Em pé: Breno, Beto Bacamarte, Espinosa, Ari Hercílio, Jadir e Jamir. Agachados: Flecha, Joãozinho, Alcindo, Everaldo e Loivo.
Os olhos de um Mundo
dividido em duas partes pela Guerra Fria, naquela primeira semana de Setembro de
1970 miravam com incredulidade para o Chile, porque Salvador Allende, um
marxista estava eleito democraticamente e isso era impensável naquela América
do Sul tutelada pela Águia do hemisfério norte, um presidente socialista.
Já para mim, um menino
de 11 anos, aqueles dias estavam divididos também para o “bem” e para o “mal”;
eu iria pela primeira vez até a Baixada
Melancólica assistir um jogo de Gauchão, na verdade, para ver o tricampeão
mundial Everaldo Marques da Silva, principal atração nos estádios
rio-grandenses, pois em Junho no México, ele ajudou a conquistar a Copa do
Mundo disputada ao lado de Pelé, Tostão e cia.
O jornal A Razão definiu
o encontro dominical do dia 06 como “A Baixada em tarde de Gala” e se referiu
ao craque com as seguintes expressões: Everaldo, herói nacional e ídolo do
bravo povo sulino.
O “mal” que me
angustiava era a obrigação escolar de desfilar no Sete de Setembro naquele
feriadão.
Everaldo era um craque;
possuía uma técnica invejável que o fez muitas vezes, mudar de posição, virando
meia armador do Tricolor, ainda que sem jogar com a camisa 10, destinada ao seu
substituto na lateral esquerda, nesta ocasião, Jamir, um bom marcador que veio
do Gaúcho de Passo Fundo.
Com a Baixada hiper
lotada, o que exigiu um aumento do contingente policial que totalizou 200
homens para garantir a segurança e bloqueio de trânsito de carros nas ruas que
circundavam o estádio, Everaldo foi alvo de várias homenagens com direito a
placa de prata entregue antes do confronto e a reverência da multidão.
A delegação azul com Carlos
Froner trouxe os seguintes atletas: goleiros Breno e Jair; os defensores
Espinosa, Di, Ari Hercílio, Beto Bacamarte e Jamir; os meios de campo Jadir,
Paíca, Everaldo e os atacantes Flecha, Joãozinho (João Severiano), Caio,
Alcindo, Bebeto, Wolmir e Loivo.
O Internacional de Santa
Maria do técnico e ex-capitão do time, Daudt, usou: Nílson; Tadeu Menezes,
Santo, Paulinho e Carlinhos; Paré e Jara; Marcos Cavaquinho, Paulo Reni
(Valdo), Plein e Caio.
Logo aos 10 minutos do
primeiro tempo, o Tricolor abriu o marcador, quando Loivo cruzou da esquerda, a
pelota passou por toda a área; Flecha aproveitou e fez novo cruzamento que
encontrou Alcindo bem colocado, o Bugre bateu forte e venceu o arco vermelho. 1
a 0.
Na etapa final, logo aos
seis minutos ocorreu o lance mais polêmico da partida, quando Marcos cabeceou,
vencendo o goleiro Breno, a bola foi defendida (com a mão direita ???) por
Everaldo, esse toque elevou a pelota que se chocou no travessão, na volta, o
tricampeão ajeitou com a mão esquerda (???) e despachou o balão para frente, evitando, assim, o gol de empate.
José Luiz Barreto não
marcou nada; o Grêmio contra-atacou rápido e marcou seu segundo tento através
de Flecha, que aproveitou lançamento de Loivo. Com uma manobra de cabeça, o camisa
7 tirou Santo da jogada e com um leve toque encobriu Nílson. 2 x 0.
Quem pagou o pato foi o bandeira João Carlos
Ferrari que foi “à lona” (expressão do jornal), nocauteado por uma pedrada
arremessada pela torcida local, fato que interrompeu o espetáculo poucos
minutos após o gol de Flecha.
Serenados os ânimos, a
partida seguiu sem maiores sobressaltos. A vitória manteve o Grêmio na
liderança do campeonato.
Assim foi a minha
estreia no Presidente Vargas (Baixada Melancólica), pois até então, eu apenas
acompanhava os jogos nos Eucaliptos, casa do Riograndense.
Estreia de luxo, porque
Everaldo foi a estrela do encontro, sempre atencioso com todos, um verdadeiro
astro cercado por infindáveis admiradores.
Fontes: Foto: Jornal A Razão
Jornais Correio
do Povo e A Razão
Arquivo pessoal do amigo Alvirubro
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