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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Opinião




Hora de repensar

Volta e meia, alguns clubes viram "febre"; Barcelona, Chelsea, Bayern; estes, pelos desempenhos no velho continente; agora, de forma mais modesta e num âmbito menor, o San Lorenzo de Francisco I, vem sendo falado, nem tanto por ser o campeão argentino, um pouco por ter derrotado 3 clubes brasileiros em sequência na LA, mas especialmente por ter chegado às semifinais com um time mediano e especialmente, muito barato para os padrões brasileiros.

Ontem, recebemos à noite, uma família de gremistas; gremistas de carteirinha, de ver a inauguração da Arena, sem se preocupar com os "detalhes"; pois o assunto foi o alto custo da folha gremista, algo que não é apenas desta gestão, pelo contrário, Koff & cia. lutam para puxá-la para valores compatíveis com a realidade brasileira. A conclusão, diante do sucesso (parcial) do San Lorenzo, eu acrescentaria no bolo, os outros Defensor, Nacional e Bolívar, é a seguinte: salários estratosféricos não servem mais para os clubes, muito menos garantem títulos e sucesso.

A hora é de repensar o dispêndio com salários, direitos de imagem, etc... O exemplo está em Correa, atacante do San Lorenzo que ganha um valor correspondente a R$ 3.000,00, idêntico ao que é pago para 2 ou 3 jogadores do meu Riograndense, disputante da Divisão de Acesso do RS.

Espero que os torcedores gremistas entendam e especialmente, apoiem a decisão da Direção gremista, se assim ela agir. Com os pés no chão, não haverá necessidade de vender promessas a preço de banana.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Dá para acreditar?

Que seria uma das maiores jogadas da história do clube? Não duvido. Que talvez representasse a redenção gremista? Igualmente não discordo. Que seria a maior vitória de uma carreira coroada por louros? Nenhuma Dúvida. O problema é que depois de tantas decepções fica difícil crer em jogada tão ousada e previsões tão alvissareiras, enfim, compartilho com vocês: http://botecodoilgo.com.br/?p=4175 No mesmo sentido, extraído do face: GrêmioFBPA @gremiofbpa_com 6 min EXCLUSIVO: Grêmio deve anunciar antes da Copa um grupo de investidores que fará a compra da Arena. @rafapfeiffer · 9 min O que era impossível, começa a ficar viável, apesar das dificuldades: Grêmio trabalha para comprar a ARENA da OAS. @rafapfeiffer · 8 min O valor, estipulado em contrato, gira em torno de 400 milhões de reais. Há empresários envolvidos no grupo e um banco francês. @rafapfeiffer · 7 min Entre os empresários envolvidos na negociação, há um bastante conhecido no meio do futebol. No entanto, os nomes ainda não são confirmados. @rafapfeiffer · 7 min Detalhe importante: pagando os 400 milhões, não há necessidade de entregar o Estádio Olímpico. @rafapfeiffer · 5 min O Estádio Olímpico pode entrar no negócio. Pode. Mas não há a necessidade da entrega do estádio para a OAS. @rafapfeiffer · 4 min Pessoas ligadas ao presidente Fábio Koff dizem que ele está otimista com a situação, apesar de saber que é um negócio complexo @rafapfeiffer · 4 min Com os novos parceiros, o Grêmio passaria a ser o único gestor da Arena e os valores a serem pagos ao banco francês seriam fixos. Acabo de ler isso e me lembro do fundo de 100 milhões, enfim, dá pra acreditar?

Opinião



O êxito e os detalhes do San Lorenzo de Almagro

Há muito tempo eu não assistia uma sequência de 5 jogos de outro time que não fosse o Grêmio. Pois aconteceu com o San Lorenzo; vi contra o Botafogo, Grêmio e Cruzeiro, estes últimos, duas vezes cada.

Contra o Botafogo, a classificação veio no final, um final dramático, porque não dependia apenas do resultado de seu jogo. Ali, além do apoio incondicional da torcida, brilhou a estrela de Piatti, um meio de campo que me lembrou Danilo, ex-Goiás, São Paulo, atual Corinthians, tanto físicamente, quanto na forma de jogar; a diferença é que Piatti é destro.

Contra o Tricolor, Piatti não se destacou e apesar de uma partida modesta para um mandante, venceu com um único chute que foi em direção ao gol. O mérito foi saber controlar o sistema ofensivo gremista. Alguém poderá dizer que não era tarefa tão difícil.

Bom, aí vem o jogo da volta e eu reformei minha ideia que dizia tratar-se de um time limitado. Não era nada disso. O Tricolor não soube furar o bloqueio defensivo muito bem montado por Edegardo Bauza, técnico contestado pela torcida. O Grêmio venceu dramaticamente e dramaticamente, também, perdeu nos penaltis, onde apareceu o talento de Torrico, o goleiro.

Nos confrontos com o Cruzeiro, novamente os detalhes apareceram, especialmente na cabeçada de Gentileti que fez o 1 a 0. Erradamente, o Cruzeiro, assim como o Grêmio, festejou o escore mínimo, certo que no Mineirão reverteria a pretensa "escassa vantagem".

Ontem, Piatti voltou a jogar muito bem e a organização tática do San Lorenzo ficou evidente; um vacilo no final do primeiro tempo, quase fatal, de resto, toda a sabida dificuldade de se enfrentar Cruzeiro e Atlético em Minas ficou de fora do contexto da partida. O San Lorenzo sobrou, especialmente na solidez defensiva (nestes 5 jogos que vi, tomou 2 gols), onde o maior destaque está no meio de campo, Mercier, um número 5 moderno, que Sabella deverá convocar.

Não sei se será campeão, mas o San Lorenzo deu uma aula de como jogar a LA, isso sem o craque Romagnolli, que ontem fez mais um fiasco.

O Grêmio pode aprender muito com o clube portenho, desde a confiança incondicional de seus torcedores, sua paciência apesar da gozação dos adversários até a distribuição tática no gramado e a garra demonstrada. Não há super craques, o próprio Piatti vive um bom momento, mas não é nenhum extra-classe. 

Vale a pena investigar as causas que (até o momento) fazem do San Lorenzo, um dos favoritos para ganhar a Libertadores. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Especulações em efervescência

Ao que parece o Grêmio continua o trabalho de garimpar jogadores e – também AO QUE PARECE – tem ciência das limitações do elenco. A bola da vez, ou, mais precisamente, no plural, são “os Matias”. O Rodriguez, pelo que vi, é um lateral direito (enfim, ouviram minhas preces) alto, de boa presença de área e imposição física. Não vi nenhuma jogada de grande habilidade, longe do futebol vistoso de Wendell o que mais me impressionou foi a vocação para o gol, de cabeça, chutando ou aparecendo para finalizar. Quem sabe uma solução que tanto tardou? O Fernandez, mais li do que vi. Pelo que consta é sonho antigo da direção, especulado na era Wanderley e não liberado pelo Sporting. Rodou por Villarreal, Sporting e Fiorentina, onde se lesionou seriamente m 2012. Seria, em tese, a solução definitiva para a armação do Grêmio, o que explicaria, v. g., o empréstimo do Maxi e revelaria uma postura de não confiar somente a apostas parte tão sensível do time tricolor. Alguém sabe algo dos atletas ou se arrisca a opinar sobre as contratações?

terça-feira, 13 de maio de 2014

Opinião



Kléber retorna; perigo à vista

Escolhi este título, porque ele resulta em mais de uma interpretação.

Gostaria muito que esse "perigo à vista" fosse consequência da preocupação dos adversários em seus enfrentamentos com o Tricolor. Que vissem no Gladiador, aquele atacante forte, difícil de marcar, irresignado diante das pancadas, aquele do São Paulo ou do Cruzeiro, que fez a alegria dos treinadores que o tiveram no time, um atacante que em 60 jogos pelo Verdão, fez 38 gols. Mas isso foi há uma década.

Hoje o atleta que o Grêmio tem, é uma pálida imagem daquele tempo, um jogador marcado por sucessivas lesões e de demorados períodos para entrar no ritmo exigido pelos padrões atuais do futebol. 

Kléber, atualmente é mais notícia pelo que faz fora das quatro linhas, enfim, um perigo para o grupo. 

Realmente, não sei qual o Kléber que está retornando a rotina dos treinos, a volta ao elenco. 

Com 30 anos e salário de extra-classe, o Gladiador é uma das maiores decepções dos últimos anos de nosso clube. Uma herança pesada da gestão anterior, que Koff tem que administrar.

Ainda dá tempo para o Gladiador se justificar, enquanto "grande contratação", resta saber se o seu futebol não se cansou dele e o deixou precocemente.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Opinião



A "evolução" de Barcos pelos entendidos da mídia

Ano passado, por conta de uma rixa de um reputado jornalista gaúcho  com um mestre da comunicação em geral, Barcos e Dida se viram vítimas do primeiro. Algo semelhante ocorreu com Victor em 2012, quando o veterano jornalista resolveu elogiar o atual selecionado para a vaga de goleiro do Brasil; para que? O reputado jornalista, o mais novo, direcionou sua ira, atingindo Victor e como no Medievo, liderou o expurgo do arqueiro gremista. Chegou a antecipar falhas dele em Grenais, ainda se utilizou da rivalidade gaúcha, escrevendo que Muriel era o melhor goleiro do Brasil e que Grohe não poderia ser reserva. O resultado, todos sabemos. O dia que o veterano mestre elogiar o Grohe, o reputado jornalista, o mais novo, vai pedir Busatto no gol; pois Grohe não será mais o mesmo (se ganhar a aprovação do velho mestre).

Dida, também eleito pelo mestre, recebeu críticas desproporcionais ao que se via em campo. Hoje, o baiano está do outro lado do Rio Grande e misteriosamente as críticas deste reputado jornalista, o mais novo, desapareceram. "Dida melhorou" e botou o melhor goleiro do Brasil no banco. 

Chegamos em Barcos, o reputado jornalista, o mais novo, para atingir o mestre veterano, centra fogo no Pirata, chegou a compará-lo a Sandro Sotilli, como se o atacante do interior tivesse alguma vez, vestido a camisa de uma seleção nacional.

Essa ação conquistou devotos; há menos de duas semanas, acidentalmente, ouvi num desses programas de bate-boca dominicais, que Luxemburgo queria Barcos como Evair jogava no Palmeiras; um neófito chegou à frase: "Coitado do Evair". Seguia o processo de achincalhe do nosso camisa 9.

Ontem, assisti pela televisão em canal aberto, a partida do Imortal contra a Chapecoense, as citações ao desempenho de Barcos, sempre eram dadas com parcimônia, isto é, muito econômicas, quando não depreciavam as ações dele em campo; chegaram, narrador e comentarista, a uma incrível comparação no lance em que o Pirata arrancou à frente do zagueiro, mas perdeu na velocidade, teve que improvisar um drible para a direita para não perder a jogada, chutou para a defesa do goleiro. O diálogo travado resultou na seguinte pérola: Se fosse o Cristiano Ronaldo fatalmente, faria o gol.

Sem dúvidas, Barcos evoluiu bastante: Sandro Sotilli para Evair até chegar a Cristiano Ronaldo.

E os caras ainda recebem para destilar os seus venenos. Que profissionais!!!

 Barcos tem suas limitações, porém, o que parte da mídia está tentando (não vai conseguir) fazer com ele é um linchamento que escancara a desqualificação de certos jornalistas. Que pena. 

domingo, 11 de maio de 2014

Opinião



Grêmio vence e se aproxima dos líderes

Para começo de conversa, grande vitória contra um adversário muito forte em casa; aqui uma observação, um dos "rebaixáveis", porém, fez um jogo pegado e nisso foi ajudado pela característica da arbitragem que deixou a bola correr.

Era fundamental ganhar de qualquer jeito, mas o Tricolor hoje convenceu. Foi muito brigador, peleador e em vários momentos mostrou técnica que foi o grande diferencial na partida; teve mais "bola" que o time catarinense. Impô-se. Falta confirmar que essa performance pode ser repetida e principalmente, melhorada.

O primeiro tempo terminou 1 a 0 com gol de Barcos que aparou passe de cabeça e virou rápido de pé direito, dessa vez a bola não explodiu em nenhum defensor, aliás, passou entre um zagueiro e o goleiro.  Vale destacar as duas defesas importantes de Marcelo Grohe e a atuação de Riveros que fez a leitura perfeita do tipo de arbitragem, os demais estranharam.

Enderson ao 13 minutos tirou Alan Ruiz e Rodriguinho que fizeram boa partida, mas parece que cansaram, Luan e Ramiro ingressaram e aí o Imortal tomou conta; sustos apenas no final, uma ótima defesa de Grohe e o gol de Tiago Luiz.

O ataque funcionou com Barcos, Luan e Dudu numa troca de passes; o Pirata recebeu, com um corte tirou zagueiro e goleiro no mesmo lance e de pé esquerdo encostou para a rede. Agora são 17 gols em 4 meses de atividades em 2014. 
*Corrigi agora, 13 gols Gauchão, 2 Libertadores e 2 Brasileiro.

Individualmente, brilharam Barcos que vinha jogando bem, faltavam os gols e Marcelo Grohe que foi muito bem, apesar da forma como levou o gol. O miolo da zaga funcionou bem na bola rasteira; por cima, a coisa andou feia. Rodriguinho fez uma grande partida, merece sequência. Os demais, bastante empenho e um futebol aceitável. Não gostei de Pará e Wendell, este último, errou feio no tento da Chapecoense, apesar da grande dedicação da dupla.

Luan em poucos momentos, demonstrou que pode e deve ser titular, que essa situação de reserva é absolutamente transitória.

Se o Grêmio readquirir confiança e mais alguns reforços, poucos, é verdade + as vitórias em casa, poderá brigar pela parte mais nobre da tabela. É este o caminho, resta saber se terá bala na agulha até Dezembro.

Opinião



A urgência da vitória

Desta vez, não interessa quem Enderson mandará a campo; será sem Luan, Rhodolfo e o mais novo dos titulares, Pedro Geromel; a necessidade imperiosa da vitória terá que ser apenas um detalhe a ser vencido. Há outros obstáculos: a descrença da torcida, ausência de um futebol que até entusiasmou em momentos como o primeiro tempo do Grenal da Arena (mas que ficou para trás) ou a tabela madrasta que aponta 3/4 dos jogos como visitante; tudo isso não será contabilizado pela crítica e torcida se o time não superar um adversário que se mostra despreparado para encarar a Série A.

Sempre repito que o importante é ser líder na trigésima oitava rodada, por mim, pode ficar as outras 37 sem aparecer aos olhos da mídia, porém um fato é inquestionável; isto é, neste momento de fragilidade do time, da falta de confiança, ficar distanciado do topo da tabela pode significar perder o rumo e aí, o que é difícil, vira impossível.

Considero este confronto como o início da passagem por uma ponte, um pinguela sinuosa sobre um abismo que se houver insucesso, o clube só se reerguerá com uma mudança no comando técnico. A vitória somente dá sobrevida ao técnico.

Para Enderson é um teste para se liberar dos aparelhos que lhe dão oxigênio, mas que não lhe garante muita coisa.

Pequenas Histórias


Pequenas Histórias (65) - Ano 1978


Era uma vez no Oeste Catarinense


1978 foi um ano atípico para mim e para o Brasil, especialmente no que diz respeito ao futebol. 

Para mim, porque era a primeira vez que entrava num Brasileirão como campeão gaúcho, também por representar um rito de passagem; saía de um colégio com toda uma infância e adolescência construída e ingressava na universidade, um choque, pois encontrava um mundo diferente logo nos primeiros dias.

Para o Brasil, pois começava lentamente a abertura política. No futebol, o Brasil cairia invicto na Copa do Mundo de 78, ficando em 3º lugar. Havia algo estranho naquela Copa. Estranho também, ver o Brasileiro de 77 sendo decidido em Janeiro daquele ano e o de 78 começando em seguida, Março, indo até Agosto e tendo como campeão um time do interior, o Guarani de Campinas.

Pois nesse campeonato de 74 clubes que teve o clube campineiro campeão, o Tricolor, incrivelmente perdeu apenas 2 jogos em mais de 30 partidas e se alguém pensou que foram jogos decisivos, errou. Foram derrotas sem grande repercussão, uma para o Londrina por 1 a 0 na primeira fase e outra para o Ceará por 3 a 0. Coisas do formulismo que às vezes ajuda, mas que na maioria delas, atrapalha.

Nesse complicado campeonato, no dia 19 de Abril, o Tricolor que três dias antes empatara com o Joinville, foi ao Índio Condá, encarar a Chapecoense; nem parecia visitante, tamanho era o número de gremistas. Gremistas estes que vinham de todas as regiões próximas a Chapecó.

No time, o Tricolor ainda contava com Oberdan e Tadeu Ricci que no final de 77 haviam anunciado suas aposentadorias. O Grêmio até providenciara substitutos para eles: o bageense Vicente veio do Santos e Renato Sá do Avaí.

Quase 10 mil pessoas assistiram a goleada de 3 a 0 com gols de Éder (foto), duas vezes, aos 5, cobrando pênalti e aos 40 minutos. Valderez, um centro-médio que passou por todas as Seleções de base do Brasil fez o seu aos 20, driblando vários defensores verdes; tentos esses, todos na etapa final. 

O Imortal de Telê Santana foi a campo com Walter Corbo; Eurico, Oberdan (Cassiá), Vicente e Ladinho (substituído pelo centro-avante Everaldo); Valderez, Tadeu, Jorge Leandro e Renato Sá; André e Éder. 
A Chapecoense teve Bessa (Ivo); Cosme, Gilberto, Décio e Caíca; Janga, Carioca e Evans (Zé Carlos); Isaías, Eluzardo e Wilsinho.

O juiz foi Oscar Scolfaro, ele mesmo que passados 4 anos, em 82, erraria decisivamente na "negra" Grêmio x Flamengo, a final do Brasileiro. A renda atingiu Cr$ 402.670,00.

Na rodada seguinte, 23, domingo, o Grêmio conquistaria uma das maiores vitórias em Grenal (Pequenas Histórias 12), uma virada de 3 a 2 no Beira-Rio, quando perdia até o cronômetro acusar 40 do segundo tempo.

Hoje, 11 de Maio, o Tricolor encara a Chapecoense no remodelado Índio Condá, necessitando de uma grande vitória, pois os ventos não andam soprando a favor do clube liderado por Fábio Koff, quem sabe não será a retomada da tranquilidade e do caminho das vitórias? É ver para crer.

sábado, 10 de maio de 2014

Pequenas Histórias

Seguem mais três crônicas, que publiquei em outro blog há mais de um ano.

17 - Quando éramos Reis -1995
 
Esta postagem de hoje é pule de 10. Cada vez que o Imortal enfrenta o Palmeiras, quem viveu o bi da Libertadores, lembra deste confronto.
 Era 1995, julho, numa noite gelada, o Grêmio pegava o Palmeiras pela terceira vez naquela edição do torneio. Antes, 3 a 2 para o antigo Palestra  e   um    0 a 0 no Olímpico. Jogo de rigoroso equilíbrio por diversos fatores: qualidade dos jogadores, entrosamento dos times, indiferença de ambos pelo fator local, dois grandes treinadores; Luiz Felipe e Carlos Alberto Silva. Havia no ar que aqueles  esquadrões eram os mais fortes candidatos ao título. 
Os dois jogos em uma semana, praticamente seriam a antecipação das finais da Libertadores da América. Ninguém, nem mesmo o mais maluco torcedor, imaginaria o escore de ambos os confrontos. Este que nos interessa, levava a campo pelo Grêmio: Darnley; Arce. Rivarola, Adilson e Roger;Dinho, Luis Carlos Goiano, Arilson e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Jardel. Participariam ainda, Scheidt, Nildo e Alexandre. A Academia do Parque Antárctica com Sérgio; Cafu, Antônio Carlos, Cléber e Roberto Carlos; Amaral, Mancuso, Flávio Conceição e Rivaldo; Muller e Válber. Entrariam também, Alex Alves e Daniel Frasson. O juiz, Cláudio Cerdeira. 
Vamos ao jogo! Aos 17 minutos do primeiro tempo, Rivaldo acerta violentamente Rivarola e é expulso. Isso não acalmou o jogo, pelo contrário, aos 27 minutos Dinho e Válber se estranharam e trocaram empurrões. Foram expulsos também. Dinho que não levava desaforo para casa, esperou pelo atacante periquito atrás da goleira que fica à direita das sociais e começaram novamente o "pega"; outros jogadores se envolveram e a partida ficou paralisada por 15 minutos. 
À primeira vista, a interrupção favoreceria ao time bandeirante, pois estava com um jogador a menos e levava um sufoco; seu arqueiro era o melhor em campo. O jogo se encaminhava para o final da primeira etapa e o Grêmio não traduzia em gols a sua supremacia inconteste. Isso até a chegada do quadragésimo segundo minuto, quando Arce aparou um rebote próximo da meia-lua e fuzilou o goleiro palmeirense. Golaço! Loucura no estádio. Quando não se esperava mais nada daquele escasso tempo acrescido, Arilson arriscou de longe, a bola desviou no calcanhar do argentino Mancuso, subiu, subiu e encobriu Sérgio. 2 a 0. Melhor Impossível! 
Vem o segundo tempo e a escassez de gols de Jardel teve fim logo aos 4 minutos do segundo tempo. O camisa 16 se antecipou à zaga e aproveitou o cruzamento da esquerda, com um toque preciso, encaminhou a pelota que percorreu uma trajétória em diagonal e entrou no canto esquerdo da meta. 
Passados 17 minutos, ou seja, aos 21 e novamente num cruzamento da esquerda, Jardel saltou tanto que parecia passar do travessão e de sua cabeça partiu um míssil inacreditável; 4 a 0. Incrível! Ninguém mais conseguia conter a euforia, afinal era o Palmeiras, bi-campeão brasileiro 93-94, da multinacional Parmalat; não era pouca coisa. 
A tampa do caixão foi fechada aos 38 minutos, novamente Jardel, novamente de cabeça; aliás, desta vez, o nosso centro-avante precisou desferir duas cabeçadas para vencer o goleiro. Jardel (o primeiro agachado) se transformaria no artilheiro da Libertadores do ano da graça de 1995. 
Neste domingo, quando enfrentaremos o Palmeiras numa partida que dará início a um total de três, mais do que nunca, lembramos deste 5 a 0, até porque do lado de lá estará Luiz Felipe Scolari.

18 - A Segunda Revolução Farroupilha - 1972
Corria o ano de 1972, o Brasil estava na euforia do tri-campeonato conquistado no México dois anos antes, ao mesmo tempo que passava pela fase mais feroz do golpe militar perpetrado em março de 1964. Era a fase do "Prá Frente Brasil" ou do "Ame-o ou Deixe-o".

 No plano esportivo, um fato histórico marcou para sempre o ano anterior, 1971; Pelé, o rei do futebol, abandonava o escrete canarinho, fazendo dois jogos de despedida, o primeiro em São Paulo contra a Áustria, 1 a 1, com gol dele e o último no Rio contra a Yugoslávia num 2 a 2; detalhe: em ambas as partidas, o lateral esquerdo foi Everaldo, do nosso Imortal.

 72 registrou o sesquicentenário da independência política do Brasil; para comemorar a data, realizou-se no país uma mini-copa que agitou todos os cantos brasileiros. Um rincão seria "agitado" mais do que os demais; o nosso Rio Grande.

 Zagallo seguia como técnico da seleção, acumulando este cargo com o de treinador do C.R Flamengo. Ao convocar o grupo de atletas para a tal mini-copa, surpreendeu a todos, pois dos titulares ativos campeões no México, apenas um não foi lembrado: Everaldo Marques da Silva. Para o seu lugar, Rodrigues Neto do Flamengo.

 Com o tempo, C.Alberto, Clodoaldo, Gérson e Félix se lesionaram, sendo assim, cortados, mas na primeira lista, seus nomes lá constavam.

 A não convocação de Everaldo caiu como uma bomba no solo gaúcho; gremistas, colorados e demais torcedores não aceitaram a ausência do craque e entenderam como sendo uma provocação do treinador, um revide; pois não fora certamente por causas técnicas; uma versão (muito razoável) seria a de que Zagallo tivera que engolir a sugestão de Piazza, Gerson & cia de colocar o gaúcho no lugar do seu protegido Marco Antônio em 1970, convém lembrar que o único jogador com numeração reserva (16) era justamente Everaldo, escalado à fórceps, em sua concepção.

 A mágoa pegara o treinador de jeito. Agora era a hora do troco. Pairava no ar cheiro de revanche. Rubens Hoffmeister, ladino presidente da Federação Gaúcha, numa sacada magistral, propôs um jogo no Sul como forma de preparação do escrete canarinho para o torneio do Sesquicentenário.

 Sugestão aceita, convocou-se a seleção gaúcha que ficou sob a batuta do jornalista, treinador, grande frasista e gozador, Aparício Vianna e Silva, uma raposa do futebol. Antes, os gaúchos fizeram um jogo  contra a Seleção do Uruguai onde chegaram a estar vencendo por 3 a 0 com show do argentino Oberti que marcara 2 gols, Valdomiro, o terceiro e a partida acabou 3 a 2. O cenário estava pronto. Em 17 de junho, naquela noite, o Beira-Rio recebeu mais de 106.000 pessoas. Não! você não leu errado, mais de cento e seis mil pessoas!!!! Todos em clima de guerra, exceto os jogadores.

 Com arbitragem estrangeira do francês Robert Helliés, o velho "Apa" mandou a campo: Schneider, Espinosa, Figueroa, Anchetta e Everaldo; Carbone, Tovar e Torino, Valdomiro, Claudiomiro e Oberti, mais tarde, substituído por Mazinho. Zagallo contou com Leão, depois Sérgio, Zé Maria, Brito, Vantuir e Marco Antônio; Piazza, Clodoaldo e Rivellino, Jairzinho, Leivinha e Paulo César Lima, o Caju. Logo aos 2 minutos, Tovar acertou as redes de Leão, Jairzinho empatou aos 8 e o primeiro tempo terminou assim, 1 a 1.

 Apesar do sufoco que sofreu, a seleção brasileira resistiu bem. O tempo final repetiu a primeira fase, Carbone fez o segundo, logo aos 10 minutos e Paulo Cesar empatou pouco depois; ficava a impressão de um futebol "sanfona" praticado pelos jogadores sulistas, ou seja, mostravam que podiam ganhar e também que não "deviam" ganhar, sentimento não compartilhado pela massa de torcedores.

 Havia um motivo especial para o time gaúcho tirar o pé do acelerador; Aparício era "olheiro" da CBD, atual CBF, também porque sempre permanecia a esperança, tênue, é verdade, que algum gaúcho fosse convocado ao "apagar das luzes". Com o jogo se aproximando do final, aos 38 minutos, Claudiomiro, o tanque colorado marcou o terceiro. 

Como se fosse previamente ensaiado, dois minutos depois, Rivellino deu números definitivos ao placar; 3 a 3. Zagallo, profundamente irritado, tentou minimizar o sufoco, dizendo que empatara com um combinado sul-americano, pois do outro lado estavam um chileno (Figueroa), um uruguaio (Anchetta) e um argentino (Alfredo Oberti).

 Raras vezes vimos gremistas e colorados torcendo juntos por um mesmo time; para mim, esta foi a mais relevante. O Imortal contribuiu nesse jogo memorável com os seguintes atletas que aparecem na foto acima:Espinosa (1º em pé), Everaldo (3º em pé), Anchetta (8ºem pé), Mazinho, Torino e Oberti, respectivamente, 2º, 3º e 4º agachados.

 Everaldo nunca se recuperou do golpe, da rasteira que recebeu. No mesmo ano, num jogo entre Grêmio e Cruzeiro de Minas, agrediu o árbitro que marcara erradamente um penalti de Beto Bacamarte sobre Palhinha. Deixando-o nocauteado, o craque saiu caminhando de campo, aplaudido pela galera. O tranquilo Everaldo agira como o irascível Heleno de Freitas. 

Tenho comigo que a sua não convocação contribuiu  muito para a sua morte; o acidente de carro foi só o cair do pano.

Todavia, Everaldo já havia virado uma Estrela Imortal na bandeira tricolor e no coração dos torcedores. Junho de 1972, Junho de 2012, 40 anos vivos na memória dos gaúchos.

19 -  O Troco - Prenúncio de Final de Ciclo - 1976
Andei encucado com a ansiedade que vem tomando conta de boa parte da massa azul, principalmente os mais jovens com o atual estágio do Grêmio; isso me fez retornar à minha infância e adolescência. Sabem o que é ficar sem comemorar títulos dos 10 aos 18 anos? Aconteceu com minha geração; é ruim? Agora imaginem o principal adversário ganhando 8 campeonatos seguidos e sendo bi-campeão nacional neste período. É brabo! Pior, talvez, só os 12 campeonatos gaúchos em 13 anos. 
O Coirmão assistiu o penta e o hepta nosso entre 1956 e 1968, conquistando apenas 1, em 1961. E não ganhar Grenal? É cruel! Pois entre agosto de 71 e julho de 76 foram 3 vitórias apenas. Tanto que elas ficaram conhecidas  como "aquela do ...", assim mesmo, aquela vitória dos gols de cabeça do pequenino Caio, aquela dos 3 gols do Zequinha e esta que vou contar a seguir; o Grenal do Troco em julho de 76.
Naquele ano, o presidente Hélio Dourado montou um esquadrão, uma máquina de jogar, 9 jogadores que vestiram camisas de Seleções Nacionais (argentina, brasileira e uruguaia) para enfrentar o melhor Inter de todos os tempos. O primeiro turno estava chegando ao seu final e havia a expectativa se o Imortal iria confirmar a sua força diante do único verdadeiro obstáculo; o Grenal no Beira-Rio, dia 25 de Julho. 
Chegou o domingo esperado e .... Frustração total, 2 a 0, gols de Paulo Cesar Carpegianni e Figueroa, o camisa 10 e o zagueiro capitão. Isso provocou um jogo extra para decidir o 1º turno. Seria no Olímpico, 3 dias depois, à noite, quarta-feira. 
As desconfianças aumentaram ainda mais porque o goleador do campeonato, Alcino, 1,98 m de muita maldade (terceiro agachado) fora expulso e ficaria de fora. O treinador Paulo Lumumba ( um dos heróis gremistas na fase áurea dos anos 60), discípulo de Mahatma Gandhi, escolhe o mineiro Tarciso que estava no clube desde o início da década para vestir a jaqueta 9. No mais, a mesma equipe (na foto acima): Cejas, Eurico, Anchetta, Beto Fuscão (Tadeu) e Bolivar; Jerônimo, Neca e Alexandre Bueno, o Tubarão; Zequinha, Tarciso e Ortiz.
 O Inter completo: Manga; Cláudio, Figueroa, Marinho e Vacaria; Caçapava, Falcão ( Escurinho) e Paulo Cesar Carpegianni, Valdomiro, Dario e Lula. Rubens Minelli, o técnico. No apito, Agomar Martins. 
O Tricolor foi perfeito, aplicou o famoso "rodião". Tarciso em seu décimo-terceiro Grenal, jogou como nunca antes fizera, dividiu com Anchetta a condição de craque da partida. Ortiz deslocou-se por todo o campo, deixando o lateral Cláudio "perdidinho da silva" e Figueroa afundou diante do veloz Flecha Negra. 
Com um gol em cada tempo, o Tricolor deu o troco; 2 a 0 zero; gols de Alexandre Tubarão, o camisa 10, quebrando a invencibilidade de Manga de 903 minutos  e de Anchetta, zagueiro e capitão do time. Ganhamos este turno, mas perdemos o campeonato numa sequência irritante de "más jornadas" dos árbitros, mas aquela vitória foi, sem dúvida, prenúncio que o ciclo vitorioso vermelho estava se aproximando do esgotamento. 
Ano seguinte, pude comemorar meu primeiro título, depois de um "longo e tenebroso inverno" de oito anos. Desconfio que o atual ciclo vermelho deu indícios contra o Mazembe que está chegando ao fim. Falta o Grêmio fazer a sua parte.