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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Opinião



Para Desenterrar o Sapo

Claro que é uma brincadeira, mas do jeito que o Grêmio empilha meias, os supersticiosos estão liberados para pensar que há  esta espécie de anfíbio enterrado no Olímpico e Humaitá, arruinando as pretensões e pretendentes do meio de campo Tricolor.

Atualmente temos Jean Deretti, Máxi Rodriguez, Alan Ruiz, Rodriguinho para assumirem a armação do time e especialmente, fazer companhia aos atacantes. Ninguém se firma. Entra treinador, sai treinador e alguns estão sempre precisando de sequência, massa muscular, adaptação ao país, ao esquema, ao trânsito de Porto Alegre, etc... Claro que há casos que exigem isso, mas ninguém se firma? Aí, eu olho para o Alex Telles ou Wendell e vejo que com eles foi um "abraço"; chegaram, se fardaram e tudo aconteceu muito rápido na vida deles e do Grêmio.

Com a contratação de Giuliano, torço para que o Imortal realmente, tenha solucionado a questão da armação do time.

Mais adiante, tratarei das outras caras novas da Arena. 

domingo, 15 de junho de 2014

Pequenas Histórias



Seguem as postagens das Pequenas Histórias:


29 - La Plata: No Inferno, abraçando o Demo - Ano 1983
8 de Julho de 1983, Sexta-feira à noite;o dia que o Imortal visitou o Inferno, flertou com Lúcifer e saiu com a vaga na final da Libertadores no bolso do paletó. Bastava que o Estudiantes não ganhasse fora o seu jogo contra o América de Cáli. Ficou no 0 a 0. 

Aqueles dias próximos de 14 de julho, minha segunda formatura, eram de muita festa; ocorreram várias, praticamente todos os dias e naquela sexta, houve um churrasco com muita cerveja na casa do Colusso, meu colega formando, no bairro Duque de Caxias. 

O tricolor jogava em La Plata, jogo de alto risco e uma televisão foi instalada no enorme pátio. Confesso que não olhei o jogo direito. Os detalhes do 3 a 3 fui me dar conta no dia seguinte. E a aí meus amigos, a decepção do "emocional" de ter deixado o time argentino empatar, deu lugar a uma consciente aprovação pelo "racional" de ter deixado o time argentino empatar. Questão de Vida ou Morte. Duvidam? Vejam o vídeo aí abaixo. 

A Libertadores de hoje é sarau vespertino, muito comportado dos anos 70; a Libertadores de antes era a Faixa de Gaza ou saída de um bailão. Além do extra-campo, o Estudiantes era bicampeão argentino e tinha simplesmente o zagueiro Brown (ausente nesse jogo porque fora vendido para a Europa), autor do primeiro gol da decisão da Copa do Mundo, 1986, no México, Trobbiani, Gurrieri, Ponce, Russo e o maestro Alejandro Javier Sabella, atual técnico da Seleção, que jogou no Grêmio dois anos após, 1985. Antes da partida começar, Luis La Rosa, árbitro uruguaio, deu um cartão amarelo para Camino que tentou lhe intimidar. O goleiro Mazaropi levou um soco de um fotógrafo portenho, dentro de campo e por aí afora.

 O Grêmio resistiu até quase o final do primeiro tempo, quando, incrivelmente, ao sofrer uma falta próximo da área gremista, a equipe de La Plata, mais uma vez, foi para cima do árbitro que acabou expulsando 2 atletas,Trobbiani e Ponce, agressão ao adversário e "peitaço" no árbitro, respectivamente. 

Depois de mais de 5 minutos de interrupção, Sabella bateu a falta, a zaga falhou e a pelota sobrou para Gurrieri empurrar para a meta tricolor. Já nos acréscimos, Osvaldo recebeu livre, dentro da área e empatou.

 Fim do primeiro tempo, o Grêmio alcançando seu objetivo e o churrasco quase no ponto. Caio "Gaguinho", nosso centro-avante nordestino, ficou dando entrevistas, se atrasou e quando tentou ir para o vestiário, levou uma surra tão grande dos adversários, que o impediu de voltar para a etapa final. Azar dele e dos argentinos, porque o predestinado César o substituiu. Aos 7 minutos, Renato dribla o lateral, chega a linha de fundo e deixa César livre na pequena área. Gol. Aos 18, o grande lance da partida; Renato, que participara dos dois primeiros tentos, entra entortando os zagueiros e de pé direito, mete no canto direito do arco de Bertero. 3 a 1. Um Golaço. 

As cenas de selvageria se multiplicaram e o bandeirinha, o uruguaio Fifa, Ramon Barreto leva uma pedrada na cabeça, levando-o a baquear e dobrar as pernas. Os torcedores, pela proximidade da cerca (isso mesmo! Cerca), quase podiam tocar nos atletas e juízes. Entre 24 e 30 minutos, o Estudiantes perdeu mais dois atletas, Camino e Tevez; a partida virou filme de terror. Em nova jogada de Renato, o Imortal chega ao quarto gol, César, mas o banderinha Ramon Barreto marcou impedimento; aquela hora, ninguém ousou reclamar o erro de arbitragem. 

O Estudiantes chegou ao empate com gols marcados aos 31, Gurrieri e Gugnali aos 42 minutos (apesar do narrador inicialmente dizer que foi Russo).


 O Grêmio jogou com Mazaropi;Paulo Roberto, Leandro,De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio (César) e Tarciso(Tonho). Treze guerreiros. Espinosa era o técnico. O empate heróico para o time argentino, arrefeceu os ânimos que vinham incendiados até antes da peleja, pelos acontecimentos políticos que envolveram a Guerra das Malvinas no ano anterior. 

Como sabemos, o Brasil autorizou aviões ingleses a abastecerem-se de combustíveis na base aérea de Canoas. Foi mais um componente explosivo, utilizado pelos hermanos neste confronto esportivo. Há partidas que são o batismo de fogo, a maioridade futebolística; assim como o Flamengo contra o Cobreloa na desértica Calama, 1981 ou antes, o Cruzeiro nos três jogos contra o River Plate, 1976; esta Batalha de La Plata, tornou-se um divisor de águas para o Grêmio. Um rito de passagem. Surgia assim, um novo Grêmio.


30 - A Primeira Vez A Gente Não Esquece - Ano 1966

Corria o ano de 1966, eu estava na primeira série do então chamado Primário; o Brasil seguia dentro de uma ditadura, Castelo Branco sonhava com a volta da democracia, mas era minoria entre os seus pares; um deles, Costa e Silva, candidato a Presidência iria sofrer em Julho um atentado a bomba em Pernambuco. Escapou e virou o segundo presidente daquele período nefasto.

 Na música, Beach Boys lançariam em 16 de Maio, a sua obra-prima, Pet Sounds, no dia seguinte, Bob Dylan acompanhado da futura The Band, "eletrifica" seu som e toma a maior vaia, sendo chamado de traidor do folk. 

No cinema, Antonioni lança Blow Up e Gillo Pontecorvo, A Batalha de Argel. Aqui na província de São Pedro do Rio Grande do Sul, o Imortal seguia sua rotina de empilhar títulos; estava próximo do pentacampeonato que somado a outro penta (56-60), fecharia 10 títulos em 11 anos. Na verdade, conquistando 1967/68, alcançaria 12 anos em 13 de Gauchão. Não é para qualquer um.

 Pois bem! Dia 08 de Maio, o Grêmio veio a Santa Maria fazer um jogo festivo pelos 54 anos do Riograndense, idade completada no dia anterior, sábado, dia 07. Como eu recém havia feito 07 anos no dia 30 de Abril, meu pai me deu um senhor presente; ver o jogo. Foi a primeira vez que vi o Tricolor ao vivo. Lá fomos nós.

 Ficamos colados à tela no lado oposto do pavilhão, próximos do escanteio da goleira que fica à esquerda da geral. Meus olhos brilhavam; mas como tudo que é pela primeira vez, foi bom, mas poderia ter sido melhor. O maior craque, Alcindo estava ausente, convocado para a Copa do Mundo, lá da Inglaterra, que seria disputada no mês de Julho; Airton, sem contrato, não veio, também não veio Cléo, nosso centro-médio. Atração seria a presença de Japonez (repito aqui a grafia dos jornais da época), um atacante que estava em testes. Fora recrutado no interior paulista.


 O Riograndense disputava a Divisão de Acesso. Lendo hoje, vejo que a partida foi bem diferente do que vi naquela tarde de Domingo. Como escrevi antes, meus olhos brilhavam, era um mundo mágico. Não foi bem isso o que A Razão, jornal santamariense e o Correio do Povo noticiaram. Ambos falaram numa partida pobre, com poucos lances de área, com os goleiros não trabalhando muito. Até o único tento foi marcado de forma estranha, como aliás, esta foto acima que não tem o lateral esquerdo, mas dois goleiros: Geadinha, camisa 10 do Verdão marcou contra, num entrevero na área periquita. Gremio 1 x 0.


 O Riograndense mandou a campo Valdir; Alderi (Benedito), Alvin, Edson e Benedito (Alvarino); Serafim e Geadinha; Pedro Ivo (Silvio), Damásio, Sissa (Luiz Marinho) e Acir (Vianna). O Imortal com Alberto; Altemir (Everaldo), Altair, Áureo (quinto em pé) e Ortunho; Adair e Sérgio Lopes (o quarto agachado); Sérgio "Japonez", Joãozinho (Paíca), Paraguaio e Iaúca ( Volmir e mais tarde Vieira). O juiz foi Ricardo Silva e a renda espantosa de Cr$ 3.200,00. 

Como afirmei, a primeira vez, geralmente é bom, mas podia ser melhor, porém, como diz o adágio: A primeira vez a gente não esquece. Como foi o primeiro jogo de vocês, meus amigos?

Ah! A atração, o tal Sérgio "Japonez", não jogou nada.

31 - Alberto, o Herói da Camisa 1-  Ano 1968
            

1968 - O ano que não terminou. Zuenir Ventura se apropriou desta frase e fez um grande livro. Este ano foi de muitos acontecimentos com enormes desdobramentos para a vida de muitas pessoas. Teve para todos os gostos; em nível mundial, as Olimpíadas na Cidade do México, a Primavera de Praga e as revoltas estudantis de Paris, aqui no Brasil, a implantação do temível AI-5; em nossa aldeia gaúcha, o Hepta do Imortal e até no plano pessoal, a notícia  de  minha mudança de colégio no ano seguinte.
 O que ficou mais forte para mim foi a conquista do Hepta; mais tarde soube que aquele título, simplesmente era o 12º em 13 anos, e olha que Grêmio e Inter só ganhavam Gauchão. Era a nossa Copa do Mundo. Naquela máquina eu possuía vários ídolos; os três maiores eram Alberto, o goleiro, Áureo, o capitão e Alcindo, o craque matador.
 Pois na semana passada, Alberto faleceu. Tinha 74 anos. Não vi goleiro igual no arco do nosso Imortal. Era uma lenda. Era para ser o goleiro da Copa do Mundo de 70, mas os dirigentes do clube que defendia há muitos anos, lhe puxaram o tapete e ele ficou mais de um ano sem jogar futebol, sem exercer a sua profissão.
 Jogador fora do eixo Rio-São Paulo era praticamente impossível ser convocado, goleiro então, nem se fala. Havia os gaúchos Valdir (Moraes), o Picasso, mas jogavam no Palmeiras e São Paulo, respectivamente. Era diferente. 68 foi o ano do Alberto; ele fechou o arco gremista em praticamente todas as partidas, porém o seu batismo de fogo, o seu cartão de apresentação no "tambor do Brasil", assim era chamado o Maracanã foi em dois jogos consecutivos no mês de Outubro; dias 09, quarta-feira e 12, sábado, ambos à noite. 
O primeiro, o Imortal aplicou 2 a 0 no Vasco, gols de Alcindo; no segundo, pegou o bicampeão carioca, o Botafogo do técnico Zagallo. O Correio do Povo do dia 10 estampou foto de Alberto com a seguinte legenda:"figura de destaque na quarta-feira", porém, a sua exibição de gala foi no sábado e a tevê Piratini passou o jogo direto, logicamente em preto e branco. 
Alberto fechou o gol a ponto do jornal O Globo publicar o seguinte texto: " Alberto fez 10 defesas difíceis para qualquer arqueiro, a maioria menos complicadas para ele pela sua perfeita colocação". A partida foi dura e Alberto teve que defender um pênalti sofrido por Gerson, cobrado por Carlos Roberto na goleira que fica à direita das cabines de rádio. Alcindo aos 24 minutos da segunda etapa, marcou o único tento e o Grêmio permanecia invicto líder do grupo B (havia dois grupos). O público foi de 13.100 pessoas com uma renda de Cr$ 29.738,00.
 O Tricolor do técnico Sérgio Moacir formou num quase inédito 4-3-3 com Alberto (na foto, obviamente, o de preto); Renato, Paulo Souza, Áureo e Everaldo; Cléo, Jadir e Sérgio Lopes; Flecha, Alcindo e Volmir. O supertime do Botafogo, base da Seleção com Cao; Moreira, Chiquinho, Leônidas e Valtencir, Carlos Roberto e Gerson (Afonsinho); Zequinha, Roberto, Jairzinho e Paulo Cesar. Para quem não sabe; Gerson é o Canhotinha de Ouro de 1970, Zequinha, o dos 3 gols em um único Grenal, Jairzinho, Roberto e Paulo Cesar, o Caju, todos tricampeões em 70. 
A curiosidade deste confronto ficou por conta do atraso e troca de fardamento do Botafogo que jogou com outro totalmente diferente de suas cores tradicionais, emprestadas pelo Sesc que ficava perto do estádio. Gérson, normalmente, camisa 8 jogou com a 13.
 Esta partida é a melhor lembrança que tenho do Alberto, esta e um jogo dele pelo Brasil contra a Yugoslávia naquele ano. 
Incluí no título da crônica a palavra herói, porque Alberto soube separar a frustração causada pelos dirigentes, do amor e apego que sempre teve pelo seu clube do coração. Um abraço, Alberto.

Na Copa



Primeiras impressões e Drogba, o craque

Assisti pedaços/pedacinhos de todos os jogos da Copa, alguns quase na íntegra, Costa e Uruguai, também, Inglaterra x Itália. Nem o do Brasil vi completo (perdi os 5/10 minutos iniciais). Há uma única exceção até aqui: Vi completamente Costa do Marfim x Japão. Certamente, um dos menos atraentes, antes da bola rolar. Gostei muito, mas antes, tratarei de uma visão geral do que assisti.

Minha primeira Copa foi a de 70; aí o resto virou covardia. Só fiquei empolgado com a Holanda de 74 e o Brasil de Telê em 82, nem a de 2002 me entusiasmou. Na média, sempre saí frustrado com Copas do Mundo. No entanto, depois dos Brasileiros do ano passado e deste, mais infindáveis e sofríveis Gauchões, ver estes primeiros jogos foi gratificante. Futebol ofensivo, quase nada de violência, bom nível técnico.

Vi grandes atuações individuais; Oscar, Campbell, da Costa Rica, Pirlo, James Rodriguez, da Colômbia, mas um, especial, me encheu os olhos: Didier Drogba.

Drogba, 36 anos, somente entrou na etapa final na Costa do Marfim; estava 0 a 1 para o Japão, minha mulher comentou, no intervalo, o desânimo da torcida marfinense, verdade. Bastou o craque entrar para que o panorama de campo e do estádio mudassem radicalmente. Houve vibração nas arquibancadas, os japoneses tremeram, os companheiros ganharam um "up" e ele não decepcionou. Um técnica esmerada, uma calma contagiante, a experiência e visão de jogo. 

Não tenho dúvidas, que a virada africana, somente se deu pelo ingresso de Drogba. 

Drogba, para mim, o craque da Copa até aqui.

Obs: Vai um agradecimento especial ao Alvirubro pela grande contribuição que tem dado ao blog. Fique à vontade.



Na Copa



ITÁLIA 2x1 INGLATERRA - 14-06-2014

A aventura “Azzurra” na Amazônia começou da melhor maneira possível, apesar da situação que se apresentou ao técnico Cesare Prandelli. Diversos atletas lesionados ficaram impossibilitados de ir a campo, obrigando o técnico a rever os seus planos para a partida contra a Inglaterra.

Depois da lesão que tirou Montolivo da Seleção Italiana, De Sciglio e Gigi Buffon, também ficaram de fora da partida de estreia.
Mesmo assim Prandelli soube armar um time interessante, que jogou apoiado em Pirlo, um “cracaço” capaz de organizar as jogadas mais perigosas da Itália.

Pirlo joga como poucos. Tem um futebol simples, sem firulas e sem plástica. Mas o faz com tanta maestria que parece que passar a bola é uma das coisas mais fáceis do mundo. Tem domínio de todo o meio de campo e não erra passes. Foi o maestro da Itália campeã do mundo de 2006 e no Brasil joga a sua última Copa do Mundo.

Os ingleses começaram a partida com domínio total sobre os italianos, chegando a levar perigo à meta defendida por Sirigu. Vale lembrar que Salvatore Sirigu substituiu a Gigi Buffon e não fez feio. O goleiro do Paris Saint Germain fez defesas importantes e garantiu o placar quando foi exigido. Buffon não pode jogar devido a uma torção no tornozelo.

Passada a pressão inicial, com certa tranquilidade, a Itália passou a trocar passes, sempre no ritmo de Pirlo, e acabou marcando aos 34 minutos do primeiro tempo. Em um escanteio cobrado no lado direito do campo, Pirlo fez um corta luz e a bola ficou limpa para chute certeiro de Marchisio. Itália 1x0.

Dois minutos depois do gol, a Inglaterra chegou ao empate. Num ataque italiano, Candreva errou o passe e a bola foi lançada em profundidade para Rooney, pela esquerda. O craque inglês cruzou para a área, onde entrava Sturridge, que completou para o gol. Sirigu ficou sem nada a fazer no lance: 1x1.

No finalzinho do primeiro tempo, Balotelli  teve a chance de marcar o segundo para a Itália. O goleiro Hart resolveu sair da meta para abafar um ataque de Balotelli e ficou no meio do caminho. Quase na linha de fundos, o atacante italiano parou, olhou para o gol vazio e encobriu o goleiro inglês. O zagueiro tirou a bola que ia caindo dentro do gol e salvou a Inglaterra. Pouco depois, Candreva recebeu dentro da área, cortou para o meio e chutou na trave. Fim do primeiro tempo.

Na segundo etapa, o calor úmido de Manaus continuava castigando as duas equipes. Logo aos 5 minutos de jogo, Candreva, pela direita, fez um cruzamento alto sobre a área e encontrou Balotelli, às costas do zagueiro Cahill. O atacante saltou e cabeceou para o gol. 2x1 para a Itália.

Com o passar do tempo, a Itália foi tomando conta do jogo. Prandelli colocou Thiago Motta no lugar de Verratti. A torcida italiana passou a gritar “olé” a cada passe de seus jogadores. Pirlo continuava carimbando a bola e a Inglaterra caiu de produção.
Mesmo assim, em lances perigosos, Sturridge, Rooney e Barkley assustaram o goleiro Sirigu. Quase no final, Pirlo ainda acertou o travessão de Hart em cobrança de falta.

 Final: Itália 2x1 Inglaterra. Placar justo para um jogo de campeões mundiais.

Atualizando:

INGLATERRA 1x2 ITÁLIA

Data/hora: 14/06/2014 - 19h (de Brasília)
Estádio: Arena da Amazônia, Manaus (AM)
Público: 39,800
Árbitro: Björn Kuipers (HOL) - Auxiliares: Sander Van Roekel (HOL) e Erwin Zeinstra (HOL)
Cartão amarelo: Sterling (ING)
GOLS: Marchisio (34' do 1º tempo), Sturridge (36' do 1º tempo), Balotelli (4' do 2º tempo)
INGLATERRA: Hart; Johnson, Jagielka, Cahill e Baines; Gerrard e Henderson (Wilshere - 26' do 2º tempo); Sterling, Rooney e Welbeck (Barkley - 16' do 2º tempo); Sturridge (Lallana - 33' do 2º tempo). Técnico: Roy Hodgson.
ITÁLIA: Sirigu; Darmian, Barzagli, Paletta e Chiellini; De Rossi, Pirlo e Verratti (Thiago Mota - 11' do 2º tempo); Candreva (Parolo - 33' do 2º tempo) e Marchisio; Balotelli (Immobile - 26' do 2º tempo) . Técnico: Cesare Prandelli.

por Alvirubro

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Na Copa



ESPANHA HUMILHADA PELA HOLANDA. 
5 x 1 PARA NUNCA MAIS ESQUECER.

Se havia algum resquício de vingança, após a final do Mundial de 2010, entre Holanda e Espanha, não há mais! Foi um dos maiores “banhos de bola” ou qualquer outro adjetivo que alguém queira usar para definir o que se viu no estádio de Salvador-BA.

A Holanda dobrou a Espanha e “pisou” sobre a cabeça dos jogadores da “Fúria”. Não restou pedra sobre pedra. Um jogo espetacular do primeiro ao último minuto, que teve uma atuação para não mais ser esquecida de Robben. Fantástica atuação holandesa. Constrangida atuação espanhola, destroçada pela “Laranja Mecânica”, que jogou de azul marinho.

A Holanda era tida como uma seleção que se preocupava muito com a parte defensiva. Prova disso é que Van Gaal organizou o time num esquema 5-3-2. Talvez por isso, os 5x1 para a Holanda cause certa incompreensão aos estudiosos de novas táticas futebolísticas. O time de Van Gaal cavou um buraco e enterrou os atuais campeões do mundo no meio da Fonte Nova. Como um esquema 5-3-2 foi capaz de gerar tantos gols?

Depois de um bom início de jogo, com jogadas fortes, a Espanha tentou forçar os ataques contra a defesa da Holanda, que apesar da pouco experiência, estava bem postada. Um pênalti em Diego Costa, muito discutido, deu a chance para a “Fúria” tirar o “zero” do marcador. Xabi Alonso fez o 1x0, aos 26 minutos, batendo no canto direito da goleira! O árbitro foi vaiado pela torcida, que nitidamente preferia a Holanda.

Aos 43 minutos, uma jogada mágica: Blind fez um lançamento da esquerda, pelo alto, encobrindo os defensores espanhóis, em direção ao centro da área. Van Persie arrancou em direção ao gol e a bola veio caindo. O atacante mergulhou ao encontro da bola e encobriu Casillas, que ficou sem ação. Um gol inesquecível, espetacular! Era o empate tão buscado pela Holanda.

No início do segundo tempo, a chuva castigava o campo de jogo. Aos sete minutos, novamente Blind, lança para Robben, que controla a bola com a “direita”, dribla Piqué, e depois com a “canhota”, com um toque seco, bate Casillas. Um gol de grande qualidade do craque holandês.

A Holanda começava a “amassar” a Espanha. Um pouco mais tarde, foi a vez de Van Persie chutar a bola no travessão, sendo que o árbitro parou o lance marcando impedimento.

O terceiro gol holandês não demorou a sair. Aos 19 minutos, uma falta batida do lado esquerdo do campo, encontrou De Vrij, que mandou para a rede. Antes, houve uma carga sobre o goleiro espanhol, mas árbitro resolveu não marcar.

A Espanha acusaria o golpe definitivo, após o quarto gol: Casillas domina mal uma bola recuada, Van Persie se aproveita e marca. 4x1! A Espanha desapareceu. E o massacre confirmou-se depois que Robben fez o quinto gol. Arrancando com muita velocidade, venceu a zaga espanhola, driblou Casillas e a bola encontrou a rede.

O sexto gol só não veio por milagre. Nunca na história da Copa do Mundo um campeão tinha levado um golpe como esse. Inesquecível para ambas as seleções e para quem viu o jogo.

E Robben?
Bem, Robben, se resolvesse voltar para a Holanda e não jogar mais nesse Mundial, já teria entrado para a história da Copa. Ele destruiu a Campeã do Mundo.

FICHA TÉCNICA

ESPANHA 1 X 5 HOLANDA
Local: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)
Data/Horário: 13/6/2014, às 16h (Horário de Brasília)
Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
Assistentes: Renato Faverani (ITA) e Andrea Stefani (ITA)
Cartões amarelos: De Guzmán, Van Persie e De Vrij (HOL)
GOLS: Xabi Alonso, 26'/1ºT (1-0); Van Persie, 43'/1ºT (1-1); Robben, 7'/2ºT (1-2); De Vrij, 19'/2ºT (1-3); Van Persie, 27'/2ºT (1-4) e Robben, 35'/2ºT (1-5)

ESPANHA: Casillas, Azpilicueta, Sergio Ramos, Piqué e Jordi Alba; Busquets, Xabi Alonso (Pedro, 17'/2ºT), Xavi, Iniesta e David Silva (Fabregas, 33'/2ºT); Diego Costa (Fernando Torres, 17'/2ºT). Técnico: Vicente del Bosque.

HOLANDA: Jasper Cillessen, Daryl Janmaat, De Vrij (Veltman, 31'/2ºT), Ron Vlaar e Bruno Martins Indi; De Jong, Daley Blind e De Guzmán (Wijnaldum, 17'/2ºT); Sneijder, Robben e Van Persie (Lens, 33'/2ºT). Técnico: Louis Van Gaal.

por Alvirubro

Na Copa



MÉXICO 1 x 0 CAMARÕES – 13.06.2014

Por incrível que pareça, foi mais difícil para a Seleção do México superar os obstáculos criados pelo árbitro Wilmer Roldan e seu assistente Humberto Clavijo, do que aqueles criados pela Seleção de Camarões. Na estreia no Mundial do Brasil, no Estádio das Dunas, em Natal-RN, os mexicanos venceram os camaroneses por 1-0. Oribe Peralta fez o único gol do jogo.

Com este placar, o México conseguiu os primeiros três pontos no torneio e assumiu o segundo lugar no Grupo A. O próximo adversário do México será o líder do Grupo: o Brasil. Camarões enfrentará a Croácia.

A Seleção do México entrou em campo convencida de que a vitória era tudo o que eles precisavam alcançar. Com um futebol vistoso e um esquema de jogo bem organizado, o México, aos poucos, soube se impor contra um adversário de futebol pobre em todos os aspectos.

O melhor desempenho mexicano refletiu-se aos 11 minutos, numa bola cruzada para a área, onde Giovani dos Santos dominou e não perdeu a oportunidade. O goleiro Itandje não conseguiu chegar na bola. No entanto, o assistente Clavijo marcou impedimento e silenciou o grito de gol da torcida. O meia mexicano estava na mesma linha dos zagueiros camaroneses. Errou feio o árbitro e o bandeira.

No pouco que fizeram na primeira etapa, os africanos de Camarões atacaram pelo lado esquerdo e numa sobra de bola, na área, Samuel Eto'o acertou no poste de Ochoa. Salvou-se o México.

A partida seguia bem movimentada. A torcida mexicana fazia festa e entoava cânticos de apoio ao time. Em outro lance polêmico, a equipe do técnico Miguel Herrera teve mais um gol anulado. Giovanni dos Santos, aos 29 minutos, fez um gol legal, depois da cobrança de um escanteio, e o mesmo Clavijo que já havia errado ao anular o primeiro gol, invalidou erradamente o lance. Os mexicanos irritaram-se.

No início do 2º tempo, Giovanni dos Santos deixou Oribe Peralta na frente do goleiro, porém o atacante não conseguiu definir e chutou a bola para a  defesa de Itandje. A resposta veio rápida, numa cobrança de falta de Ekotto. A bola desviou na barreira e tirou o goleiro Ochoa da jogada...mas foi pela linha de fundos, muito perto do gol, causando calafrios na torcida.

Aos 15 do segundo tempo, finalmente fez-se a justiça do placar. Após um chute de Giovanni dos Santos, o goleiro deu rebote e Peralta aproveitou para empurrar a bola para o fundo do gol. Merecido 1x0 para os mexicanos.

A partir do gol, o técnico Miguel Herrera fez mudanças, tirando de campo um cansado Andrés Guardado para colocar em seu lugar Marco Fabian. Tirou também o artilheiro Peralta que deu lugar a Javier “Chichiarito” Hernández.

Camarões passou a forçar o empate e acabou perdendo algumas boas chances de empatar. Uma delas aos 45 minutos, numa cabeçada sensacional. Moukandjo fulminou o gol de Ochoa, que fez uma grande defesa, salvando com as duas mãos e caindo com a bola encaixada ao corpo. Fim de jogo!

A verdade é que o México poderia ter assumido a ponta do Grupo A pelo saldo de gols, não fossem os dois erros da arbitragem ao anular gols legítimos.

FICHA TÉCNICA

MÉXICO 1 X 0 CAMARÕES
Data e horário: 13/6/2014, às 13h00
Local: Arena das Dunas, Natal (RN)
Árbitro: Wilmar Roldán (FIFA/COL)
Assistentes: Humberto Clavijo (FIFA/COL) e Eduardo Diaz (FIFA/COL)
Cartões Amarelos: Héctor Moreno (MEX); Nounkeu (CAM)
GOLS: Peralta, aos 15'/2ºT (1-0);
MEXICO: Ochoa; Paul Aguilar, Rafa Marquez, M. Rodríguez, Hector Moreno e Miguel Layún; Vazquez, Herrera (Salcido), e Guardado (Fabian); Oribe Peralta (Javier Hernandez) e Giovani dos Santos. Técnico: Miguel Herrera.
CAMARÕES: Itandje; Djeugoue (Nounkeu), N'Koulou, Chedjou e Ekotto; Song (Webo), Enoh, Moukandjo, M'Bia e Choupo Moting; Samuel Eto'o. Técnico: Volker Finke.

por Alvirubro

Opinião



Direção entra em campo

O Tricolor se mexeu; Giuliano, Fellipe Bastos, Matias Rodriguez e talvez, Fernandinho. O Grêmio começa a mudar a fotografia para o segundo semestre.

Além disso, Bressan, Ramiro e Kléber podem sair, isto é, na comparação, o elenco sai fortalecido. Sei que isso tudo é teoria, mas não temos bola de cristal para criticar por antecipação.

Se o Tricolor encontrar negócio para Werley, poderá garantir um fôlego financeiro, sem descaracterizar o setor defensivo, visto que, à exceção de Rhodolfo, os demais tem desempenhos muito semelhantes.

Acho que o Grêmio está desistindo de Máxi Rodriguez e Alan Ruiz; o primeiro poderá ser emprestado e comprovar que pode render mais, o segundo, um investimento caro demais para o que ele vem apresentando. Prefiro investir em Jean Deretti e Rodriguinho.

Faltam jogadores para fazer sombra a Barcos e Marcelo Grohe. Ou apostarão as fichas em Tiago e Lucas Coelho como alternativas.

De qualquer forma, a direção tricolor parece que arregaçou as mangas e foi atrás de soluções, este é o caminho. O time leva a torcida.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Na Copa



Estreia com vitória

Se considerarmos que estreia em Copa do Mundo sempre traz uma tensão elevada, principalmente para o anfitrião; dá para classificar com boa esta primeira partida do Brasil.

O adversário não está alinhado entre os considerados tradicionais, mas fez um bom jogo defensivo, possuidor de um toque de bola aceitável no meio e como era de se esperar, chegou pouco à frente, exceção dos minutos finais.

O escrete brasileiro mostrou muito nervosismo, especialmente no setor da defesa, onde apenas David Luiz apresentou o seu rotineiro futebol de qualidade. Luiz Gustavo, para mim, que não o conhecia, foi uma boa surpresa, tem um bom passe e muita tranquilidade, faltou apenas, avançar mais, talvez tenha sido exigência de Luiz Felipe ficar mais postado. Os laterais foram sofríveis, não subiram com eficiência e comprometeram na defesa. Paulinho, Hulk, decepcionantes, Fred, mostrou que quando a bola não chega em boas condições, morrerá à míngua, tal qual tantos outros camisas 9 que conhecemos. Excelente centro-avante, mas, seguramente está abaixo de Tostão, Ronaldo, Romário e Careca.

 Júlio Cesar, quando exigido, muito bem, embora a inoperância croata. Para mim, segue sendo uma interrogação, apesar do desempenho de hoje.

Sobraram Neymar, decisivo e Oscar, o melhor da estreia; foram deles os gols.

 Hernanes, Bernard e Ramires, pouco acrescentaram.

A nota triste; o juiz errou feio, com isso, a exemplo de vezes anteriores, a arbitragem deixa margem para interpretações diversas sobre a lisura da competição; claramente, Fred valorizou o lance e a ingenuidade oriental veio à tona, marcando penalidade máxima.

Contra México e Camarões deve aparecer o verdadeiro futebol brasileiro. Aguardemos. 

Na Copa



UMA CONQUISTA MAGISTRAL

6 de junho de 1938  - França

Antes da partida, o Brasil perdeu o sorteio para definir a cor do uniforme, já que, assim como a Polônia, usava camisetas brancas. Acabou entrando em campo com uma camiseta azul, e sem o distintivo, e com um calção azul. Só que futebolisticamente, tudo foi diferente.

Raras vezes o público teve oportunidade de presenciar uma atuação como fez Leônidas, que parecia estar “endiabrado”. Com certeza, nunca tinham visto um jogador com tamanha habilidade e agilidade. Aos 18 minutos, foi de Leônidas o primeiro gol do jogo: combinando com Perácio, Romeu Pelliciari entregou a Leônidas que avançou, mandando violento chute em direção ao gol. O “keeper” polonês não conseguiu defender. Brasil 1x0! A torcida aplaudiu freneticamente o atacante brasileiro.

O único gol polonês, no primeiro tempo, só surgiu porque numa investida do ataque adversário, Gerard Wodarz agarrou, na área, Domingos da Guia. O árbitro interpretou a falta de forma equivocada e marcou pênalti para a Polônia. Apesar da reclamação de milhares de torcedores, Fryderyk Scherfke converteu em gol a cobrança, aos 23 minutos.

Tão logo teve reinício a partida, aos 25 minutos, Romeu Pelliciari colocou o Brasil na frente do placar. 2x1! E aos 44 minutos, após uma jogada fulminante da linha de atacantes brasileira, Perácio recebendo a bola de Martim Silveira, de cabeça, fez o terceiro gol para a nossa Seleção. Final 3x1! No 1º tempo, os brasileiros dominaram nitidamente a partida, fazendo um jogo matemático e preciso, cheio de jogadas envolventes, em todos os setores do campo.

Boquiabertos, os torcedores europeus viram um futebol que nenhuma seleção havia praticado até então, tal foi a qualidade apresentada nas jogadas criadas. Não fosse o excesso de preciosismo dos atacantes, a equipe brasileira poderia ter marcado bem mais que os 3 gols alcançados na primeira etapa.

Debaixo de uma chuva torrencial, teve início a segunda etapa de jogo. Devido ao péssimo estado em que se encontrava o gramado, a partida decaiu de qualidade em todos os seus aspectos, quer em relação à parte técnica, quer em relação ao entusiasmo dos atletas. Os defensores brasileiros passaram a errar em demasia e a Polônia cresceu no jogo. Arthur Machado, zagueiro brasileiro, parecia descontrolado. Aos 8 minutos, Ernest Wilimowski chuta. A bola desvia em Machado e vai para o fundo do gol. Placar de 3x2 para o Brasil!

Aos 14 minutos, depois de uma falta praticada por Leônidas no ataque brasileiro, a bola é lançada para Ernest Wilimowski, que escapa, ao driblar Domingos da Guia, e empata a partida com um violento tiro, que Batatais não consegue alcançar. 3x3!

Aos 26 minutos é assinalado um "corner" contra o Brasil. Batido o escanteio a bola “voa” para a área e Domingos da Guia salva. Lopes escapa e passa a Leônidas. Este dá a Perácio que passa a Romeu Pelliciari. Ambos investem. Perácio entra e chuta violentamente de uma distância de 35 metros, batendo o goleiro Edward Madejski. A assistência aplaudiu entusiasticamente o feito do jogador brasileiro, que deu um incrível “pelotaço”. Brasil 4x3 Polônia!

Nova saída de bola do centro do gramado e Leônidas toma a bola e vai ao ataque. Troca passes com um atacante brasileiro e adentra a grande área. É derrubado e o árbitro não marca a penalidade máxima. Em meio aos torcedores, inúmeros sul-americanos reclamam e passam a gritar repetidas vezes: Brasil! Brasil! Brasil!

A Polônia passa a jogar com violência e o árbitro não coíbe o jogo faltoso. Leônidas é segurado novamente dentro da área, pela camiseta. O árbitro manda seguir a jogada. As oportunidades criadas pelo time do Brasil vão se acumulando e nada de surgir o gol. Numa perigosa investida dos poloneses, Batatais choca-se contra trave, tentando defender um forte chute adversário. A Polônia pressiona mais e mais. Batatais passa a praticar defesas espetaculares. O jogo atinge os minutos finais. Perácio pressiona o árbitro pedindo o término da partida. A Polônia vai ao ataque, aos 44 minutos, e Ernest Wilimowski, chutando a gol, numa última tentativa de igualar o marcador, vê a bola passar debaixo do corpo do goleiro brasileiro. 4x4! A prorrogação estava à caminho.

Na saída de bola, via-se nitidamente o nervosismo dos jogadores brasileiros. Aos 3 minutos, Hércules de posse da bola, encontra Leônidas bem colocado. Com um belo jogo de corpo, o atacante dribla dois adversários, investe e chuta para marcar o quinto gol para o Brasil. Calorosamente, vibram e aclamam os torcedores. Brasil 5x4!

Os jogadores brasileiros souberam reagir com muito entusiasmo e exerciam o controle pleno da partida. Entretanto, continuavam perdendo chances de aumentar o placar. Somente aos 14 minutos, Leônidas, numa violenta rebatida, de pé esquerdo, marca o último gol do Brasil. 6x4! O árbitro não percebeu que, após um chute, Leônidas havia perdido a chuteira. No rebote, mesmo descalço, marcou o gol.

A descrição da jogada feita pelo jornalista Geraldo Romualdo da Silva é encantadora:
“No primeiro arremesso, o campo encharcado, a bola saiu junto com a chuteira. E rolou, meio morta, nas mãos tentaculares de Madejski. Era de não se esperar mais nada. Madejski no entanto escorregou no tiro de meta. A bola subiu, subiu e caiu bem na frente de Leônidas. Numa fração de minuto, Leônidas se pôs de pé, e assim mesmo, na posição incômoda que se encontrava, não vacilou e emendou, direto, um sem-pulo seco e definitivo: rede. A batida, forte e inesperada, apanhou o pequeno estádio da cidade de Estrasburgo de boca aberta. Foi um estremecimento geral. Os comentaristas esportivos da Europa, que supunham ter visto tudo dentro das quatro linhas de um campo de futebol, reagiram com espanto, perplexidade e gritos de Bravo! Bravo! Bravo!”

O primeiro tempo da prorrogação termina e as equipes trocam de lado. Dada a nova saída, o Brasil passa a se defender. A Polônia teria ainda tempo para marcar o quinto gol, por intermédio de Ernest Wilimowski. Final de jogo: Brasil 6x5 Polônia. Após a vitória, os jogadores carregaram Leônidas em triunfo para fora do campo, aplaudidos pela grande assistência.

A Seleção teve 8 escanteios a seu favor, contra 12 dos poloneses. Cometeu 13 faltas e os adversários 23. Batatais defendeu 18 chutes e o goleiro polonês interveio em 20 oportunidades.
Leônidas da Silva foi, sem dúvidas, o grande destaque da partida entre BRASIL e POLÔNIA. 

Entretanto, Perácio, o “Pequeno Terrível”, assim chamado pelos torcedores que viram a partida, em Estrasburgo, também merece receber os “louros da vitória”, tamanha foi a sua atuação.

Cabe destacar que foi o jornalista francês Raymond Thourmagem, da revista Paris Match, quem apelidou Leônidas de "Diamante Negro". O jornalista ficou maravilhado pela habilidade do jogador brasileiro. A empresa Lacta acabou homenageando o jogador, criando o chocolate "Diamante Negro". Noticia-se que Leônidas nunca cobrou nada pelo uso da marca. Porém, segundo confirmou a própria Lacta, o valor do contrato foi de 2 contos de réis, além de uma participação nas "vendas futuras".

A descrição da importância de Leônidas da Silva, nos minutos finais da partida contra a Polônia, feita pelo jornalista Thomas Mazzoni, que cobria a Copa pelo jornal A Gazeta, é memorável:
"Simplesmente assombroso. Foi a ponta de dinamite do nosso quadro. Em improvisação, Leônidas fez o impossível. Cada lance do avante flamenguista era uma corrente elétrica de entusiasmo na multidão! Arte de bruxaria (...) E Leônidas – vejam mais esta – era guardado por três policiais poloneses, que o tratavam sem cerimônia, recebendo, porém sempre com o troco (...) Sim: Leônidas desafiava os antagonistas no jogo agressivo! O “negrinho”, sem poupar coragem, andou “pisando”, para impor respeito (...) Tantas vezes o aterraram, tantas vezes se levantou”.

BRASIL 6x5 POLÔNIA
Data - 5 / 6 / 1938
Árbitro - Ivan Eklind (Suécia)
Local - Estádio de La Meinau - Strasbourg (França)
Público - 13.452
Gols - Leônidas da Silva 18', Friedryk Szerfke (pênalti) 23', Romeu Pelliciari 25', Perácio 44' do 1º tempo; Ernest Wilimowski 8', Ernest Wilimowski 14', Perácio 26', Ernest Wilimowski 34' do 2º tempo; Leônidas da Silva 3', Leônidas da Silva 14' do 1º tempo da prorrogação; Ernest Wilimowski 13' do 2º tempo da prorrogação
BRASIL - Batatais, Domingos da Guia, Arthur Machado, Zezé Procópio, Martim Silveira, Affonsinho, José dos Santos Lopes, Romeu Pelliciari, Leônidas da Silva, Perácio, Hércules. Técnico - Adhemar Pimenta

POLÔNIA - Edward Madejski, Wladyslaw Szczepaniak, Antoni Galecki, Wihelm Góra, Erwin Nyc, Ewald Dytko, Ryszard Piec, Leonard Piatek, Fryedryk Scherfke, Ernest Wilimowski, Gerard Wodarz. Técnico - Józef Kaluza

por Alvirubro

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Na Copa




Boa Sorte, Brasil

A Copa do Mundo está aí, por isso, o título da crônica pode enganar muita gente, afinal, em edições anteriores o país se cobria de verde e amarelo, havia sempre algo  no ar, lembrando o escrete Canarinho; a massa abraçava a Seleção, surgia a pátria de chuteiras. Não é o caso.

 Esse título é só uma indução do autor, um pequeno golpe. Na verdade, o Brasil a que me refiro é a Nação, nossa mãe, que abriga um povo cansado de espoliação, de engodo, de enrolação. Qualquer um que esteja “(des)Governo”, pega o conteúdo oferecido aos cidadãos durante anos, dá uma “repaginada” e põe na prateleira para que o brasileiro engula mais do mesmo. Usa os mesmos ingredientes, não dispensa  os vários atores com presença vitalícia na política brasileira, figurinhas carimbadas, experts na arte da dissimulação; pronto! Está feito o estrago. De novo, o golpe. Grandes empresários e políticos de carreira se  locupletaram com o evento Copa do Mundo com recursos vindos dos cofres públicos, aumentando o já profundo abismo socioeconômico brasileiro, gerador, entre outras consequências, da violência, falta de segurança, saúde precária, educação deficiente, más condições de habitação e inexistência de lazer e cultura, além de determinar que os avanços científicos e tecnológicos sejam considerados curiosidades num país cambaleante.

Em plena era capitalista, além dos próprios problemas desse modo de produção, outras práticas primitivas são agregadas, atrasando mais o país; recupera-se lá do império romano o seu eficiente pão e circo e mais, importa-se do Medievo, a práxis da base da pirâmide social, onde servos seguravam a onda para os parasitas,  clero e  senhores feudais; como se não bastasse isso, os convencem de que essa é a sua missão na Terra. Deveriam agradecer pela “benção de sofrer”, único meio da redenção de suas vidas predestinadas ao suplício. Não é difícil visualizar isso no Brasil do Século XXI, apenas com outras denominações para velhas receitas.

Ano passado, Copa das Confederações, o país viu estarrecido que havia um limite para a paciência da sociedade. Abaixo de pressão e indignação, como num passe de mágica, em pequenos e ágeis passos, sem muitas delongas, houve avanços sociais importantes, que andavam emperrados em Brasília, especialmente. Passaram-se alguns meses e a perversa casta que conduz o destino da Nação, imaginou que não passava duma marolinha  transitória,  portanto, acreditou que era  hora de retomar  a velha toada. Grande engano.

Diante disso, da lição não aprendida, surgem novos sinais de que a antiga estrutura poderá ser abalada; eles são dados diariamente e o futebol, antes conhecido como ópio do povo, deverá ser o estopim para a revolução, aqui no seu melhor significado, ou seja, de ruptura com o estado vigente, um despertar de consciência, independente dos resultados de campo.

Quem diria? Da pretensa alienação, poderá nascer uma nova  sociedade brasileira, mais crítica, mais participativa, desempenhando o seu papel de protagonista na Nação, redesenhando o destino do Brasil.

Torço e desejo muito que esse processo se desenvolva de uma forma segura, pacífica e irreversível na direção de um futuro melhor.


É para essa disputa, essa luta, que eu desejo: Boa Sorte, Brasil!