A Nefasta Cultura que busca o Épico
Pode um time de mesma hierarquia na competição, jogando no campo do adversário, vencendo por 2 a 0, logo aos 14 minutos do primeiro tempo, ao ver o oponente perdido, golear? Claro que não!
Se isto ocorrer, isto é, meter 3 ou 4 gols, vencer de forma incontestável, o que vão pensar? Que a partida foi mamão com açúcar, aí, não vale. Não é um triunfo épico, o jeito é recuar, imediatamente e "negociar" três pontos garantidos por risco de um 2 a 1 apertado, uma resistência de heróis, daquelas em que o grupo teve que suar sangue, ralar muito, arrastar a bunda na grama, etc. Existem várias expressões para justificar isso.
Pois bem, à exceção de Telê Santana, não conheci treinador que fosse ferrenhamente fiel aos seus princípios, que teve uma derrota histórica em 82, mas que não manchou o seu belo trabalho, nem impediu os mundiais de clubes que vieram em sequência na década seguinte.
Há casos esporádicos com outros técnicos, mas, óbvio, por serem bissextos, não dá para considerar como característica de suas biografias.
Para ilustrar, eu lembro de um Grenal em 2009, ocasião em que o Tricolor perdia, Alex Mineiro empatou e, dois minutos passados do gol, o treinador sacou um ala ofensivo e botou Héverton, um ex-júnior, que andou pelo São José, para "reforçar" a defesa no melhor momento do Grêmio no clássico: Resultado: perdeu por 2 a 1.
Esta tarde, outro exemplo, vi o Inter SM abrir 2 a 0 em Bagé, diante do Guarany, com toque de bola, bons passes, controle do jogo. O que aconteceu? Recuou, recuou e recuou.
O Guarany, com apenas uma jogada, bola levantada na área, a zaga retirava, ela caía para os meio-campistas colorados que, embora sós, preferiam dar um bico para as laterais do campo e vibrar como se fosse um gol, do que armar possíveis contra ataques.
Como terminou? O "Índio" da fronteira, com 3 de seus zagueiros titulares fora + um atacante lesionado e com apenas 5 no banco de reservas, virou para 3 a 2.
O que aconteceu depois da virada? O Coirmãozinho Santa-mariense voltou a atacar, mas já era tarde.
Tenho certeza de que essa desistência da vitória com largo placar construída antes dos 15 minutos iniciais não veio apenas pela cabeça do técnico estreante, William Campos (bom treinador), mas dessa irrefreável e nefanda ideia de tornar uma partida fácil em algo a ser lembrado com heroísmo; uma jornada épica.
Infelizmente, o que ocorreu no Estádio Estrela Dalva, nós, gremistas, colorados, corintianos, flamenguistas, atleticanos, etc... já presenciamos na história de nossos clubes.
É um vírus de muito contágio.

Excelente texto.
ResponderExcluirAlexandre
Gracias. Abraços.
ResponderExcluirBruxo,
ResponderExcluirAlgumas considerações "off topic":
90% da torcida Gremista faria exatamente as mesmas merdas que as direções vem fazendo há anos. A nova insanidade geral, e não sei explicar o motivo, é pela contratação de Phillipe Coutinho, do Vasco, que ontem foi substituído no intervalo em jogo contra o Volta Redonda. Coutinho, que depois que voltou para o cruzmaltino, não jogou muita coisa a mais que Franco Cristaldo.
Outra: querem que o Grêmio atravesse o Palmeiras e busque o zagueiro Nino, ex-Fluminense e atualmente no futebol russo, pela bagatela de 19 milhões de Euros (R$ 117 mi). O custo da aquisição da Arena por um zagueiro que atua no futebol russo e ninguém sabe como está atualmente. "Ah, mas serve para o Palmeiras, não vai servir para o Grêmio?!". Acontece que o Palmeiras tem margem e bala na agulha para errar, o Grêmio não. Para desembolsar um valor desses (e nem tem de onde tirar!), é necessário ter mais que 100% de certeza que chega, farda, joga e resolve o problema, o que a meu ver não é o caso.
Enfim, não adianta culparmos somente Alberto Guerra, Romildo Bolzan e afins por terem enfiado de vez o Grêmio em um abismo, a esmagadora parte da torcida faria as mesmas coisas (ou coisas piores) caso estivessem no lugar destes.
Coutinho é uma caricatura de jogador hoje em dia. Joga nada...os vascaínos só botam esperança nele, mas se desiluden depois. O Paulo Henrique é um Madson...vai atacar de monte e deixar latifúndios na defesa!
ExcluirMelhor ficar como está!
Anderson
Rafael
ResponderExcluirPerfeito.
É isso que, às vezes, o pessoal me critica. Pergunto: Como não condenar contratações como Rodrigo Caio, quando veio, Thiago Santos, que nunca jogou nada, Marcelo Grohe, que andava na descendente (2018) e está num futebol de pouca exigência indo para 8 anos, lá (imagina a defasagem dele), como ocorreu com Cuéllar e essa de contratar um zagueiro pelo valor da Arena é demais.
Com a escassez de grana, o clube ou é MUITO cirúrgico no mercado, ou busca na base.
Eu disse que não mudaria nada...tudo se confirmou.
ResponderExcluirÉ o tal pensamento mágico.
Queriam só cascudo...
Queriam só a base...
Queriam só jogador vindo do exterior...
Agora...jogador que torce pelo clube.
O feudo tricolor é isso.
A IVI ESTA REFORÇADA...O CAPITÃO DA IVI ESTA RESPALDADO PELO SUB TENENTE DA IVI...QUE COISA LASTIMÁVEL.
ResponderExcluirTIM MAIA...QUE BELEZA
ResponderExcluirBruxo! Aqui vai meu agradecimento pela sua sapiência em manter o blog "aberto".
ResponderExcluirNão somos isto ou aquilo...somos uma mistura de conhecimentos...
Bueno
ExcluirNão sei se tu és o mesmo que posta comentários sobre música.
O blog é sobre futebol, como essas intervenções são pequenas (menos de uma linha) e de música, eu não me importo.
Assim como estão, eu não vejo problema, até porque o gosto é parecido com o meu, mas, é óbvio, manter esses comentários vai da extensão e da forma deles. Abraços.
Ok
ExcluirDULCE QUENTAL....PURPURA.
ResponderExcluirBruxo, estou perdendo a motivação em ouvir notícias do Grêmio na grande mídia e em alguns comentaristas esportivos de canais do YouTube. Mesmo identificados como gremistas, parecem sempre lançar pautas com o objetivo(pelo menos é o que parece) de fomentar crises internas na instituição e conseqüentemente no futebol. Uma das últimas que vi e ouvi, foi de uma "suposta" desavença entre Dutra e Rigo. Se continuar nessa toada, vou assistir aos jogos, quando der, e não irei + assistir ao pré e pós jogo. Cheguei a conclusão que há muita intensão obscura para conseguir + membros e + likes e etc., etc. e etc. Enquanto isso, o maior prejudicado acaba sendo o próprio Grêmio.
ResponderExcluirSabe quando esses implantes de crises irão acabar? Quando obrigarem esses "jornalistas" esportivos a dar a fonte das "informações" deles. Hoje é muito fácil, eu posso vir aqui e dizer que o Dutra e o Rigo saíram no soco no gabinete da presidência, que a minha fonte me passou a informação mas pediu para não divulgar o nome. Como sou protegido pela Constituição, não divulgo quem me falou. Mas e quando isso só é dito para alimentar crises? E quando o jornalista não tem a menor ética (como é o caso de um, que era do Rio Grande do Sul e hoje está foragido lá em São Paulo) e só espelha bobagens para ver o circo pegar fogo no rival do seu clube do coração?
ExcluirEnfim, a vida do jornalista esportivo hoje é muito fácil, é falar um monte de merdas nas redes sociais, sem nenhum compromisso com a verdade, e fica tudo por isso mesmo.
Rafael
ExcluirCabe aos torcedores ignorarem determinados "jornalistas" e influencers.
Bruxo, vou te falar que praticamente 100% dos jornalistas esportivos do RS estão operando dessa forma, tudo pelo clique, a ética que se exploda. Desde os identificados até os ditos isentos. O negócio tá feio!
ExcluirMesmo sentimento.
ResponderExcluirEu até reduzi as postagens, porque é muita especulação, muita busca pela atenção do leitor, ouvinte, telespectador, etc...
Além do que é o ambiente interno do clube, então temos o real desconhecido dele e as especulações com outras intenções que passam longe do bem-estar da instituição.
Muito feio, Rafael
ResponderExcluirA gente não sabe mais o que é verdade ou caçadas por likes.