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domingo, 19 de julho de 2015

Opinião



O meu erro

Acho que passados mais sete dias, isto é, final de semana que vem, o Imortal poderá estar classificado para a próxima fase da Copa do Brasil e batendo o Sport em casa, reassumir uma vaga do G-4. No entanto, não invalidará esta crônica como pretendo demonstrar. 

Há quase dois meses escrevi esse texto:(Uma Cilada para Roger), onde alertava para a possível submissão do treinador diante da Direção, uma relação desigual, inconveniente para todos. Aí está o meu erro do título da postagem.

Roger não hesitou em assumir o Tricolor, topou na hora por um salário que li girar em 80 mil reais, baixo para os padrões atuais, mas tem uma explicação; o jovem técnico sabia que saía de um patamar ( Nóia, Ju) e entraria, pelo menos por dez anos, no rol dos profissionais de clubes da primeira divisão. A história demonstra que não precisam títulos para isso, apenas um trabalho mediano como exemplificam os de Roth nos anos 90 e recentemente, Enderson Moreira. Se conquistar títulos nessa primeira experiência, então, está feito. Temos exemplos para isso, também, Tite e Mano Menezes.

Roger chegou lá, o Grêmio, talvez não. Por que? Porque o treinador se submete e aceita a inação do comando diretivo do clube, idem ao não  mexer nos seus bruxos. Isso, enfraquece um grupo se ele for comprometido (caso contrário, não), porque o injustiçado esmorece. Marcelo Grohe e Douglas tem cadeira cativa entre os 11. Ruim para o time, ruim para os reservas injustiçados, ruim para o grupo todo.

A Direção se esmera em propiciar ações incompreensíveis; cito sem indicar para o elenco, apenas como parâmetro: o veterano Leandrão, hoje no Brasil de Pelotas é pior do que Braian Rodriguez? Lucas Coelho joga menos do que Vitinho? Luis Fellipe tem algum problema tão grave, que não merece ser reintegrado e acaba liberado; vai jogar na Europa?

Estou vendo Cruzeiro versus Avaí; Nino Paraíba rebentando, de novo, serve para o time catarinense e fica inacessível aos cofres do Imortal? Será que é tão mais caro do que Galhardo?

André, centroavante do Sport, jogando demais, Leandro Pereira, um dos muitos camisas 9 do Palmeiras, rebentando; esses dois não servem?

Existe a crise, mas a criatividade não costuma tirar férias na crise, porém, para isso, é necessário a tal da competência. Infelizmente, muitos medíocres fizeram o nome na fase dourada de Fábio Koff. Fizeram fama e vivem dela, apesar do presente desmentir essa fama.






sábado, 18 de julho de 2015

Opinião



Grêmio joga pouco e perde com naturalidade

O Tricolor jogou muito pouco, o Flamengo, idem. A diferença esteve nos goleiros. Cesar, um goleiro comum, acertou todas as suas intervenções, enquanto Grohe prossegue batendo uma no cravo, outra na ferradura. Isso, para quem joga nesta posição é fatal. Nela, não existe a frase, "na média foi bem".

No entanto, as falhas de Grohe só foram a cereja do bolo, os laterais muito mal, sorte que o Flamengo não forçou como deveria para quem é o anfitrião com mais de 40 mil torcedores.

Wallace deve estar preocupado com as notícias dos olheiros europeus, afundou à frente da área. Maicon, um burocrata, se se mantiver assim, Ramiro, quando voltar é titular certo. Giuliano jogou? Acho que não.

Douglas é um problemaço; não tem substituto, nem preparo para jogar 60 minutos, quiçá, 90 minutos. Com  ele, o Imortal fica com 10 em campo.

Está ruim? Então o Roger tira o camisa 10 e coloca Fernandinho, fica mais ofensivo, mas fica mais fragilizado defensivamente; perde o meio de campo.

 Pedro Rocha é guri e irá oscilar até se tornar realidade. Ruim com ele, pior sem ele.

Sobra Luan: Uma ilha de criatividade, um lutador solitário do meio para frente. Rhodolfo e Geromel bem, mas se perturbaram com a má atuação do arqueiro gremista, especialmente na bola aérea.

Vitinho e Braian não tiveram tempo e qualidade para uma avaliação.

Finalizando, à medida que os melhores "desertarem" para Europa, os objetivos azuis passam a ser outros. Bem menores, diga-se de passagem.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Opinião



Parada torta no Mário Filho (Maracanã)

Os meus amigos me julgam otimista, mas eu acho que estou mais para realista. Dito isso, vamos ao que temos hoje.

Amanhã, Sábado, 18:30 h no Maracanã, Rio de Janeiro, o Tricolor encara o Flamengo, cuja situação inspira cuidados, porém,  a euforia pela estreia de Paolo Guerrero diante de sua torcida, deverá entupir o maior do mundo com a torcida rubro-negra. É um grande complicador.

No entanto, acho que o grande obstáculo para a vitória está dentro do Grêmio, seu elenco, sua intensidade tão necessária, já não causa surpresas nos adversários. Há vários motivos para se preocupar com o resultado da partida amanhã. Senão, vejamos:

- Estará Rhodolfo em campo? E em que condições psicológicas?

- Marcelo Hermes poderá suprir a ausência de Marcelo Oliveira? Até agora, não

- Douglas vem caindo de produção, Roger terá coragem de barrá-lo?

- Yuri Mamute (que ainda não é uma certeza) está no "estaleiro", quando o treinador precisar trocar peças do ataque, olhará para o banco e verá quem? Vitinho e Braian apenas?

- Fernandinho e Máxi ainda não ganharam sequência, darão resposta positiva num sufoco?

Por tudo isso, acho que só contando com a superação do grupo e com a conjugação dos astros, o Tricolor se manterá no G-4. 



quinta-feira, 16 de julho de 2015

Pequenas Histórias


Pequenas Histórias (88) – Ano – 1973

Enfrentando o prezado amigo Afonsinho

Loivo - Afonsinho

Alcei voo próprio lá pela metade dos anos 80, quando saí de casa; antes, vivi as várias etapas da minha vida na Bento, entre livros, muitas aulas, reuniões dançantes, bolas, jogos de botão e o carinho da minha família.

Nos times de botão, neles, havia o Botafogo, entre os onze, o goleiro Cao e os meios-de-campo Carlos Roberto e Nei (Conceição). Esses botões vinham com a cara de cada jogador.

A Bento começa na Benjamin e nela, justamente na “boca” da minha rua, morava o Ernani, que também tinha o Botafogo, mas com o goleiro Manga e os meios-de-campo Gérson e Afonsinho. Os demais eram os mesmos da minha versão.

Essa pequena diferença era colossal; Manga, o melhor arqueiro do mundo, não é à toa que a sua data de aniversário, 26 de Abril, virou o dia do goleiro, Gérson era gênio, maior nome da final da Copa de 70 e Afonsinho. Este último, uma das mais importantes personalidades da história do futebol brasileiro, talvez do mundo. Atuou também, ao lado de Garrincha, Pelé, Zico, Jairzinho e Roberto Dinamite, entre tantas outras estrelas.

Afonsinho, paulista, chegou para o Botafogo na metade dos 60, jogando, iniciou e concluiu o curso de Medicina. Tinha um futebol refinado de grande técnica, um craque, no entanto, por ser um atleta com uma consciência social acima da média, um socialista na prática, por usar barbas e cabelos longos, entrou em choque com a direção alvinegra, cuja cartilha rezava pelos mesmos preceitos dos ditadores da Nação. Foi encostado, proibido de atuar. A justificativa era a barba e os cabelos, que o atleta se negava a aparar.

Afonsinho lutou e ganhou. Tornou-se o primeiro jogador de futebol a ter o passe livre concedido pela justiça. Depois, sempre com o passe na mão, alugou para Olaria, Santos, Flamengo, Vasco e Fluminense. Além disso, inspirou Gilberto Gil, o baiano produziu uma música que virou um clássico; chama-se Meio de Campo, que também foi gravada por Elis Regina e começa assim: “Prezado amigo Afonsinho, eu continuo aqui mesmo, aperfeiçoando o imperfeito, dando um tempo, dando um jeito, desprezando a perfeição, que a perfeição é uma meta defendida pelo goleiro, que joga na Seleção ...”.

Atualmente, ele está aposentado,  mas segue exercendo a Medicina voluntariamente no Rio de Janeiro e tem uma coluna na revista Carta Capital. Herdou o posto, depois da morte de Sócrates, outro craque da medicina e dos gramados.

Afonsinho enfrentou várias vezes o Imortal, uma delas jogando pelo Flamengo no Maracanã pelo Brasileiro, num Sábado, dia 27 de outubro de 73. Foi uma das maiores vitórias do Tricolor naquele ano. 2 a 1, de virada.

Com Oscar Scolfaro no apito, público de 31 mil pessoas, o Grêmio utilizou: Picasso, Cláudio Radar, Ancheta, Beto Bacamarte e Everaldo (Jorge Tabajara); Carlos Alberto e Paulo Sérgio (Yúra); Carlinhos, Mazinho, Tarciso e Loivo.

O Flamengo de Zagallo: Ubirajara Mota; Moreira, Rondinelli, Tinho e Rodrigues Neto; Liminha, Afonsinho e Zico; Rogério, Dario e Paulo César Lima, o Caju. Resumindo: um cano de time, mas mal treinado, pois chegava para o confronto com quatro derrotas seguidas. Aumentaria essa desagradável estatística naquela tarde.

Com uma atuação comprometedora de Paulo Cesar, que discutiu muito com os colegas na segunda fase, quando apresentou pouco empenho, o Mengo, ainda assim, esteve bem no primeiro tempo, vencendo com gol de Dario, o Dadá Maravilha, aos 31 minutos, aparando uma cobrança de corner (escanteio). Ele empurrou com o joelho a pelota para o fundo das redes; antes, o centroavante perdera inúmeras chances diante de Picasso como aos 34 minutos, quando Afonsinho driblou Carlos Alberto, Ancheta e Beto, pifando o Peito-de-Aço, que chutou sobre o arco.

No retorno do intervalo, o Tricolor evitou a armadilha de ser pego em vários impedimentos, seu maior erro nos primeiros 45 minutos. Aos 25, Carlos Alberto colocou Yúra frente a frente com Ubirajara. Rondinelli e Tinho “ensanduicharam” o meia; pênalti. Tarciso cobrou com a até então, infalível precisão e empatou. 1 a 1.

O rubro-negro carioca se descontrolou e o Imortal tomou conta da partida. Aos 40 minutos, da intermediária, Loivo cuja a especialidade eram o grande fôlego e cobranças de faltas precisas, num tiro longo, decretou a vitória gremista.

Naquele ano, o time treinado por Carlos Froner fez excelente campanha, onde obteve percentual de pontos apenas inferior ao campeão, Palmeiras. Foram grandes jornadas. Este Flamengo 1 x 2 Grêmio foi apenas mais uma.

Nesta crônica, contei com o habitual apoio “logístico” do amigo Alvirubro a quem agradeço.

É uma modesta homenagem ao cidadão brasileiro, Afonso Celso Garcia Reis, o Afonsinho.

Mais sobre ele, poderá ser visto em Prezado Amigo Afonsinho, obra de Kléber Mazziero de Souza, Método Editora, 1998 e no documentário Passe Livre de Oswaldo Caldeira, produção de 1974.



quarta-feira, 15 de julho de 2015

Opinião



Apenas para constar

Ouvi muitos amigos e também li na imprensa, que a reversão no enfrentamento contra o Criciúma é muito difícil; inclusive, para exemplificar, parece que isso ocorreu uma única vez nesta fase da competição. 

Bueno, apenas para constar: Sem menosprezo, mas ganhar do Criciúma lá por 2 a 1, não é nenhuma epopéia. Fazer dois gols em terras onde a torcida azul costuma ocupar metade do estádio é uma operação razoável.

Quando morava em Santa Catarina, cheguei a apostar nos reservas do Grêmio contra o Tigre, dei um gol de lambuja e o meu time não me deixou na mão; resultado: 3 a 1 com direito a gol de Nando Lambada, o nosso camisa 9 que revezava a titularidade com Kita em 89, 90. Ganhei meia caixa de cerveja. Deveria ter apostado uma caixa inteira.

Apenas uma ressalva; quando dei um gol de vantagem, não sabia que o Imortal iria meter time misto. Foi um sufoco, mas aguentei a parada.

Para finalizar; o Grêmio deve fazer o possível para manter Rhodolfo no grupo; porém, só o possível.


terça-feira, 14 de julho de 2015

Opinião


Grêmio perde com jeito de filme chato e repetitivo

Quantas vezes já vimos esse filme com esse roteiro? Nem é necessário puxar pela memória, lembrar de partidas em nosso velho casarão, o Olímpico? Basta que peguemos algumas derrotas na própria Arena para clubes pequenos com times medíocres, mas bem ajeitadinhos como o Huachipato, Cruzeiro-RS, Veranópolis, Coritiba e este Criciúma. 

Posso estar escrevendo a maior besteira, mas acho que não; acho, realmente, que pego no âmago da questão: Menosprezo, ainda que inconsciente e falta de qualidade no coletivo à partir de reposições questionáveis.

O Tricolor entrou diferente, entrou a meio pau. Como sempre, olho na tevê e áudio na Rádio Guaíba (aliás, hoje com um delay de mais de 15 segundos, o áudio chegando bem mais cedo). Tudo bem, que o Criciúma mostrou um treinador promissor, uma equipe bem postada, mas o Grêmio entrou com um delay, também.

O gol mal anulado, que poderia mudar os rumos que chegaram ao 0 x 1, reforçou a falsa "certeza" que os gaúchos ganhariam a hora que quisessem, isso foi mais um condimento no prato que o Criciúma preparou na Arena.

Geromel de excelente atuação, teve um deslize, apenas um, mas vital para um contra-ataque que culminou no tento catarinense, mais um gol de bola aérea, mais um gol de cabeça, mais um gol dito "indefensável" a exemplo do sofrido na Arena Índio Condá.

O Grêmio de inúmeras qualidades em jornadas anteriores, começa a escancarar a velha desconfiança, ou seja, o grupo não segurará a onda se o banco for chamado: Rhodolfo é nosso melhor zagueiro, Marcelo Hermes é um Bruno Colaço que não sabe bater falta, Douglas não tem reserva com as suas características, Luan está "proibido" de jogar menos do que vem jogando, porque sem ele bem, a maionese desanda.

Se Galhardo foi bem na primeira etapa, depois do gol, mostrou que não controla os nervos na adversidade (pelo menos hoje). Erazo é um  zagueiro correto, apenas isso.

Grohe de excepcional defesa na fase final, não conseguiu chegar numa bola de grau de dificuldade menor no gol assinalado por Lucca. Com ele, eu sempre fico com o coração na mão, quando a bola vai em direção ao arco gremista.

Wallace seguiu bem, Maicon ter que ser mais protagonista, muito toquinho lateral. Giuliano quase não acertou nada, Luan muito abaixo, sabe-se agora que estava lesionado, Mamute não representou acréscimo e ainda sofreu uma lesão que parece ser grave.

Pedro Rocha muita movimentação, porém dispersivo na hora decisiva, o "rondar" a área.

Fernandinho botou velocidade na frente, alguma vitória pessoal, dos que entraram, foi o melhor. Braian afunda cada vez que é chamado a atuar.

Enfim, é apenas um jogo ruim num contexto favorável para Roger, mas deixou indícios, que se desfazendo dos bons e apostando apenas no elenco presente, será um segundo semestre de muitos sustos e chances de frustrações.

Só intensidade, é pouco.

Opinião

A Copa do Brasil e a força do elenco


Hoje, terça-feira, o Tricolor enfrenta o Criciúma para avançar na Copa do Brasil. Vai com a força máxima possível.

Como o próximo confronto é somente domingo no Rio de Janeiro, entendo que não há motivos sólidos para poupar jogadores apenas por poupar. É um lapso de tempo razoável para a boa recuperação dos jogadores.

Entretanto, passado o jogo na Cidade Maravilhosa, três dias, já haverá a partida de volta no interior catarinense. Aí começam os problemas, posto  que Galhardo está “meia boca” e Marcelo Oliveira, fora de combate até Agosto. Sabe-se que o desgaste vai tirar mais gente, além das inevitáveis suspensões.

Por isso, sou da opinião que, excetuando a partida de hoje, a Copa do Brasil seja jogada em “fogo brando” até aquele instante, aquela encruzilhada de quartas-de- ou semifinais se escancarar para o atalho da competição continental. Fora essa situação, é hora de testar as alternativas de grupo. Mesclar o time.

Tiago, Lucas Ramon, Raul, Thierry, Gabriel, Erazo, Júnior, Araújo, Schuster, Artur, Lincoln, Mamute, Braian, Máxi, Fernandinho, Edinho, obviamente, não todos ao mesmo tempo; poderão compor com boa parte dos titulares em alguns jogos da Copa do Brasil, a começar pelo jogo de volta semana que vem.

Esta será a aferição real do potencial do elenco.


segunda-feira, 13 de julho de 2015



Álbum Tricolor (15)

WELLINGTON

WELLINGTON SANTOS DA SILVA – (2006)

Apelido: Wellington.
Posição: Lateral-esquerdo.
Data de Nascimento: 17 de agosto de 1985, Guarulhos – SP.


*Estreia no Grêmio:
01/02/2006 – Grêmio 1x2 GA Farroupilha - Campeonato Gaúcho.

GFBPA: Marcelo Grohe, Alessandro Nunes, Maidana, Marcelo Oliveira, Wellington, Jeovânio (Marcelo Costa), Lucas, Tcheco, Ramón, Paulo Ramos (Pedro Júnior), Reinaldo (Lipatin). Técnico: Luís Antonio Venker Menezes (Mano Menezes).


*Última partida pelo Grêmio:
22/10/2006 – Grêmio 1x1 São Paulo FC - Campeonato Brasileiro

GFBPA: Galatto, Alessandro Nunes, Maidana, Evaldo, Wellington (Aloísio), Sandro Goiano, Lucas, Tcheco (Escalona), Rafinha (Paulo Ramos), Hugo, Rômulo. Técnico: Luís Antonio Venker Menezes (Mano Menezes).


*Jogos: 31 (15 vitórias; 9 empates; e 7 derrotas).

(*) Os dados dizem respeito às informações contidas no arquivo do autor.

CARREIRA
União São João-SP (2003-2004); América-SP (2005); União São João-SP (2005); Ituano-SP (2005); Grêmio-RS (2006); Corinthians-SP (2007); FSV Mainz-ALE (2007-2008); Náutico-PE (2008); Figueirense-SC (2009); Nacional-POR (2009 - 2010); Metalurgs-LET (2010); Nacional-POR (2010 - 2011); Comercial-SP (2012); Cianorte-PR (2013); Juventus-SC (2014); Nacional-PR (2015)

GRENAL

Wellington esteve em campo em 2 (dois) clássicos GRENAL. Dois empates.

Título: Campeão Gaúcho de 2006

Por Alvirrubro

FONTES:
- Revista “Placar”
- Jornal “Correio do Povo”
- Jornal "Zero Hora"
- Grêmio FBPA
- Arquivo Pessoal

sábado, 11 de julho de 2015

Opinião



Vitória de exorcista

Mesmo com cinco vitórias consecutivas, a derrota para a Chapecoense provocou uma dúvida; o sonho da estabilidade, intensidade e confiança visto nelas estaria ameaçado? Um friozinho na barriga da gremistada perpassou entre a noite de quarta e hoje.

O primeiro tempo de zero a zero, de poucos movimentos pelos lados, começava a encorpar o demo, o Pazuzu da mitologia suméria,  da obra de William Peter Blatty, também do clássico de William Friedkin. 

Do outro lado da casamata, Roth, do inesquecível "Mazembaço" e de tantos outros fracassos, ameaçava levar a melhor sobre Roger. Aí, veio a etapa final e a diferença na batuta entre os dois times ficou evidente até para alguém que estivesse pela primeira vez num estádio e não conhecesse nada de tática.

Roger ao acelerar as jogadas pelos lados, promover a alternância de posições no ataque, chegou à vitória com muita naturalidade. Aliás, sumiram as vozes na mídia, pedindo um centro-avante tradicional. Estão momentanea e convenientemente em "stand by". Não percebem que o velho camisa 9 servirá para algumas ocasiões, não como rotina, a menos que seja um Ricardo Oliveira , Fred ou Luis Fabiano.

Os gols: Galhardo foi ao fundo, fez um cruzamento forte, o goleiro Charles rebateu para a frente e a bola achou o corpo do zagueiro. Como no pebolim, que aqui no Sul chamamos de Fla-Flu, a pelota voltou e entrou no gol vascaíno.

O segundo começou com uma dividida de Edinho, Giuliano pegou a "raspa", lançou Pedro Rocha, que tirou o goleiro com um toque de trivela à meia altura, evitando também o carrinho de Rodrigo. Golaço.

O Tricolor teve grandes destaques como Geromel, Luan, Pedro Rocha e especialmente, Giuliano. Ele e o "clássico moscão" Luan (na definição de David Coimbra) seguem estraçalhando. Luan deve ser o melhor atacante ao lado de Ricardo Oliveira nesta metade de primeiro turno. Tem Paolo Guerrero, mas este fez apenas um jogo.

Carlos Guimarães da rádio Guaíba destacou justamente o trio (Luan, Pedro Rocha e Giuliano); concordo, mas gostaria de fazer uma ressalva, Wallace deveria ser associado à lembrança do trio. Jogou demais, assim como, Pedro Geromel.

Galhardo faz esquecer o problema da lateral direita, aliás, Lucas Ramon entrou muito bem, o mesmo ocorreu com Edinho, que lacrou o meio de campo, assessorando Wallace à frente da zaga.

Grohe esteve absolutamente seguro, idem Erazo. Marcelo Oliveira é a grande baixa, substituído de forma discreta e eficiente pelo seu xará, Marcelo Hermes. Maicon bem, Douglas cansou, desconfio que até o final do campeonato será uma boa opção de banco.

Roger funcionou como o grande exorcista, confirmando que a ótima campanha não é acidental. 


Pequenas Histórias



Pequenas Histórias (87) - Ano - 1978


O choro inútil

André e Tarciso

O choro acompanha os verdadeiros torcedores. Mesmo que a situação seja de profunda alegria, ele pode estar presente até de uma forma descontrolada; uma compulsão que se apossa e marca uma conquista. Pega os torcedores de quase todas as faixas etárias.

Nas derrotas, nos momentos de tristeza, o choro se faz mais presente entre os adolescentes, o mundo desaba diante de um insucesso, que parece eterno. Os mais maduros conseguem administrar, usando a razão e aguentam o tranco melhor.

Tenho em minha vida inúmeras passagens de choro, algumas pelo Grêmio, a última foi a Batalha dos Aflitos, já passado dos 40 anos. Foi um choro de alegria.

Sei que na adolescência devo ter chorado nas derrotas, especialmente as sofridas para o Coirmão nos anos 70, mas não lembro de uma ocasião certa, daquelas que a gente recorda de cara. Foram deletadas da mente.

Porém, curiosamente, um dos maiores choros, já me pegou aos 19 anos, foi de alegria, mas de uma inutilidade a toda a prova. Um choro inútil, como vou lhes contar.

Foi no Brasileiro de 1978, nas quartas-de-final daquele campeonato, que acabou vencido pelo Guarani de Campinas. Pois bem, nesta fase da competição, um dos cruzamentos foi Grêmio versus Vasco da Gama; primeiro jogo no Maracanã, em 27 de Julho, o segundo, três dias depois no estádio Olímpico. 

O clube da Cruz de Malta tinha a vantagem em caso de igualdade de resultados, mesmo assim, o primeiro confronto foi no Rio de Janeiro, na quinta à noite. A partida terminou empatada, 1 a 1, Guina fez para o Vasco e André empatou. Excelente resultado para quem tinha jogado a ida fora de seus domínios.

No Domingo, às 15 horas, mais de 57 mil pessoas ocupavam o Olímpico e o Tricolor de Telê Santana foi à campo com Walter Corbo; Vilson Cereja, Atílio Ancheta, Vicente e Ladinho; Vitor Hugo, Tadeu Ricci e Yúra; Tarciso, André Catimba e Renato Sá. 

O time carioca orientado por Orlando Fantoni entrou com Mazaropi; Orlando Lelé, Fernando, Gaúcho e Marco Antônio; Zanata, Zé Mario, Guina e Dirceu Guimarães; Roberto Dinamite e Paulinho.

Ainda jogaram Valderez e Oberdan (Grêmio), Helinho e Paulo Roberto (Vasco da Gama).

Eu tinha uma certeza indestrutível que o Imortal ia passar, o time Tricolor era melhor, mais ajustado, tinha Telê, na minha cabeça de jovem, o maior treinador do mundo, apesar de teimoso e de ter punido o time ao afastar Éder, após uma brincadeira infeliz do ponta, que envolveu os sapatos do técnico.

Essa certeza começou a ruir aos 19 minutos da primeira fase, quando Roberto Dinamite marcou e as primeiras cenas dramáticas deram as caras.

Quase ao final da primeira fase, mais exatamente, aos 39 minutos, veio o lance que me levou ao choro. Um pênalti para o Grêmio e a chance de empatar, antes do intervalo.

Tarciso foi o escolhido para bater, mas como? Tarciso? Me veio à lembrança o ano anterior, a decisão do Gauchão, a quebra da hegemonia vermelha no Rio Grande, o Grêmio, antes do gol de André, tivera uma penalidade a favor e Tarciso, o que jamais perdera um pênalti, foi, bateu e mandou longe da meta, um desespero para a torcida, para o mais otimista dos torcedores até o tento antológico de André.

Três dias passados, jogo das faixas, Grêmio e Palmeiras, Olímpico, pênalti e o que faz Tarciso? Repete a cobrança do domingo anterior e manda ao lado da goleira. Coincidência?

Menos de um mês decorrido e o Tricolor encara o Joinville pelo Brasileiro, novo pênalti e quem vai bater? Tarciso. Era para espantar os fantasmas, porém, o que acontece é a terceira perda seguida, da mesma forma, bola fora do "alvo", sequer alcançou a goleira.

Depois disso, houve troca do batedor, Tadeu e Éder, os novos, voltaram a converter com um ou outro perdido.

Pois, naquele momento, 39 minutos da primeira fase, eu ouço o narrador dizer que é Tarciso que vai para a cobrança, por que? Mazaropi tinha fama de pegador de penalidades. O Imortal precisava mais do que nunca empatar. A adrenalina subiu, foi aos píncaros, o coração disparou.

O mineiro foi para a bola, chutou com força, inapelável, estufou as redes, exorcizou o seu recente histórico. E eu chorei. Chorei tanto, quanto algumas conquistas inesquecíveis.

Veio a etapa final e o Grêmio não furou o bloqueio do clube da Colina. Telê fez entrar o zagueiro Oberdan, exímio cabeceador, como ponta-esquerda no lugar onde deveria estar Éder. Surrealismo puro.

O Vasco segurou a onda e se classificou com o novo 1 a 1. Ficamos no quase.

Acho que eu fui o único gremista a ficar com uma recordação monumental de um episódio irrelevante na história do Tricolor. De um jogo comum que ficou escondido na estatística.

Utilizei os dados do cedê rom da Placar e do site sosumulas.blogspot.com.