Pequenas Histórias (101) - Ano - 1969
Os Cunhados do Rei
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| Gol de Davi - Foto: Correio do Povo |
O próximo compromisso do Imortal pelo Brasileiro é contra o Peixe na Arena; aí, eu lembrei que sempre tive forte na memória, vitórias comuns na pontuação, mas de grande significado para mim e principalmente, para a estima do nosso clube.
São várias: o triunfo no primeiro campeonato brasileiro em 71, lembro da manchete: "No maior do mundo, contra o melhor do mundo, deu Grêmio 1 x 0"; traduzindo: No maior certame do mundo, contra Pelé, o Tricolor ganhou pelo escore mínimo, gol de Torino, Estádio Olímpico. Tem até então, inédita conquista em São Paulo, 1 x 0 no Pacaembu, gol de Oberti e Picasso pegando pênalti do capitão do tri, Carlos Alberto, que rendeu a "Pequenas Histórias" nº 4. Há, ainda, a vitória na Vila Belmiro, 1 x 0, gol de falta de Itaqui, quebrando o tabu.
Destas, a lembrança mais remota é a de 1969, 2 x 1 no Olímpico. Passados os anos, descobri que aquela fora a primeira em 10 anos de disputas de Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Uma década na fila, pudera, o Santos era uma máquina, ganhou seis títulos nacionais e dois vices, além de duas Libertadores e dois mundiais, apenas nos anos 60.
Pois, é desta vitória que vou tratar agora. O Santos era a base da Seleção Brasileira que disputava as eliminatórias para a Copa de 70; possuía nove atletas convocados, além do zagueiro Ramos Delgado, que era argentino.
No final de Setembro de 69, o clube paulista chegava exausto a Porto Alegre, vindo da Europa, onde fez uma excursão exitosa, diria rotineira; disso, resultaram as ausências de quatro jogadores titularíssimos: Carlos Alberto, Clodoaldo, Toninho e Edu. Mas tinha Pelé em grande forma em busca do milésimo gol, que faria dois meses depois, em Novembro. Estava com 989 na carreira.
Para o confronto, o Santos treinado por Antoninho mandou a campo o lendário goleiro Gilmar mais Lima, Ramos Delgado, Joel e Rildo; Djalma Dias e Nenê, Manuel Maria, Douglas, Pelé e Abel. Entraria ainda Léo no meio de campo. Este time era tão entrosado, que havia 3 parentes nele: Lima e Abel (pai do jornalista Abel Neto) eram casados com duas irmãs de Pelé, portanto, cunhados do Rei.
O técnico Sérgio Moacir Torres Nunes escalou o Tricolor com: Arlindo; Espinosa, Ari Hercílio, Áureo e Everaldo; Jadir e Sérgio Lopes; Davi, Júlio Amaral, Alcindo e Wolmir. João Severiano, o Joãozinho, substituiu Sérgio Lopes.
O primeiro tempo foi morno, porque o Grêmio respeitou demais a equipe paulista; esta por sua vez, se resguardava, visivelmente sofrendo o cansaço da jornada internacional.
Quando o jogo se encaminhava para o final da primeira fase, Douglas lançou Pelé. Ele no seu tradicional "rush", avançou horizontalmente, vencendo a defensiva e completou para as redes. Gol número 990 da carreira. Assim ficou o primeiro tempo. 1 a 0.
O treinador gremista fez uma troca, que se mostrou decisiva: Sérgio Lopes, o camisa 10, deu lugar ao craque Joãozinho. Ele se tornou a principal figura da partida ao ponto do goleiro Gilmar declarar no final da partida, não entender como João Severiano começara no banco de reservas. Coisas do Futebol.
Aos 15 minutos, Joãozinho tabelou com Alcindo, o Bugre entregou para Davi ajeitar e mandar no canto esquerdo do arqueiro santista. 1 x 1.
Três minutos passados e Espinosa estava cruzando para Júlio Amaral bater de primeira entre Joel e Ramos Delgado. 2 a 1.
O Tricolor poderia ter ampliado; Alcindo cobrou pênalti, Gilmar defendeu, o rebote voltou para o camisa 9, que fuzilou para fora. Tiro de Meta. Gilmar, já era o melhor jogador da clássico.
A partida teve várias particularidades: o clube santista chegou 12 horas apenas, antes da disputa, o Grêmio quebrou o tabu de nunca ter vencido o Santos em partidas oficiais, Davi e Júlio Amaral fizeram a única partida boa em suas curtas passagens no Tricolor. Como consolo, este último, que era um eterno reserva de Ademir da Guia no Palmeiras, conheceu a Miss Grêmio daquele ano, casaram e foram pais do atacante Leandro Amaral, que passaria pelo Grêmio na virada do século.
Mas a maior das curiosidades é que, além de Lima e Abel serem cunhados do Rei, Davi, o autor do primeiro gol gremista, também era casado com uma das irmãs de Pelé.
Um raro encontro de quatro cunhados.
Um último dado: Aquele campeonato nacional foi ganho pelo Palmeiras, que teve o mesmo número de pontos do Cruzeiro, mesmo número de vitórias, venceu no saldo de gols por um de diferença. É isso mesmo! Campeão nacional no saldo de gols.
Fonte: Correio do Povo e Arquivo Pessoal do amigo Alvirubro