Pequenas Histórias (237) - Ano - 1956
Um Gre-Cruz em dois meses
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| Fonte:gremiopedia.com |
O campeonato gaúcho foi interrompido; lá se vão mais de 100 dias sem ele e em praticamente todos os certames no Brasil seguindo na mesma batida. Uma interrupção quase inédita, só vista em 1923 nos pagos gaúchos, quando da luta entre Chimangos (antigos Pica-paus) e Maragatos.
Aí, eu recebi um material do amigo Alvirubro sobre uma partida que interrompida, levou quase dois meses para ser concluída. Um Grêmio versus Cruzeiro começando no feriado de 15 de Novembro de 1956 e só sendo concluído no final do ano, depois do Natal, mais exatamente no dia 27 de Dezembro.
O Tricolor de Foguinho formou com esses onze da foto com uma pequena dúvida: Milton saiu jogando ou foi Delém? Sabe-se que ambos participaram do confronto. Um no lugar do outro, única troca do Grêmio.
O Cruzeiro de Joni usou nos dois tempos: Amaury (Enio); Gregório e Bruno; Nonô (Neno), Salvador e Cará; Tesourinha II, Rudimar, Hermes (Figueiró II), Nardo e Jarico (Ruarinho).
Aos 14 minutos, Vieira abriu o marcador para o Tricolor. A partir deste tento, a agremiação cruzeirista passou a distribuir botinadas, tornando a partida muito violenta, contando com a fraca atuação do árbitro.
Aos 42 minutos, Juarez cabeceou, Amauri apesar de sofrer encontrão do atacante, defendeu , no entanto, deixou o "balão" escapar, entrando no arco. A equipe da Colina Melancólica reclamou da falta do centro avante gremista no arqueiro Amauri. Após um momento de hesitação, o juiz Alfredo Bernardo Torres, confirmou o gol, fato que gerou grande revolta entre os visitantes, em especial, Rudimar que acabou expulso.
Os atletas gremistas se dirigiram ao arco de Sérgio Moacir e apenas assistiram a cobrança forte do adversário que cercou o árbitro. Sem conseguir conter os ânimos, faltando 3 minutos para o final do primeiro tempo, a partida foi interrompida.
Sem datas disponíveis de imediato, a conclusão só ocorreu no final do campeonato já com ele decidido, isto é, com o Grêmio campeão metropolitano.
Na volta para o complemento do jogo, o Cruzeiro tentou anular a expulsão de Rudimar, porém, foi mantido o relatório da súmula, desta forma, com 10, perdendo por 2 a 0, o Cruzeiro virou presa fácil. Contra si ainda, o Olímpico recebeu o público de portões abertos, lotando o estádio com a massa em estado de euforia pela conquista do título.
A partida teve 3 minutos faltantes do tempo inicial, um intervalo de 5 e logo o reinício para a segunda fase.
Logo aos 15 minutos, Hercílio arrematou forte, Salvador tentou evitar, mas acabou marcando contra. 3 a 0.
Aos 34 minutos, novamente em grande jogada, Hercílio cruzou para Juarez, o Tanque, cabecear ampliando. 4 a 0.
Em tarde inspirada, Hercílio aos 44 minutos marcou um gol olímpico, sacramentando a goleada: 5 a 0.
Começava a Era Oswaldo Rolla no Imortal, período de 12 títulos em 13 anos, além de uma revolução tática e física no futebol gaúcho.
Com o seu humor cáustico, Seu Rolla (Foguinho) seguia irritado com a interrupção da partida lá em Novembro. Declarou ao final da goleada: "Se o TJD quiser, podemos começar tudo novamente".
Fonte: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro