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sexta-feira, 6 de junho de 2025

Especial

Pequenas Histórias, o livro 

"Eu "fechava uma mesa", ainda assim, vi Paulo César Lima, o Caju, esticar uma bola para Renato, que enveredou e entortou o alemão como se estivesse jogando no estádio da Montanha, em Bento Gonçalves. Bateu entre o goleiro Stein e a trave. O arqueiro petrificou (com o perdão do trocadilho; para quem não sabe, Stein = Pedra, na língua de Goethe). Golaço!!!"

(O Jogo da Noite Eterna)

"Perguntado se não teve medo daqueles enfrentamentos, respondeu: - Não sei o que é isso. Sou de uma terra, onde as pessoas, se têm que fazer alguma coisa, vão e fazem."

(Vamos "Caciar", Telê?)

"Fora do campo, uma organização terrorista havia comprado 7.000 ingressos para o jogo e estava planejando fazer um protesto durante a partida. Mujahedin Khalq era um grupo baseado no Iraque financiado por Saddam Hussein, cujo principal objetivo era desestabilizar o regime iraniano.

Então, temia-se tudo naquele confronto pelo Grupo F, integrado também, por Iugoslávia e Alemanha, programado para o dia 21 de junho na cidade de Lyon."

(Uma Chance à Paz)

Estou apresentando o meu primeiro ebook, que é a quarta obra que produzo, o primeiro de crônicas, mais exatamente, crônicas esportivas. Acima, trechos de três delas que integram o livro sobre o Mundial em Tóquio em 1983, a vinda de Cassiá, jovem da fronteira do Rio Grande, que substituiu o capitão Ancheta (lesionado) nas finais do Gauchão de 1977 e o tenso confronto entre Irã e EUA na Copa da França, 1998, devido às suas relações políticas e diplomáticas.

São mais de 70 que mostram a minha relação de vida com o Tricolor e passagens curiosas presentes nas diversas edições do Campeonato Mundial de Seleções (Copa do Mundo).

Há 12 anos escrevendo neste blog, resolvi registrar parte das postagens dele (algumas são inéditas) neste livro digital, que disponibilizo para venda em dois formatos: Epub através da Amazon (é fácil fazer a busca nesta plataforma online, pelo título e/ou autor) e em PDF, neste caso, pela Hotmart, usando este link:  https://go.hotmart.com/V100006689H

É uma forma de lembrar do blog, quando ele encerrar "suas atividades". Espero que leve um bom tempo ainda.

Se gostarem, por favor, divulguem. 

Abraços.

bruxo niederauer




terça-feira, 17 de setembro de 2024

Pequenas Histórias

Pequenas Histórias (301) - Ano - 1983

Obrigado, César! 

Foto: Juan Carlos Gomez - ZH

Morreu César. Partiu para a eternidade o camisa 9 que marcou um dos gols mais importantes destes 121 anos, recém completados pelo Tricolor gaúcho.

É difícil expressar em um único texto, a gratidão daquela geração de gremistas que testemunhou o voo libertador. O  encontro de um Cesar "horizontal" com a bola e o consequente míssil para o fundo da "cidadela" jalde negra uruguaia, que alterou a gangorra Grenal. Ela pendeu fortemente para o lado azul.

César Martins de Oliveira era um centro avante técnico, que apareceu para o grande público, quando jogando o Brasileiro de 1979 pelo América RJ, tornou-se o artilheiro do certame com 13 gols, o que lhe valeu a ida para o Benfica, de Lisboa, onde atuou por quatro temporadas exitosas, porém, o destino lhe reservou a passagem pelo Grêmio como o ponto luminoso de sua carreira.

Assim como André Catimba em 1977 no Gauchão, César fez poucos gols na Libertadores, dois absolutamente importantíssimos: La Plata na batalha dos 3 a 3 e este da final, naquele mágico e gelado 28 de Julho no Olímpico Monumental.

César era um centro avante diferente, ou seja, era 9, mas tinha "pinta" de outra coisa. Se não se parecia com Alcindo e André, ambos, quase personagens saídos de um faroeste spaghetti de Sergio Leone ou Sérgio Corbucci, também não possuía o jeito carente e desprotegido de Baltazar e Caio Gaguinho, impressão que se dissipava com o balançar frequente das redes adversárias. Surpreendiam, com certeza.

 Na verdade, César passava credibilidade:

"- Eu sei que sua família gostou deste modelo, mas eu sugiro este outro que tem câmbio automático e direção elétrica.

 - Ok, tu me convenceste. Vamos optar por ele, então."

Uma pessoa que inspirava confiança e ser de fácil trato, que poderia atuar noutro ramo, sempre com sucesso.

Cesar, quis o destino, que se tornasse o libertador da nação gremista, porque, se André interrompeu a sequência do Inter no Gauchão e se Baltazar (e Paulo Isidoro) garantiu o primeiro campeonato Brasileiro, ainda havia uma defasagem, algo a superar, de suplantar o principal rival, que vinha de um octa regional e de um tri nacional.

Com o gol e o título libertador, o Tricolor mudava de patamar antes de seu principal oponente, ali, os gremistas relaxaram e puderam comemorar uma conquista inédita no Rio Grande.

Em Tóquio, a cereja do bolo. O topo, o inimaginável.

Igualar, talvez; superar, jamais. Como disse Fábio Koff: Nada pode ser Maior. Mas tudo começou no salto extraordinário de César.

Obrigado, César. Eterno César!




domingo, 14 de janeiro de 2024

Pequenas Histórias

Pequenas Histórias (300) - Ano - 1977

1977 - Os Alquimistas estão Chegando

Fonte: J B Scalco - Revista Placar

Semana que vem inicia o campeonato gaúcho de 2024 e me vem à mente, o mais relevante em minha memória afetiva: o de 1977, que quebrou o ciclo vitorioso do Coirmão. Não foi mero acidente, mas um conjunto de acertos como raras vezes vi. Sem dinheiro, o Tricolor (aí, todos os níveis da instituição) ganhou de forma incontestável, aplicando goleadas, "chocolates", sempre aliando técnica, tática e têmpera de campeão. Uma alquimia para estudo e modelo a ser seguido.

Começou com a vinda de Telê Santana na metade do segundo semestre de 76, que logo percebeu que aquele "cano de time" precisava ser revisto a partir do que o grande arqueiro Agustín Mário Cejas detectou. Em sua saída do clube no final daquele ano, sentenciou: "Uma partida ganham os jogadores, um campeonato ganham os homens". O argentino que atuou ao lado de Pelé, mais uma vez, tinha razão.

Aí começou a reformulação do elenco. Numa época onde inexistia internet, olheiros contratados por todo o país e Centros de Excelência de Dados, o mago Telê Santana liderou a montagem daquele grupo vencedor. Primeiro, ele olhou para dentro do clube e manteve Eurico, Ancheta, Iúra e Tarciso. Aproveitou Vitor Hugo, um volante que veio no segundo semestre do ano anterior, que tinha o canudo de Jornalista. Depois, repassou sugestões certeiras para a Direção viabilizar o time.

Vieram Walter Corbo, goleiro uruguaio que estava entre os 22 selecionados para a Copa do Mundo de 70. Trouxe Oberdan, um zagueiro viril e irresignado, cuja liderança ombreava com Carlos Alberto Torres, Gilmar, Zito e Pelé nos anos 60 no clube da Vila Belmiro. No Coritiba, então, nem se fala. Ele era o cara. Tinha tanta autoridade que indicou o discreto e eficiente lateral Ladinho (do rival Atlético Paranaense) para o técnico gremista, dica aceita na hora. Isso, com poucos dias de Grêmio.

Estava fechada a zaga titular. Telê passou a montagem do meio e do ataque. Pegou Iúra, um menino criado na base, que todo começo de temporada, lustrava o banco de reservas todo final,  ele virava titular. Era múltiplo, começou nos profissionais como ponta direita e rodou por todas as posições do meio de campo para frente. Telê o fixou como meia esquerda. Outro ponto positivo para o treinador.

Tarciso, há anos, um centro avante incompleto e irregular, Telê o puxou para a ponta direita, posição que o mineiro relutou, pois faria concorrência com seu amigo, também mineiro o consagrado Zequinha. Assim, o Flecha Negra chegou à Seleção.

Faltavam três posições cruciais: alguém para o lugar de Neca, revelado por Ênio Andrade e jogador de Seleção Brasileira, outro para a ponta esquerda, verdadeira parada torta, pois a 11 era de Ortiz, simplesmente o ponta da Seleção Argentina (e futuro campeão mundial em 78) e a mais emblemática de todas: o centro avante. 

Não poderia haver vacilo: novamente, a sabedoria do comandante, primeiro campeão brasileiro na era moderna (1971 com o Atlético) emergiu. Ele recrutou uma lenda gremista, Alcindo, não satisfeito, mandou vir do Guarani, o centro avante André. Um camisa 9 espetacular e com muito custo, na verdade, um investimento altíssimo, Telê indicou o menino Éder, 19 anos, genioso e genial para finalizar a escalação do time, o novo camisa 11.

Faltou alguém? Sim, o mais completo jogador, o craque do time, o representante do comandante técnico dentro das quatro linhas, o líder silencioso do elenco, o gestor do grupo e acima de tudo, um ídolo para a torcida e uma referência ética na lida com a imprensa gaúcha: Tadeu. No Tricolor, ele viu o sobrenome acrescentado (Ricci), porque já existia outro Tadeu, o beque (Tadeu Vieira).

Tadeu (foto acima), o jogador que mais me passou o significado do conceito "Cerebral". Advogado de formação, ele a exemplo de Oberdan, indicou o seu ex-colega de time (América RJ), o também advogado, lateral Paulo César Martins para moldar o perfil forte do elenco.

Além desses, Telê apostou em Vilson Cereja para as laterais e zaga, trouxe a raça gaúcha na figura do zagueiro Cassiá, deu chances aos jovens da base como (Jorge) Leandro, o ponta Gino e Renato Lima (Tia Joana). Manteve outro juvenil, Luiz Carlos, um meia canhoto clássico e Zequinha, que junto com Alcindo, ambos deram alternativas ótimas para o ataque com experiência e biografia de Seleção Brasileira.

Verdade que o Mestre arriscou, apostando em dois goleiros da base como alternativa nas ausências de Corbo: Alexandre e Remi. 

Esse grupo talentoso, não era apenas de craques no trato com a bola, mas de elevada compreensão tática e senso coletivo. Ele encontrou em Telê, o grande profissional que soube ouvir e ser ouvido, isso resultando num elenco participativo, entrosado e comprometido.

Havia um líder na casamata, mas dentro dos gramados, existiam muitas cabeças pensantes que criaram aquele que foi o time dos sonhos de minha geração adolescente nos anos 70.

Fonte: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro


 






sábado, 2 de dezembro de 2023

Pequenas Histórias


Pequenas Histórias (299) - Ano - 1984


Lendas da Paixão chamadas Futebol


Fonte: Revista Placar


O Domingo, 03 de Dezembro, reserva o jogo de despedida em solo gaúcho, de Luizito Suárez, uruguaio que cumpriu um ano espetacular não apenas para o clube, mas para a sua carreira. Quase uma unanimidade. É um extra classe que entra para a história do futebol brasileiro, muito mais para a do Tricolor dos Pampas.

Será contra o Vasco da Gama do técnico Ramón Diaz, outro mestre da camisa 9, clube que vem numa situação periclitante, mesmo sendo SAF, que flerta com a zona de rebaixamento. Diaz, figura obrigatória na arte de botar a bola para as redes.

Para ilustrar o momento, busquei o ano de 1984, mais exatamente, 12 de Maio, onde várias figuras mitológicas do futebol se encontraram no Estádio Olímpico. Era partida de ida de uma das semifinais do Brasileirão, o Grêmio, campeão da Libertadores (e do Mundo) enfrentava o clube de São Januário, treinado por Edu Antunes (irmão de Zico), também, técnico da Seleção Brasileira naqueles tempos, tal qual Fernando Diniz nos dias de hoje. Edu que fora atleta de Froner no Flamengo.

Dentro de campo, Hugo De Léon, eterno capitão gremista, Renato, o herói da conquista do Mundial mais Tarciso, já sendo chamado de "veterano" nas transmissões esportivas. Simplesmente, o atleta que mais vestiu a camisa gremista em sua centenária história. Um torcedor dentro dos gramados, assim era o Flecha Negra.

Do lado Cruzmaltino, o camisa 10, maior jogador vascaíno de todos os tempos, máximo artilheiro  das edições do certame principal do país: Roberto Dinamite. Emérito batedor de faltas e penalidades máximas. Meteu 190 gols em 328 partidas pelo Brasileirão. Duas Copas do Mundo  no currículo. 

Mas, havia mais duas personalidades marcantes no futebol gaúcho envolvidos naquele dia: o treinador Carlos Froner, um estrategista, que naquele ano levaria o Grêmio à decisão da Libertadores, perdendo para o bom time do Independiente, impedindo o bi campeonato Azul. A outra, o narrador Armindo Antônio Ranzolin, que estreava na Rádio Gaúcha, naquela que seria a principal troca entre emissoras concorrentes. Foram anos na rival Rádio Guaíba, que ele ajudou a firmar um grande número de ouvintes fieis àquele dial.

Em sua primeira narração, justamente, esse Grêmio x Vasco, Ranzolin cometeu uma "defesa oportuna", quando quase levava "um frango": Ao evocar a identidade da rádio, acostumado à velha casa; bradou: "Aqui, Guaí... úcha!", consertando na hora, tal qual um arqueiro que se recuperasse de uma penosa entre as pernas. E seguiu a transmissão.

Numa partida em que o Grêmio foi muito superior, o placar ficou num escasso (que se revelaria insuficiente no jogo da volta) 1 a 0, gol de Tarciso, que aparou um cruzamento de Caio aos 33 minutos. Ele que ficaria de fora na partida do Rio, por ter levado o terceiro cartão amarelo, antes de marcar o tento único.

Esperava-se mais de 70 mil pessoas, porém, "apenas" 56.621 formaram o público,

Passados quase quatro décadas, o Imortal lança um novo mascote inspirado no seu avante, segundo maior artilheiro de sua história. Tarciso, um mineiro que veio e ficou no Rio Grande, assim como o outro mineiro, Mazzaropi, o sergipano Dinho e o uruguaio Ancheta.

A água do Lago Guaíba deve ter um encanto. Ou seria a paixão de ser gremista que produz essa magia?

Fonte: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro
            www.gremiopedia.com
             wikipedia.org

Fica o vídeo com a partida na íntegra, lembrando que o gol único ocorreu aos 33 minutos da etapa final.


 

domingo, 19 de novembro de 2023

Pequenas Histórias


Pequenas Histórias (298) - Ano - 1970 - 1980

Na Minha Época (Antigamente)... 

Fonte: Arquivo Pessoal do Amigo Alvirubro

Quem nunca usou ou ouviu esta expressão, que geralmente, remonta à infância, adolescência e dependendo da idade, até aos primeiros anos da segunda década de vida? Às vezes, ela soa irritante e desvirtuada da realidade, mas em boa parte acerta, quando traz à memória os aspectos positivos de inevitáveis comparações e o futebol é um campo vasto para estas "viagens" nostálgicas e eu possuo várias passagens, a maioria, de alegrias e de lembranças sólidas.

Estava assistindo o filme No Ritmo do Coração, Coda, no original; após, lembrei do jogo da Seleção e acompanhei a constrangedora parte derradeira, momento em que a Colômbia virou, realizando um feito histórico.

Pensei: a Seleção de 70 deixou Ademir da Guia, Dirceu Lopes, Zé Carlos e Toninho Guerreiro, de fora. Nem Manga, melhor goleiro brasileiro, porém, atuando fora do Brasil (Uruguai) foi convocado. Quem viu, sabe de quem estou tratando. Extra classes, sem dúvida. E assistiram a Copa pela tevê. Meio século passado, o que vi era impensável, o Brasil não ganhou os três últimos confrontos com adversários sul americanos. Era.

Aí, o filme saudosista continuou com o pênalti defendido por Alberto em pleno Maracanã, garantindo o triunfo sobre o Botafogo (1968), prosseguiu com o incrível lance de calcanhar de Chamaco Rodriguez, o que hoje chamam de gol Escorpião, Scotta marcando o primeiro tento dos certames nacionais na goleada sobre o São Paulo em pleno Morumbi, ambos em 1971.

E aquela escalação que mais parecia uma poesia recitada por todo gremista: Corbo; Eurico, Ancheta, Oberdan ... a máquina montada pelo mestre Telê Santana em 77.

"Naquela época", os elencos eram duradouros e o sonho de todo jovem atleta era jogar no Grêmio, Inter, Palmeiras, Fluminense, o exterior era algo intangível.

Acompanhar o Brasileirão com Zico no Flamengo, Roberto Dinamite no Vasco, Jairzinho no Botafogo, Paulo Cesar Caju e Rivellino no Fluminense, Figueroa no Inter, Tostão e Dirceu Lopes no Cruzeiro, Cerezzo e Reinaldo no Galo, Telê Santana e Ênio Andrade na casamata do Grêmio, era rotina.

E as Copas do Mundo? Pelé e Tostão (70), Cruyff e Beckenbauer (74), Kempes e Teófilo Cubillas (78), Falcão, Cerezzo, Zico e Sócrates (82) e Maradona  com seus gols mágicos e "políticos", redentores, vingativos, cada um, obra de arte em 1986.

E a Imprensa? Os narradores Geraldo José de Almeida, Pedro Carneiro Pereira e Armindo Antônio Ranzolin. Lá no centro do país, Valdir Amaral e Jorge Cury. Comentaristas Ruy Carlos Ostermann, Antônio Carlos Porto, Lauro Quadros e as colunas fantásticas de Paulo Sant'Anna, os repórteres, irmãos Lasier e Lupi Martins, João Carlos Belmonte, Laerte De Franchesci, arrancando notícia inédita num cafezinho ou cachacinha com os treinadores em final de treinos, o chamado "furo de reportagem".  E o plantão esportivo Antônio Augusto, imbatível na fidelidade das estatísticas. Este segmento esportivo (a Imprensa) é aquele que mais regrediu, ficou incompetente. "Emburreceu", passou a atender outros interesses. Pelo menos, é o que parece.

E os uniformes? Observem a foto acima, ela está limpa, "clean". Paciência! Outros tempos. Grêmio versus Esportivo, estreia oficial do menino Jorge Leandro com a camisa 10, ano de 1977. A novidade era a camisa do goleiro Walter Corbo.

Até os patrocinadores eram variáveis, o que dizer do presente? Querem apostar?

Posso estar enganado, mas a expressão "antigamente, na minha época", nunca esteve tão atual. A começar pela Seleção Canarinho.

Sinais dos Tempos.








sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Pequenas Histórias


Pequenas Histórias (297) - Ano - 1970

A Primeira Zebra da Loteria Esportiva 

Fonte: Arquivo Alvirubro

1970 deixou dois legados para os brasileiros: o tri campeonato mundial com a melhor seleção de sua história e a Loteria Esportiva, que por anos foi a principal aposta da sorte para o povo em geral.

O primeiro experimento ou teste (nome que ficou consagrado) ocorreu em 19 de Abril e apenas os cariocas, assim eram chamados os que nasceram no extinto estado da Guanabara, tiveram o privilégio de arriscar uma "fézinha" no novo jogo que continha 13 partidas de futebol. E o Grêmio, diante do Esportivo lá na Montanha, Bento Gonçalves, teve o seu nome no "clube 2", o dos visitantes no número 9. Para os apostadores, o Tricolor era franco favorito.

Na mesma data, no Mineirão, a Seleção Brasileira se preparava para a Copa e encarou um combinado Cruzeiro/Atlético Mineiro, tendo alguns atletas muito vaiados, mesmo assim, aplicou um 3 a 1 sem sustos.

 Na preliminar, o Grêmio duelou com o América Mineiro. Meteu 2 a 1, gols de Loivo e Wolmir, ambos pontas esquerdas, porém, o segundo atuou como centro avante; tornou-se a melhor figura em campo.

Como o campeonato gaúcho já estava em andamento, sem alternativa pela coincidência de datas, o Grêmio subiu a Serra, levando um elenco completamente de reservas. Utilizou: Rubens; Ivo Wortmann, Fiorese, Áureo e Clóvis; Clairton, Júlio Amaral e Adilson; na frente, três centro avantes, Romualdo, Bebeto e Paraguaio.

O Esportivo mantinha uma formação de muito tempo, treinado pelo mítico Abílio dos Reis: Clenio; Adair, José, Ademir e Marcos; Paulo Araújo, Rui e Neca; Gonha, Lairton e Ronaldo (Décio).

O Alvi azul da terra dos vinhedos amassou o Grêmio na primeira etapa, acertando duas bolas na trave, mas o placar se manteve fechado.

No segundo tempo, Abílio lançou mão do ponta esquerda Décio, que variou com Gonha nas posições, confundido o setor defensivo gremista. Numa dessas, Gonha pela esquerda encontrou Décio do outro lado, que aproveitou o cruzamento e de cabeça marcou o único tento do confronto.

Como a maioria da população desconhecia o fato do Tricolor encarar o Esportivo com os reservas, o Teste 1 da Loteca, não teve vencedor, muito principalmente porque no jogo 9, deu coluna 1. Uma zebra aos olhos do Brasil.

Décio, três depois, tornou-se protagonista da primeira vitória de um clube do interior sobre o Inter no Beira-Rio, 2 a 1, ele marcou os dois. No encontro, houve a estreia do jovem Paulo Roberto Falcão.

Lembro de ter ouvido a partida, o saudoso Milton Ferreti Jung narrou pela Guaíba e apelidou o protagonista como Décio, o Escoteiro, por jogar isolado na frente.

Ironicamente, a vitória gremista com os titulares sobre o América Mineiro, se constitui até a presente data como a única em Minas Gerais sobre o Coelho. Lá se vai mais de meio século.

Amanhã, o Grêmio tem um tabu para quebrar.

Fontes: Arquivo Pessoal do amigo Alvirubro

              https://www.gremiopedia.com

sábado, 21 de outubro de 2023

Pequenas Histórias


Pequenas Histórias (296) - Ano - 1978 

1978 - O Brasileirão Incompreensível

Fonte: Arquivo Alvirubro

Gosto do campeonato de turno e returno, pontos corridos. Acho que é o mais justo, não lembro de algum que se diga, venceu, mas não fez a melhor campanha. E tenho motivos para acreditar nisso.

Em 1974, o Grêmio fez melhor campanha que os finalistas (Cruzeiro e Vasco da Gama). Conquistou 38 pontos em 24 jogos, campeão e vice chegaram a 40, realizando ambos, quatro partidas a mais. 

Em 1977, o Atlético Mineiro perdeu de forma invicta, o campeonato. Mais pontos, maior número de vitórias, o artilheiro do campeonato (aliás, a ausência de Reinaldo na decisão, mostrou-se decisiva para a perda), seu goleiro pegou 2 tiros livres na decisão, após a prorrogação, só que Cerezzo, Joãozinho Paulista e Márcio, todo eles, isolaram a bola por cima do travessão. E diz a lenda que Valdir Perez foi o grande herói nas cobranças. Deve ter tirado com os olhos.

Outro campeonato de difícil entendimento, a não ser pela justificativa do formulismo foi o de 1978, quando Grêmio perdeu apenas 2 partidas em fases menos importantes para Londrina e Ceará, ambas fora do Olímpico, bateu o Inter, Botafogo e São Paulo, todos em seus redutos, mas na fase decisiva, encarou o Vasco da Gama em confrontos de ida e volta, quando empatou ambos por 1 a 1 e ficou de fora das semifinais que tiveram Guarani (que foi primeiro do seu grupo) + os segundos (Inter, Palmeiras e Vasco da Gama). Santa Cruz, Bahia e Grêmio, não fizeram valer o primeiro lugar nos mata-matas.

Aqueles empates, quando passou o clube carioca, para mim, deu por encerrado o ciclo marcante de Telê Santana no Imortal, mesmo que tenha disputado o Gauchão (e perdido) no final do ano.

Desse campeonato, relembro aqui, um triunfo magnífico em 02 de Julho, diante do campeão brasileiro em pleno Morumbi.

Disputa de dois treinadores gigantes, Rubens Minelli e Telê Santana numa tarde em que retornavam ao time do Morumbi, Valdir Perez, Chicão e Zé Sérgio, o trio são-paulino que disputou a Copa da Argentina finalizada uma semana antes. O comandante técnico paulista havia assistido a Copa do Mundo, onde virou celebridade, dando diversas entrevistas sobre táticas modernas, pois Minelli havia ganho três Brasileiros consecutivos (75, 76 e 77). Já o Tricolor do Sul estava sem o lateral Eurico e o ponta esquerda Éder.

O São Paulo, franco favorito e confiante, jogou-se ao ataque, mas encontrou em Vitor Hugo, Ancheta e Vicente, um trio em estado de graça e aos 16 minutos, Tadeu, o camisa 8, lançou espetacularmente o centro avante André, que na saída do arqueiro, não vacilou. 1 a 0.

O Grêmio passou a ter o controle das ações e o adversário apenas assustou aos 19 minutos do segundo tempo, quando Milton da Cruz exigiu um milagre de Walter Corbo, que garantiu o placar. O Imortal ainda teve duas oportunidades de ampliar, novamente com André Catimba, aos 35 minutos, mais um lançamento de Tadeu Ricci, que o goleiro defendeu e aos 42, momento em que o camisa 9 gremista bateu sobre o arco são-paulino.

Ficou assim; mais uma vitória importante fora de casa e o sonho do primeiro título nacional se manteve vivo até aqueles dois empates contra o Vasco.

Volta e meia, me deparo, analisando os jogos daquela versão do campeonato de 78, tentando entender, onde foi que ele escapou. Deve haver uma razão.

Numa coincidência feliz, três anos passados (81), o centro avante era mais jovem, o placar, o mesmo 1 a 0, na casamata gremista, outro gênio, o estádio, o Morumbi. Houve o acréscimo de uma volta olímpica e festa, muita festa.

O Morumbi me traz boas lembranças.

Fonte: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro

             Arquivo Histórico de Santa Maria

            https://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%AAmio_Foot-Ball_Porto_Alegrense


domingo, 15 de outubro de 2023

Pequenas Histórias


Pequenas Histórias (295) - Ano - 2007

Levanta, Sacode a Poeira e ... 

Fonte: Jornal O Sul

Paulo Vanzolini compõe com Adoniran Barbosa, os nomes mais elevados do samba criado em São Paulo. Ambos descendiam de italianos. O primeiro, formado em Zoologia e Medicina, tinha doutorado realizado em Harvard/EUA; o segundo, na certidão tinha o nome de João Rubinato. Vanzolini escreveu Ronda e Volta por Cima, entre tantos clássicos; este último tem versos eternos que em um dado momento da vida, todo mundo entoou: "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". É a "oração" pela busca da recuperação, pela busca da superação, diante de um infortúnio.

O Coirmão teve no Domingo passado, a oportunidade de sacudir a poeira, após a frustrante desclassificação na semifinal da Libertadores. Veio em seguida, o Grenal e o Inter amassou o Tricolor. Um 3 a 2 barato para o visitante.

Pois em 2007, mais exatamente em 24 de Junho, num Domingo, o Imortal viveu seu momento de sacudir a poeira e dar a volta por cima. Quatro dias antes, ele viu consolidada a perda em casa, de sua sonhada terceira conquista da Libertadores. Sofreu um indigesto 0 a 2 para o Boca Juniors, que deu a volta olímpica no ... Olímpico e sacramentou, o que já se desenhara na Bombonera.

A rodada do Brasileirão apontou para a sequência de jogos do Tricolor, justamente o clássico diante do maior rival no Beira-Rio, simplesmente o atual Campeão do Mundo. Não poderia ter vindo em pior hora, assim foi o sentimento dos gremistas. O time tinha quatro desfalques certos: o zagueiro Teco, o promissor Lucas (Leiva), o capitão Tcheco e os atacantes Tuta e Carlos Eduardo. Empatar seria um bom negócio, vencer, uma odisseia.

Lembro que fui assistir bem descrente e estranhei aquele goleiro diferente entrando em campo, Era um detalhe, Sebastian Saja, goleiro canhoto argentino, raspara a cabeça em um momento pessoal, sua filha nascera entre os dois jogos e ele passou a máquina na cabelereira negra.

Junto com Saja, Mano mandou a campo a defesa composta por Patrício, Schiavi, William e Bruno Telles; no meio, Gavilán, Sandro Goiano, Diego Souza e o lateral Lúcio, na frente, Ramon e Amoroso. Ainda utilizou o volante Edmílson e o ex júnior Éverton (Costa).

Alexandre Gallo escalou o Inter com: Clemer; Ceará, Índio, Sidnei e Marcão; Wellington Monteiro, Edinho, Alex e Pinga; Iarley e Adriano. Fez entrar Christian, Rubens Cardoso e Márcio Mossoró.

O Grêmio que priorizava a disputa da Libertadores, acumulava três derrotas consecutivas na competição nacional; já rondava a zona do rebaixamento. Um quarto insucesso, em especial, para o tradicional adversário, seria um bilhete para a Segunda Divisão, novamente. A vitória, embora um alvo distante, era essencial naquele instante do certame.

E a partida começou com o Inter atacando e o goleiro gremista aparecendo em chute de Ceará, mas em seguida, a engenharia de Mano Menezes deu certo e o improvisado Lúcio, entrou driblando a zaga vermelha, entortou Índio e bateu com a perna direita no canto esquerdo de Clemer. Um 1 a 0 impensável, antes da bola rolar.

Aos 13 minutos, outra baixa, o veterano Amoroso não resistiu e teve que ser substituído. A troca se revelou um achado, porque o time precisava de mais velocidade e energia. Éverton não decepcionou.

Aos 33, Schiavi salvou chute perigoso de Yarley e o primeiro tempo não teve mais lances de perigo. Final, 1 a 0.

Gallo retirou um zagueiro, recuou Edinho e meteu na frente, Christian, respeitável camisa 9, que iniciou a carreira no Gigante e recentemente, com seus gols e assistências, havia evitado o rebaixamento Tricolor em 2003.

Aos 7 minutos, numa ação conjunta, os estrangeiros Gavilán e Saja evitaram o gol de empate em nova arremetida de Yarley. Persistiu o escore mínimo e a pressão colorada.

As duas mil almas gremistas no universo de 33 que assistiram o jogo, começaram a acreditar que dava para sair com a vitória do estádio Pinheiro Borda. O esquadrão azul resistia bem e dava estocadas perigosas. Numa delas, o jovem Diego Souza (22 anos), recebeu lançamento do ágil Éverton e da entrada da área, ele fuzilou o arco do gol do Gigantinho. 2 a 0. O cronômetro marcava 20 minutos.

Para ajudar, Rubens Cardoso, ex-gremista, que entrou no lugar de Marcão, sofreu estiramento muscular e deixou o Inter  com 10 em campo, pois já "queimara a regra 3", a das substituições.

Começou ali no clássico, uma recuperação espetacular do Tricolor, que ficou em sexto. Infelizmente, naquele ano, apenas os quatro primeiros colocados iam direto para o torneio continental e o quinto, para a fase anterior, a seletiva.

De qualquer forma, este Grenal ficou na memória de todos os gremistas, pois ele serviu para exorcizar a dura derrota diante dos Xeneizes e neutralizou a flauta inevitável destes percalços.

O atual diretor de arbitragem, Wilson Luiz Seneme foi o juiz daquele Grenal.

Fontes: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro
              uol.com.br

Seguem os melhores lances:



sábado, 9 de setembro de 2023

Pequenas Histórias

Pequenas Histórias (294) - Ano - 2010

Memórias (23) - Ano - 2010


Mano del Pistolero, Ojos de los Dioses 

Fonte:https://copadomundo.uol.com.br/

A massa gremista está vivendo os derradeiros meses de ter no seu clube, um extra classe dentro e fora das quatro linhas. É um fato histórico. Os ainda jovens, mais adiante, dirão aos netos que viram Suárez jogando pelo Imortal. Provavelmente, evento dessa grandeza, não se repetirá tão cedo.

Certos atletas apresentam o que se espera deles nos gramados, mas, são polêmicos, se enredam nas questões extra campo; outros, como Barcos, tem a clara noção da condição de ídolo, especialmente, das crianças, porém, no campo, a resposta não ocorre com o mesmo alcance, intensidade e resolutividade apresentados no dia-a-dia.

Luizito participou de quatro Copas do Mundo, foi artilheiro por onde passou: Uruguai, Holanda, Inglaterra, Espanha e está sendo aqui, nestes pagos. Dos que seguem jogando, ele é o quarto maior artilheiro do planeta. Seu carisma e excelência na arte de jogar futebol é algo para servir de modelo a todos os que sonham em ser reconhecidos na busca da fama no universo futebolístico.

Além de todos os requisitos, Luizito possui aquela cumplicidade com o destino, o tal bafejo da sorte, como ocorreu em Johannesburgo, Copa da África do Sul, ano de 2010, a primeira dele, quando na prorrogação diante de Gana, no último segundo, El Pistolero, instintivamente ou não, em cima da linha fatal, salvou com a mão o tento que classificaria a seleção africana. Por simples dedução, imagina-se que o gesto teria/teve a bênção do "Pibe" Diego Maradona.

Incontinenti, o árbitro marcou o pênalti e lhe deu o cartão vermelho. Luizito saiu aos prantos, tendo a imediata e consciente reação, que seria o causador da desclassificação do Uruguai, desconsiderando a eficácia de sua "defesa", que impediu a degola no período de bola rolando.

Aí, entram os olhos dos Deuses,  eles desviaram o chute de Asamoah Gyan, indo de encontro ao travessão superior, depois, a bola se perdeu pela linha de fundo.

Suárez ainda estava na pista. Logo, o seu desespero se transformou em alívio e a sua comoção passou a ter outra causa. Um giro de 180 graus.

Depois, o Uruguai passou de fase nas cobranças de tiros livres, graças a ação calculada ou não, de um craque que se notabilizou por ser decisivo com a cabeça, pés e pela inteligência privilegiada. Por ironia, o seu lance mais decisivo em Copas do Mundo veio com as mãos.

Em 2023, Suárez veste o manto sagrado de três cores de um time da periferia do Brasil, ele possibilita que por doze meses contínuos, o Grêmio seja manchete no planeta bola.

Irrepetível!

Fonte: https://www.espn.com.br/

Seguem os melhores lances da decisão:





domingo, 20 de agosto de 2023

Pequenas Histórias


Pequenas Histórias (293) - Ano - 1958-1960


Léo, o "Pai" do Maestro Kraunus Sang 


Fonte: https://theworldofliliantrigo.wordpress.com


Saí da minha terra para Porto Alegre no final de 1984 para cumprir um estágio, que me levou em definitivo no ano seguinte.

Era o período das Diretas Já e depois, da eleição indireta de Tancredo Neves, que veio a falecer sem assumir à presidência da Nação, em 21 de Abril, um Domingo, dia exato de minha mudança. 

Na capital havia muita movimentação, em especial, na parte cultural. A fundação da Ipanema FM em 1983 deu espaço aos novos nomes do rock (TNT, Cascavelletes, Engenheiros do Hawaii, Replicantes, Astaroth, Taranatiriça, Júlio Reny, Garotos da Rua, etc...), também, o surgimento do musical Tangos & Tragédias da dupla Nico Nicolaiewsky e Hique Gomez em 1984, que deu vida aos maestros Pletskaya e Kraunus. O primeiro, eu já conhecia, pois tinha (e tenho) o álbum Musical Saracura, onde Nico se via na companhia de Silvio Marques Flávio Chaminé e Fernando Pezão (depois, baterista da Papas da Língua). O segundo, nada sabia até então.

Assisti o espetáculo pela primeira vez em 1986 no Teatro São Pedro e presenciei nestas três décadas o  musical entrar para a história do teatro brasileiro. Nico faleceu precocemente em 2014. Hique se adaptou à nova realidade e a Sbórnia, terra dos maestros, segue sua trilha de sucessos com novos personagens/integrantes.

Luiz Henrique, o Hique, entra nesta postagem, porque, assim como muitos garotos, ele também sonhou em jogar pelo Imortal. Tinha pedigree; Léo, o seu pai, atuou no Grêmio, depois de ter conquistado o Gauchão de 1954 pelo inesquecível Renner, juntamente com Ênio Andrade, Valdir Moraes, Breno Melo e outros. Hique até tentou ser zagueiro, mas, cedo, o pai vislumbrou seu futuro na música, longe da bola, assim, lhe presenteou com um violão.

Léo era centro-médio, figurou por três temporadas no Tricolor, marcando sete gols, um deles, na sua estreia em 19 de Março de 1958, num amistoso diante de uma seleção de Santa Rosa na goleada de 10 a 0, onde foi eleito o melhor jogador da partida, fruto de bons passes e visão de jogo. Um jornal da época escreveu: "Léo e Milton abusaram de jogar futebol. Nota 10."

Léo, bageense, nascido em 1933, começou a carreira no tradicional Sá Vianna, de Uruguaiana,  teve a carreira abreviada por uma lesão de menisco, ainda assim, resistiu até 1965, quando parou aos 32 anos.

O volante faleceu em 1983, sem poder ver o sucesso estrondoso do filho nos palcos pelo mundo afora. 

Hique lhe deu uma neta famosa, a escritora Clara Averbuck.

Fonte: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro

            https://theworldofliliantrigo.wordpress.com

            https://www.gremiopedia.com 




sexta-feira, 21 de julho de 2023

Pequenas Históricas


Pequenas Histórias (292) - Ano - 1972

Encarando o Primeiro Campeão Brasileiro

1972 marcou a segunda edição do Brasileirão, como passou a ser chamado o certame nacional. Iniciou em Setembro e a tabela se mostrou pesada para o Tricolor. Pegou em sequência: São Paulo, Atlético Mineiro, Botafogo e o Grenal. Para a surpresa de muitos, arrancou com três vitórias consecutivas, mas perdeu o clássico no Beira-Rio, o que deu uma esfriada no ânimo da torcida.

 Na segunda rodada, em pleno Olímpico, o Grêmio encarou o campeão, o Galo de Telê Santana e agora do melhor goleiro da Copa do Mundo de 1970, o uruguaio Mazurkiewicz. Uma parada torta. Não apenas esses dois; havia Vantuir, Oldair, Humberto Ramos, Dario, Romeu, etc resumindo: um cano de time. No entanto, o que quase ninguém imaginava é que o nome mais discreto daquela escalação, um garoto de apenas 17 anos (21/04/55), se tornaria um dos maiores craques do futebol mundial, um malabarista da bola, que naquela nominata dos 11, atendia pelo apelido comum de Toninho. No ano seguinte, emprestado ao Nacional de Manaus na leva que o clube manauara buscou no Galo mineiro, teve seu nome acrescido de Cerezzo, que a Revista Placar em várias edições grafou como Serejo", o menino bom de bola, alto e magro.

 Foi a sua estreia fora do campeonato de Minas Gerais.

 O Grêmio também tinha novidades, uma delas estreou na primeira rodada contra o São Paulo, vitória de 2 a 0 no Olímpico, Carlinhos, ponta direita que veio do Guarani da cidade de Campinas, berço de muitos craques naquelas décadas 60, 70.

 Gostava do futebol dele. Hoje, sequer é lembrado pelos torcedores mais velhos. Seu período de atuação ficou prensado entre o de Flecha, antes e Zequinha, depois, ambos com passagem pela Seleção Brasileira.

 Hoje, observando os números que o amigo Alvirubro me passou, compreendi o porquê de minha admiração, Carlinhos em 92 jogos, fez modestos 15 gols, porém, aí, nesse porém, está a magia, a maioria deles foi decisiva. Marcou em apenas 2 oportunidades, dois gols numa partida, portanto, 15 em 13 jogos, em oito deles, o que assinalou, foi decisivo para a vitória e nesses 13 confrontos em que balançou as redes, apenas em um, o Tricolor foi derrotado, ganhou onze e empatou uma única vez. Resumindo: Seus gols valeram triunfo de 1 a 0, quase sempre. Gols decisivos. A memória de adolescente captou esse detalhe para sempre, mesmo sem saber até então, o fato motivador.

 E naquela noite de Quarta-feira, dia 13 de Setembro, não foi diferente, Negreiros, um autêntico camisa 10, tabelou com El Mono Obberti, lançou Carlinhos que num movimento que seria sua marca registrada, recebeu pela direita, cortou para o meio e fuzilou o arqueiro, utilizando a canhota. 1 a 0. Decorriam 28 minutos da primeira etapa.

 No segundo tempo, Daltro Menezes reforçou o meio de campo, retirando o ponta esquerda Loivo, fazendo entrar Carlos Alberto, um volante magro com bom controle de bola.

 Toninho (Cerezzo) deu seu lugar a um ponta ofensivo, Serginho, e no lugar de Carlinhos, o treinador gremista fez entrar outro menino que faria história no futebol brasileiro, um ponta direita, que em 1977, Telê transformaria em meia esquerda: Yúra.

 A partida ficou no escore mínimo, o Tricolor assumiu a ponta da tabela e num jogo escondido da história dos dois clubes, onde uma lenda do futebol mundial deu seus primeiros passos rumo ao estrelato.

 Fontes: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro 

              Arquivo Histórico de Santa Maria 

              Jornal Correio do Povo 

              Revista Placar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


quinta-feira, 6 de julho de 2023

Pequenas Histórias


Pequenas Histórias (291) - Ano - 2007-2020/23

Codinome Beija-Flor 

Fonte: Correio do Povo

"Somente três coisas param no ar: o beija-flor, o helicóptero e eu." Autor: Dario Peito de Aço.

O apelido Tanque para mim, sempre serve para designar o centro avante  forte, rompedor, com pouca técnica, que atropela os adversários, como diziam os antigos narradores: “levou de roldão os marcadores”, Juarez (Grêmio, décadas de 50/60), Santiago Silva (Boca Juniors, 2012/13) e Vavá (Bicampeão Mundial 58/62) para ficar em três exemplos, eram assim, então, quando ouço chamarem Diego Souza de “Tanque”, penso que o cognome não lhe cai bem, mesmo tendo diversas características deste modelo, pois, uma bem particular, a sua mais visível, não pertence a esse arquétipo, porque Diego é na essência, um pensador, um  visionário que exercita técnica esmerada, herança de seus tempos de volante moderno e armador sagaz, que sua biografia revela.

 Diego Souza se despediu do Imortal de forma discreta, sem vivas, nem odes, no dia 30 de Junho, deixou um legado maravilhoso como indicam os números: 222 jogos pelo clube, 87 gols marcados, maior artilheiro gremista deste século, também, quem mais balançou as redes da Arena, 59 gols, sendo 4 enfrentando o Tricolor. Jogou 16 clássicos, venceu 9, perdeu 3. Balançou as malhas coloradas, 4 vezes. É o décimo quinto artilheiro da história do Tricolor. Enfim, entrou para a galeria dos grandes atletas que vestiram a camiseta de três cores. Foi gigante dentro e fora das quatro linhas. Um ídolo com uma marca única no Grêmio: Os seus 222 jogos nenhum foi amistoso.

 Entre as suas virtudes está o cabeceio; dos 87 gols marcados, 1/3, isto é, 29, o movimento fatal foi de cabeça. Tal qual Jardel e Dadá Maravilha, ele também parava no ar como um Beija-Flor.

 Uma das suas jornadas inesquecíveis ocorreu no Beira-Rio, um clássico vencido pelo Tricolor, 1 a 0, gol dele, de cabeça, lá nos acréscimos. Uma pintura (vide foto), cuja estabilidade no ar acima dos marcadores, não é apenas resultado do instantâneo captado pela lente do artista, criador de imagens, mas pela excelência do movimento que inclui força, inteligência para se colocar no lugar certo, impulsão acima da média e confiança para meter a esfera longe do arqueiro rubro. Obra-Prima.

 Diego sai de forma discreta como muitos outros astros da bola, no entanto, pela magia do futebol, à medida que o tempo passar, seu nome ganhará amplitude na memória dos torcedores gremistas. Um salto que o projetará como uma das maiores estrelas do Tricolor nesse terceiro milênio.

Obrigado, Diego.

 Fontes: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro

               Arquivo Histórico de Santa Maria





sexta-feira, 16 de junho de 2023

Pequenas Histórias


Pequenas Histórias (290) - Ano - 1983

A Estreia de Mazaropi

Fonte:https://www.ocuriosodofutebol.com.br

Às vezes, um time prescinde de um grande goleiro em suas suas maiores conquistas, há exemplos nas Seleções do Brasil, da Holanda, clubes poderosos como o Real Madrid, Barcelona e até o Grêmio, recentemente, mas isso é a exceção, a maioria começa por um grande arqueiro. Foi assim em 1983, quando o Tricolor passou por muitos embaraços, após a saída de Émerson Leão. Apostou em jovens oriundos da base e viu que o projeto da conquista continental corria imensos riscos, se um goleiro confiável não fosse contratado.

E ele chegou sob muita desconfiança, pois o escolhido, o vascaíno Mazaropi levou muito tempo para se tornar titular. Foi banco de Andrada, do próprio Leão; saiu emprestado, voltou e agora o clube da Colina o liberava novamente, por isso, a massa ficou com um pé atrás. A situação não se tornou mais desanimadora, porque o "arco estava vazio", valia a máxima: ruim com ele, pior sem ele.

Mazaropi se transformou num enorme sucesso de competência, carisma e identificação com o clube e também, com o povo gaúcho. Até fincou raízes em Porto Alegre.

O mineiro nascido em Além Paraíba, logo conquistou os torcedores com partidas extraordinárias, em especial, nos momentos cruciais, aqueles jogos que edificam a carreira dos grandes vencedores: As decisões.

Quando falhou, seu erro foi atenuado, esquecido pela conquista do clube como na final da Copa do Brasil de 1989, quando marcou um gol contra. Não se tem registro de Mazaropi comprometendo em partidas decisivas. As lembranças perenes são as defesas monumentais e a infinidade de pênaltis que defendeu no tempo regulamentar ou nos tiros livres.

Hoje, 16 de Junho de 2023, esta data marca os 40 anos da estreia do grande "Maza", uma Quinta-feira no eterno Olímpico Monumental, primeira rodada do Gauchão. Um Grenalzinho.

Valdir Espinosa escalou o Tricolor com: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León (Leandro José) e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio e Tonho (Lambari).

O Inter-SM treinado por Deca foi a campo com: Osvaldo; Gilberto, Donga, Moroni e Beto; Altair, Luis Fernando e Valdo; Peninha, Zeca (Chicota) e Birinha (Morsa).

Menos de 4 mil torcedores numa noite fria como a de hoje foram assistir o Imortal bater o Interzinho por 2 a 0 com um gol em cada tempo. Tita cobrou penalidade máxima (muito contestada, um toque de mão do lateral Gilberto), deslocando Osvaldo, bola no canto direito, arqueiro para a esquerda. Decorriam 20 minutos. Primeiro tempo: 1 a 0.

Na etapa final, o jovem Renato marcou o segundo aos 14 minutos, numa jogada que seria sua marca registrada na carreira: partiu com força área adentro, deixando os adversários para trás,  arrematou, Moroni conseguiu rebater, mas a bola sobrou novamente para o camisa 7, que não desperdiçou a segunda chance, bateu de canhota. 2 a 0.

O clube visitante veio para cima num tudo ou nada e aí, o estreante brilhou em pelo menos, seis vezes, sendo duas de forma sensacional, a última, arremate de Altair, a mais difícil.

A trajetória iniciada naquela noite gélida, nem o mais otimista dos gremistas imaginaria que aquele goleiro relativamente pequeno para a posição, com nome de ator de comédia, levantaria no final daquele 83, a taça mais importante daqueles 80 anos do Tricolor.

Mazaropi me ensinou muitas coisas, uma delas é que é possível superar as desconfianças com trabalho e talento. Vide Mazaropi.

Parabéns, Maza! 

Fonte: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro

sábado, 10 de junho de 2023

Pequenas Histórias


Pequenas Histórias (289) - Ano - 1983

Tirando o Pé do Acelerador (O Troco adiado)

Fonte: Zero Hora

Existem derrotas fora de decisões que doem bastante, comigo não é diferente como os 5 a 0 diante do Corinthians em 1980, os 5 a 1 em 1976 no Maracanã  contra o Flamengo e mais recentemente, os 5 a 0 para este mesmo adversário, desta vez, Libertadores (2019), também no Maracanã. Fica sempre a sensação de buscar o troco assim que puder, porém, as chances, às vezes, são desperdiçadas.

O Flamengo andava entalado na alma gremista pela decisão de campeonato nacional de 1982, verdade que ele era o melhor time da década, basta lembrar que foi campeão Brasileiro de 1980, 1982 e 83, da Libertadores de 81 mais o Mundial daquele mesmo ano. E o Tricolor, o único a ser o desafiante mais próximo de quebrar a lógica dos prognósticos.

O troco daquela goleada de 76, o Grêmio somente foi dar em 1989, um 6 a 1 no Olímpico pela Copa do Brasil, prenúncio de que algo bom viria logo ali em frente.

Mas o Tricolor, antes, perdeu uma oportunidade magnífica de revanche. Foi no dia 05 de Junho de 1983, portanto, completados 40 anos nesta semana. Era a partida que encerrava a fase de grupos da Libertadores, que o Imortal iria conquistar pouco mais de um mês adiante.

O Flamengo recém havia ganho o seu terceiro Brasileiro, porém, tinha um sentimento dúbio, Zico, seu maior jogador, estava se transferindo para a Udinese e a vaga da LA estava definida: Era do Grêmio. Naquela época, só um clube passava de fase.

Num Maracanã com pouco público, aproximadamente 6 mil torcedores, o Tricolor empilhou gols, um 3 a 0, antes dos 30 minutos; Tita (08 min), Caio (15 min) e Osvaldo (26 min), assim, o meu sentimento de que finalmente, o Grêmio daria uma goleada histórica se desenhou, porém, na segunda etapa, o time tirou o pé do acelerador, se dosou e jogou apenas pela manutenção da vitória. No final, ficou 3 a 1 com Élder descontando para os rubro-negros.

Valdir Espinosa utilizou praticamente o time base do título: Beto; Paulo Roberto, Baidek, Hugo De Leon e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato (Tarciso), Caio e Tonho (Róbson).

Carlos Alberto Torres usou: Raul; Cocada, Figueiredo, Marinho e Ademar; Vitor (Andrade), Adílio e Elder, Robertinho, Baltazar (Felipe) e Júlio Cesar.

José Assis Aragão apitou a partida, auxiliado por Romualdo Arpi Filho e Emídio Marques Mesquita.

Para variar, o grande destaque foi Tita, que infelizmente, após a Libertadores, o Flamengo exigiu o seu retorno.

 Assim como Dener, dez anos depois, Fábio Koff não conseguiu segurar esses camisas 10. Não tinha como.

O troco ainda levaria seis anos para ser dado.

Fontes: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro

              Jornal Zero Hora

              https://gremio1983.wordpress.com

              https://www.gremiopedia.com

Seguem os melhores lances:





terça-feira, 30 de maio de 2023

Pequenas Histórias

 Pequenas Histórias (288) - 2016

Um Jogo Perfeito

Fonte: https://globoesporte.globo.com

Fiquei pensando nas várias jornadas em que o Tricolor beirou à perfeição. Quais esses jogos? Difícil, porque até nas partidas mais importantes, ele apresentou falhas como gols sofridos na decisão da primeira Libertadores ou o gol contra de Mazaropi em 1989, diante do Sport, também, a partida de volta da Arena pela Copa do Brasil em 2016, o marcado por Cazares, até no Grenal do 5 a 0, mas com Douglas jogando para o alto o que seria o tento de abertura na cobrança de pênalti ou ainda, em Tóquio, o vacilo, quando faltavam menos de cinco minutos para botar a mão na taça. Então, essas decisões, apesar da grandiosidade, não foram com cem por cento de acertos nos lances capitais.

Lembrei de um confronto na campanha de 2016, Mineirão lotado, recorde de público naquele ano, o Tricolor deu uma aula de futebol, bateu o Cruzeiro e se credenciou para encarar o outro mineiro, o Galo, com o empate no jogo na Arena, um 0 a 0.

Foi no 26 de Outubro e o Grêmio encaixotou o adversário que teve três chances apenas com o Mineirão lotado. Na primeira, Kannemann evitou o gol certo ao se antecipar ao atacante, cabeceando, já com o arqueiro fora do lance, noutra, Sóbis chuta e Geromel bloqueia com a bola chegando mansa aos braços de Grohe, por fim, o mesmo Geromel evita em cima da linha, já sem goleiro, a derradeira oportunidade cruzeirense. O resto foi baile azul.

O time trazia influências do período de Roger, mas com o refinamento de Renato, que naquela noite ficou de fora, suspenso. Alexandre Mendes esteve à beira do gramado. 

Bem compactado, com passes objetivos e qualificados, cujo retrato mais visível foi o primeiro gol, o de Luan. Mais de um minuto, o time tocou a bola até o "tapa" genial do camisa 7, sem que Rafael pudesse alcançar a pelota que bateu na trave, antes de morrer nas redes. 1 a 0 aos 19 minutos, placar que permaneceu na primeira etapa.

O segundo tempo foi a confirmação que algo de novo estaria à frente por aqueles dias. O Cruzeiro de Mano Menezes não achava os maiores nomes gremistas, Luan e Douglas, assim, aos 16 minutos, Marcelo Oliveira lançou Ramiro que "pifou" o Maestro Pifador (que ironia!). Douglas ingressou na área, de pé direito deslocou Rafael e saiu para o abraço (e foram muitos).

O Grêmio utilizou: Marcelo Grohe; Edílson, Geromel, Kannemann e Marcelo Oliveira; Wallace, Maicon (Jaíson), Ramiro e Douglas; Luan (Kaio) e Pedro Rocha (Éverton Cebolinha).

Mano usou: Rafael; Lucas (Alisson), Léo, Bruno Rodrigo e Edimar; Lucas Romero, Denílson (Alex), Robinho e D'Arrascaeta, Ábila e Rafael Sóbis (Willian Bigode).

O árbitro foi Péricles Bassols e o público ultrapassou as 53 mil pessoas.

Fonte:  Arquivo pessoal do amigo Alvirubro
             https://mariomarcos.wordpress.com
             https://www.gremiopedia.com
             https://www.uol.com.br

Segue compacto com os melhores lances:





sábado, 6 de maio de 2023

Pequenas Histórias

Pequenas Histórias (287) - Ano - 1983

Presente de Grego 

Fonte: Zero Hora

Domingo passado, 30, comemorei mais um aniversário e como ocorreu em algumas ocasiões, o Tricolor jogou. Venceu o Cuiabá. Houve outros encontros gremistas que coincidiram com a data, um, espetacular, inesquecível, uma Quinta-feira à noite, 2 a 1 sobre o São Paulo na decisão do Brasileiro de 1981; no Domingo, 03 de Maio, bastava empatar. Venceu por 1 a 0. O maior presente que recebi dele, de Paulo Isidoro, em especial.

Mas, dois anos passados (1983), um Sábado à tarde, o Tricolor com o olho na Libertadores, também disputava o Brasileiro e recebeu a Ferroviária de Araraquara. Bastava empatar para seguir adiante, mas o clube do interior paulista recebeu promessa de bicho-extra do São Paulo e Sport Recife, assim, entrou turbinado e a decepção foi grande para a massa gremista. 3 a 1. Uma derrota vexatória, porém, com efeito "terapêutico" para o clube naquele ano. Ali, a convicção que o time não tinha goleiro virou consenso. O clube correu atrás de Mazaropi e acertou em cheio.

Aquela semana que antecedeu ao insucesso foi cercada de circunstâncias estranhas como por exemplo, a contratação de um Exorcista pelo Tricolor. Esclarecendo: 10 anos antes (1973) o filme O Exorcista virou um fenômeno mundial, caravanas vinham de outras cidades para assisti-lo na minha cidade, algo semelhante como com Titanic, décadas depois. O exorcismo estava em pauta naqueles tempos. Pois bem, o "professor Nasser" de 26 anos, fez um trabalho para neutralizar a ação da grana adicional que os paulistas iriam receber em caso de vitória. O exorcista ungiu a camisa 10 de Tita com azeite de oliva benzido e fez orações, citando nominalmente os concentrados para a peleia (titulares e reservas). Desta forma, o time ficou com o "corpo fechado". Pelo trabalho, ele recebeu Cem mil cruzeiros. O bicho-extra era de 8 milhões de cruzeiros, cinco do São Paulo e três do Sport Recife.

Um detalhe! A cabeça do Imortal estava realmente na competição continental, tanto que o jovem treinador (35 anos) Espinosa concedeu entrevista a Revista Placar, jornalista Divino Fonseca, cujo título da matéria era "Queremos ser Campeões do Mundo", na edição daquela semana que chegava às bancas às Terças, no caso, três dias após a derrota para a Ferroviária, portanto, possivelmente, antes do final de semana fatídico.

Pouco mais de 16 mil pessoas assistiram a derrota construída por Bozó, aos 4 minutos, Casemiro (contra), aos 22, um 2 a 0 que fechou a primeira etapa. Bonamigo descontou aos 25 minutos, entretanto, quando o Tricolor buscava o gol de empate, sofreu um contra ataque e Douglas Onça encobriu Remi num belo lance. Final 3 a 1.

Além da derrota, a peleja teve momentos de pugilismo, quando Arouca soqueou Osvaldo, Tita reagiu com uma voadora e o garoto Renato (Portaluppi), conforme texto de Zero Hora: "... sem entender, agrediu o zagueiro Pinheirense com socos e pontapés, exigindo a intervenção da polícia..."

Com a desclassificação, voltaram as pichações nos muros do Olímpico, "Fora Koff", o time ficou pressionado, pois ainda havia dois confrontos pela fase de grupos da Libertadores, Bolívar, vencido por 3 a 1 e Flamengo, este no Maracanã, igualmente, 3 a 1, com show de Tita. Ambos os jogos, o goleiro escalado foi Beto, tio de Danrlei.

Foi um aniversário amargo, mas o sonho de ganhar a América permanecia aberto e a cada vitória, a esperança crescia. Logo, a taça veio para o armário e a faixa para o peito.

Ao longo dos anos, eu fiquei com temor de enfrentar clubes do interior paulista, o Guarani, única vez que vi o Imortal perder no Olímpico, a maioria dos duelos com a Ponte Preta terminava em  empate, esta derrota para a Ferroviária, outras para o São Caetano, além de precisarmos de seis partidas para conseguir a primeira vitória sobre o Bragantino na história dos confrontos.

Paciência, são fantasmas que preciso exorcizar.

Fonte: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro

             https://www.gremiopedia.com

              Zero Hora

Segue vídeo com os gols e a briga: