O Duto
Há muitas passagens neste Grêmio recente que são incompreensíveis para os torcedores mais antigos (e até ingênuos), que estão cada vez mais frequentes e difíceis de engolir.
Uma delas, a de maior dificuldade de compreensão, é o não aproveitamento de jovens no time, algo que esteve presente "desde sempre" nas principais conquistas do clube.
Sob o discurso de que é necessária a venda de atletas para manter as contas em dia, promessas da base são rifadas sem ter uma passagem mínima (um ano, um título) no elenco principal. Elas não saem e, pelo visto, não sairão no pôster de alguma conquista.
Recentemente, Alysson Edward, Viery e Gabriel Mec foram negociados, e eu fico pensando: o que ocorreria com o Tricolor se mantivesse dois ou três craques da base por três anos seguidos?
Que esperança pode ter o torcedor ao ler que o clube contratou a "joia equatoriana" Deymar Borja, renovou com João Bourne e ainda trouxe João Scatolin, do Juventude? Quase nenhuma.
Por quê? Porque parece, e não tem como duvidar, que no clube há um duto que liga/leva direto a base formadora para fora do clube, onde quem tem ingerência (ou interesse) são a diretoria e os empresários. No final da fila vem o clube.
Qualquer pessoa com um mínimo senso crítico sabe que uma das formas de viabilizar uma contabilidade é ter custos abaixo das receitas. Trazendo para o assunto em pauta, contratar bem e somente o necessário é a melhor maneira de equilibrar as finanças.
Lógico, para isso os interesses do clube devem ser prioritários. Inexistir dutos ou tubulações diretas das "categorias de baixo" para o mercado via empresários e afins.
Não se pode pagar mais de dois milhões de reais/mês por um centroavante reserva ou contratar um volante limitadíssimo que não resistiu no elenco mais do que meio ano, retornando para o seu país de origem, só para exemplificar.
Para a massa torcedora, fica confuso aceitar esta nova forma de gerir o clube.








