o predestinado Alcindo Martha de Freitas, maior goleador do Imortal em todos os tempos. André, incrivelmente, estava marcando apenas o seu terceiro gol no campeonato. Para que mais? O segundo tempo foi de alternâncias de ataques. Aos 42 minutos a torcida invadiu o campo. Loucura Total. O juiz esperou o tempo regulamentar e deu por encerrado. Grêmio Campeão. Oberdan comandou a volta olímpica de um jogo que teve muitas histórias subterrâneas como por exemplo a de Vilson Cavalo, reserva que sempre entrava, que ficou atento, ouvindo o vestiário colorado, descobrindo a escalação que era um mistério; a de Cassiá que jogou a maior parte do tempo com o nariz quebrado ou a de Dario, o Peito-de-Aço que fugiu do exame anti-doping no final da partida. A Folha da Manhã, jornal da Caldas Junior escolheu, para variar, Tadeu, o melhor em campo. Reproduzo parte do que está à página 30 (Central):"Mesmo sofrendo forte marcação de Batista durante quase toda a partida, Tadeu Ricci foi o melhor jogador do Grenal de ontem, principalmente pela sua aplicação tática... mostrou muita personalidade e uma experiência muito grande que colaborou para esta vitória..." Zero Hora, também escolheu o camisa 8 tricolor o craque do clássico. A Nação Azul passou meses comemorando; lembro que fui a um show dos Almôndegas que lançava o LP "Alhos com Bugalhos", ali no ginásio do Corinthians e só puderam abrir o espetáculo, depois que resolveram acompanhar a massa que cantava o hino do Lupicínio Rodrigues. Loucura igual, só a de Tóquio. Foi o momento mais marcante da minha adolescência esportiva. Sem dúvidas, bati às portas do Céu.
28 - Lara, Foguinho e o Campeonato Farroupilha - Ano 1935
Todo o gremista já ouviu esta epopéia tricolor; o Campeonato Farroupilha de 1935. Eu ouvi de uma testemunha ocular, meu pai estava entre os milhares de torcedores que em 22 de Setembro lotaram o Fortim da Baixada, reduto do então "time do Moinhos de Vento". Não foi o campeonato gaúcho, mas ganhou mais importância porque reuniu os grandes clubes metropolitanos como o Cruzeiro, São José, Força e Luz, Nacional, Grêmio e Internacional. O Grenal ficou para a rodada final e o Imortal chegou um ponto atrás da equipe vermelha. Aquele campeonato se revestiu de grande interesse, porque foi em meio as comemorações do Centenário da Revolução Farroupilha, o próprio presidente da república, o gaúcho Getúlio Vargas passou a semana na capital. A programação cultural também recebera atenção como a vinda da famosa Jazz Band Academia de Pernambuco, os cinemas com clássicos como G-Men contra o Império do Crime e O Mulherengo, ambos estrelados por James Cagney; desta forma, o Campeonato Farroupilha ficou maior que o "Gauchão" de 35, vencido pelo 9º Regimento de Infantaria de Pelotas, que virou o Farroupilha de hoje, o Fantasma do Fragata. O prélio começou às 16:00 h com arbitragem de Francisco Azevedo. O Grêmio entrou em campo com Lara; Dario e Luiz Luz; Jorge, Mascarenhas e Sardinha II; Laci, Russinho, Artigas, Fogo e Divino. Entraram ainda, Torelly no lugar de Artigas e Chico no gol, substituindo Eurico Lara no intervalo, que morreria dias depois. O Inter com Penha; Natal e Risada; Garnizé, Andrade e Levy; Tijolada, Tupan, Mancuso, Darcy e Honório. O primeiro tempo foi de equilíbrio com destaque para o trio defensor colorado que segurou o ataque tricolor. No final do primeiro tempo, o time vermelho fez uma carga forte com a zaga salvando vários arremates e por fim, Lara (foto acima, à direita) caído praticou a defesa num chute de Honório. Foi sua última grande intervenção no gol gremista. Chico entrou nervoso e cometeu algumas falhas, mas sua equipe não se abateu. Precisando da vitória foi para cima, comandado por Foguinho, dono de um fôlego fantástico; já o Coirmão recuou, contando com o empate. E assim o tempo foi passando; vale lembrar que, à época, uma partida possuia 2 tempos de 40 minutos. Aos 36 minutos, Torely recebe falta de Andrade, Mascarenhas levanta em direção a área colorada, promovendo uma "escrimage", como escreveu o Correio do Povo de 24 de Setembro, à página 14, ou seja, um duelo, a bola sobra na meia lua para Fogo e ele não perdoa, enche o pé e abre o placar. Explosão de alegria na Baixada, os torcedores se abraçam. O Inter, atordoado, dá reinício, porém, o Tricolor retoma a pelota, novo levantamento para a área, Foguinho (foto acima, à esquerda) escora de cabeça para Russinho que tira da jogada o zagueiro Risada e Laci aproveita a deixa e manda a bomba no alto, chute violento, logo abaixo do travessão. 2 a 0. Termina o jogo e a torcida invade o gramado. Um jogo épico, valorizado pela aplicação do adversário e pela lotação recorde de público que gerou uma renda de 26:309$00 (não me perguntem a moeda, réis ou contos???). Foi o jogo da vida de meu pai; sempre que podia, comentava. Todos os anos, o Grêmio comemora o feito com um jantar. Mais que merecido.
Os 102.444 torcedores que estiveram presentes no estádio
Azteca, na Cidade do México, no dia 17 de junho de 1970, assistiram a “Partida
do Século”, que confrontou as seleções da Itália e da Alemanha.
O árbitro mexicano Arturo Yamasaki Maldonado foi o condutor
do jogo da semifinal da Copa do Mundo daquele ano. A Itália venceu a disputa,
tendo sido esta a única partida de todas as Copas do Mundo com cinco gols
marcados durante a prorrogação.
A Itália, empolgada por sua vitória de 4 a 1 sobre o México,
começou a partida no ataque. Roberto Boninsegna, aos oito minutos do primeiro
tempo, tabelou com Gigi Riva, na intermediária, recebeu de volta e, mesmo
acossado por um marcador alemão, acertou um belo chute no canto direito de Sepp
Maier, anotando o placar de 1 x 0 para a “Squadra Azzurra”. Daí para a frente,
os italianos foram recuando progressivamente, enquanto os alemães cresciam.
No segundo tempo, o técnico Helmuth Schön tirou o ponteiro
Hannes Löhr e o lateral Bernd Patzke, colocando os ofensivos Reinhard Libuda e
Siegfried Held.
Aos 25 minutos, Franz Beckenbauer foi derrubado por Pierluigi
Cera na entrada da área e, na queda, deslocou o ombro. Como só eram permitidas
duas substituições, Beckenbauer retornou ao campo com o braço pregado ao corpo
por ataduras e esparadrapos. Viraria herói.
No último esforço possível, Jürgen Grabowski, na esquerda,
cruzou para a pequena área. Karl-Heinz Schnellinger, sem marcação, escorou para
dentro do gol, de carrinho e empatou para a Alemanha. Eram 47 minutos e o jogo
foi para a prorrogação.
Os 30 minutos que os amantes do futebol jamais esqueceram
foram desenhados para a posteridade com tons especiais. Os fortes ataques da
Itália e da Alemanha fizeram nascer gols e mais gols.
No primeiro tempo da prorrogação, aos 5 minutos, Reinhard
Libuda cobrou um escanteio e Jürgen Grabowski tentou de cabeça, porém fraco.
Fabrizio Poletti ficou com a bola e ajeitou com o peito para o goleiro Enrico
Albertosi. Gerd Müller apareceu entre os dois e tocou mansamente para dentro do
gol. Alemanha 2x1!
Aos 8, Gianni Rivera em cobrança de falta ergue para a área.
Siegfried Held atrapalha-se ao tentar afastar a bola e a deixa limpa para
Tarcisio Burgnich fuzilar Sepp Maier. A Itália empatava a partida: 2x2!
Aos 14, Angelo Domenghini avança pela esquerda e lança Riva,
que dribla Willi Schulz na entrada da área e chuta cruzado no canto esquerdo da
goleira. Itália 3x2 e fim do primeiro tempo da prorrogação.
No segundo tempo, quando eram decorridos 5 minutos, Wolfgang
Overath cobrou escanteio curto para Libuda, que ergueu a bola para a área. Uwe
Seeler escorou pelo alto e Müller, na pequena área, desvia de cabeça para
dentro do gol. Estava empatada outra vez a partida: 3x3!.
Aos 6, Giacinto Facchetti lança Roberto Boninsegna na
esquerda. O centroavante da “Azzurra” passa na corrida por Schulz e cruza para
o meio da área. Gianni Rivera, livre, pega de primeira e fuzila Maier. Itália
4x3!
A essa altura da partida faltavam ainda nove minutos a serem
jogados, mas o gol “matou” os alemães, que já esboçavam o cansaço do tempo
extra contra a Inglaterra três dias antes. A Itália estava habilitada a ir à
final.
Essa prorrogação é considerada, até hoje, a mais emocionante
da História do Futebol.
17 de junho de 1970 - Itália 4 x 3 Alemanha
Local: Estádio Azteca, Cidade do México (México)
Público: 102.444
Árbitro: Arturo Yamasaki Maldonado (México)
Gols: Roberto Boninsegna 8’ do 1º tempo; e Karl-Heinz
Schnellinger 47’ do 2º tempo; Gerd Müller 5’; Tarcisio Burgnich 8’; e Luigi
Riva 14’ do 1º tempo da prorrogação; Gerd Müller 5’; e Gianni Rivera 6’ do 2º
tempo da prorrogação.
Itália: Enrico Albertosi, Tarcisio Burgnich, Pierluigi Cera,
Roberto Rosato (Fabrizio Poletti), Giacinto Facchetti, Mario Bertini, Sandro
Mazzola (Gianni Rivera), Giancarlo De Sisti, Angelo Domenghini, Roberto
Boninsegna, Luigi Riva.
Técnico: Ferruccio Valcareggi
Alemanha: Sepp Maier, Berti Vogts, Willi Schulz, Karl-Heinz
Schnellinger, Bernd Patzke (Siegfried Held), Franz Beckenbauer, Wolfgang Overath,
Uwe Seeler, Hannes Löhr (Reinhard Libuda), Gerd Müller, Jürgen Grabowski