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sexta-feira, 6 de junho de 2025

Especial

Pequenas Histórias, o livro 

"Eu "fechava uma mesa", ainda assim, vi Paulo César Lima, o Caju, esticar uma bola para Renato, que enveredou e entortou o alemão como se estivesse jogando no estádio da Montanha, em Bento Gonçalves. Bateu entre o goleiro Stein e a trave. O arqueiro petrificou (com o perdão do trocadilho; para quem não sabe, Stein = Pedra, na língua de Goethe). Golaço!!!"

(O Jogo da Noite Eterna)

"Perguntado se não teve medo daqueles enfrentamentos, respondeu: - Não sei o que é isso. Sou de uma terra, onde as pessoas, se têm que fazer alguma coisa, vão e fazem."

(Vamos "Caciar", Telê?)

"Fora do campo, uma organização terrorista havia comprado 7.000 ingressos para o jogo e estava planejando fazer um protesto durante a partida. Mujahedin Khalq era um grupo baseado no Iraque financiado por Saddam Hussein, cujo principal objetivo era desestabilizar o regime iraniano.

Então, temia-se tudo naquele confronto pelo Grupo F, integrado também, por Iugoslávia e Alemanha, programado para o dia 21 de junho na cidade de Lyon."

(Uma Chance à Paz)

Estou apresentando o meu primeiro ebook, que é a quarta obra que produzo, o primeiro de crônicas, mais exatamente, crônicas esportivas. Acima, trechos de três delas que integram o livro sobre o Mundial em Tóquio em 1983, a vinda de Cassiá, jovem da fronteira do Rio Grande, que substituiu o capitão Ancheta (lesionado) nas finais do Gauchão de 1977 e o tenso confronto entre Irã e EUA na Copa da França, 1998, devido às suas relações políticas e diplomáticas.

São mais de 70 que mostram a minha relação de vida com o Tricolor e passagens curiosas presentes nas diversas edições do Campeonato Mundial de Seleções (Copa do Mundo).

Há 12 anos escrevendo neste blog, resolvi registrar parte das postagens dele (algumas são inéditas) neste livro digital, que disponibilizo para venda em dois formatos: Epub através da Amazon (é fácil fazer a busca nesta plataforma online, pelo título e/ou autor) e em PDF, neste caso, pela Hotmart, usando este link:  https://go.hotmart.com/V100006689H

É uma forma de lembrar do blog, quando ele encerrar "suas atividades". Espero que leve um bom tempo ainda.

Se gostarem, por favor, divulguem. 

Abraços.

bruxo niederauer




quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Memórias

 Memórias (24) - Ano - 1969


Salve a Seleção

Fonte: https://associacaoportuguesadesportos.blogspot.com

A minha geração, aquela da infância vivida nos anos 60, amava a Seleção Brasileira. Sabia de cor e salteado os onze atletas titulares, quem sabe, até os reservas imediatos. Havia poucas variações nos nomes, também era possível acompanhá-los em seus clubes no Brasil. Muitos guris tinham pôsteres de vários craques, eu mesmo, o de Tostão, o gênio mineiro.

Onde o Selecionado bicampeão mundial ia, os estádios lotavam, a semana era tomada pelo entusiasmo geral, os jornalistas esportivos ganhavam o protagonismo dos noticiários, pois o assunto era o Escrete Canarinho.

Verdade que o país vivia num abismo antidemocrático iniciado na metade da década de 60, uma noite triste que durou 21 anos, mas este cenário viviam os adultos, guris de 10 anos se preocupavam com o colégio e as peladas nos campinhos,  nas quadras de futebol de salão e campeonatos de botão. Aqueles que podiam, claro!

Assim, em 1969, o que importava para os meninos, em especial, eram as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970, que o Brasil acabaria por vencer, apresentando o selecionado mais brilhante de sua história. Foram seis partidas com seis vitórias, tornando-se tricampeão e conquistando de forma definitiva a Taça Jules Rimet.

Na fase de Eliminatórias ocorreu a mesma performance, seis jogos, seis vitórias, 23 gols marcados, apenas 2 sofridos e Tostão foi o artilheiro com 10 tentos. O técnico montou um timaço que recebeu o apelido de As Feras de (João) Saldanha. O país estava contagiado pelo Escrete. Parecia que o fracasso de 1966 virara um fantasma domesticado.

Na derradeira rodada, o Brasil bateu o Paraguai por um a zero, gol de Pelé, quando o Maracanã recebeu mais de 183 mil pagantes, isto é, com os que não tinham ingresso pago, o público beirou aos 200 mil torcedores no estádio. A Nação parou para testemunhar o "passaporte ser carimbado" para o México.

Neste começo deste setembro, o Brasil fará dois jogos pelas eliminatórias da próxima  Copa, a de 2026, mas quem se importa? Alguém sabe escalar os onze titulares ou os dias das partidas?

Há várias causas para o desinteresse, que este texto não vai enumerar, não é a intenção da crônica. São sinais de um novo momento.

Fica apenas a lembrança de um período mágico, da marchinha que embalava a Nação: - Noventa milhões em ação, pra frente, Brasil, salve a Seleção...

Pensando bem, melhor que seja assim, melhor que a Seleção não seja mais "a pátria de chuteiras", como outrora  escreveu Nelson Rodrigues. Ela perdeu o encanto.


 




sábado, 9 de setembro de 2023

Pequenas Histórias

Pequenas Histórias (294) - Ano - 2010

Memórias (23) - Ano - 2010


Mano del Pistolero, Ojos de los Dioses 

Fonte:https://copadomundo.uol.com.br/

A massa gremista está vivendo os derradeiros meses de ter no seu clube, um extra classe dentro e fora das quatro linhas. É um fato histórico. Os ainda jovens, mais adiante, dirão aos netos que viram Suárez jogando pelo Imortal. Provavelmente, evento dessa grandeza, não se repetirá tão cedo.

Certos atletas apresentam o que se espera deles nos gramados, mas, são polêmicos, se enredam nas questões extra campo; outros, como Barcos, tem a clara noção da condição de ídolo, especialmente, das crianças, porém, no campo, a resposta não ocorre com o mesmo alcance, intensidade e resolutividade apresentados no dia-a-dia.

Luizito participou de quatro Copas do Mundo, foi artilheiro por onde passou: Uruguai, Holanda, Inglaterra, Espanha e está sendo aqui, nestes pagos. Dos que seguem jogando, ele é o quarto maior artilheiro do planeta. Seu carisma e excelência na arte de jogar futebol é algo para servir de modelo a todos os que sonham em ser reconhecidos na busca da fama no universo futebolístico.

Além de todos os requisitos, Luizito possui aquela cumplicidade com o destino, o tal bafejo da sorte, como ocorreu em Johannesburgo, Copa da África do Sul, ano de 2010, a primeira dele, quando na prorrogação diante de Gana, no último segundo, El Pistolero, instintivamente ou não, em cima da linha fatal, salvou com a mão o tento que classificaria a seleção africana. Por simples dedução, imagina-se que o gesto teria/teve a bênção do "Pibe" Diego Maradona.

Incontinenti, o árbitro marcou o pênalti e lhe deu o cartão vermelho. Luizito saiu aos prantos, tendo a imediata e consciente reação, que seria o causador da desclassificação do Uruguai, desconsiderando a eficácia de sua "defesa", que impediu a degola no período de bola rolando.

Aí, entram os olhos dos Deuses,  eles desviaram o chute de Asamoah Gyan, indo de encontro ao travessão superior, depois, a bola se perdeu pela linha de fundo.

Suárez ainda estava na pista. Logo, o seu desespero se transformou em alívio e a sua comoção passou a ter outra causa. Um giro de 180 graus.

Depois, o Uruguai passou de fase nas cobranças de tiros livres, graças a ação calculada ou não, de um craque que se notabilizou por ser decisivo com a cabeça, pés e pela inteligência privilegiada. Por ironia, o seu lance mais decisivo em Copas do Mundo veio com as mãos.

Em 2023, Suárez veste o manto sagrado de três cores de um time da periferia do Brasil, ele possibilita que por doze meses contínuos, o Grêmio seja manchete no planeta bola.

Irrepetível!

Fonte: https://www.espn.com.br/

Seguem os melhores lances da decisão:





sábado, 17 de dezembro de 2022

Memórias


Memórias (22) - Ano - 1969

Naquela Noite com Tostão

Fonte:https://www.ocuriosodofutebol.com.br

"Naquela Noite em que ficamos tristes com Yoko...", começam assim os versos compostos por Sueli Costa e Abel Silva para demonstrar a dor da morte repentina de John Lennon.

 Algo parecido ocorreu com a torcida brasileira, quando os desdobramentos das primeiras notícias da "lesão" de Tostão evoluíam para um traumatismo delicado: descolamento da retina do olho esquerdo. O Brasil ficou aflito e muito triste, acompanhando os temores sobre a saúde do mineiro de Belo Horizonte.

Tostão era a estrela ascendente desde a metade da década de 60, quando uma geração de craques surgiu no Cruzeiro, ameaçando a hegemonia do Santos de Pelé. Havia sinais evidentes, que o Rei encontrara um parceiro "de respeito" no ataque da Seleção. A imprensa chegou a cunhar as expressões "Rei Negro" e "Rei Branco".

O Mineirinho de Ouro, como Tostão era chamado, participou da Copa do Mundo de 66 na Inglaterra e nas eliminatórias para a do México, simplesmente, era ao lado de Pelé, a maior expressão técnica do time.

 O Brasil venceu todos os jogos; marcou 23 gols e o camisa 9 foi o artilheiro do certame com 10 (mais de 43% deles). Estava "voando" há anos seguidos.

Tostão deveria ser a surpresa brasileira para a Copa de 70; ninguém duvidava, mas na noite de 24 de Setembro de 1969, uma quarta-feira, Estádio Pacaembu, Corinthians versus Cruzeiro pelo Roberto Gomes Pedrosa (o campeonato brasileiro da época), lance na área paulista; o zagueiro Ditão espanou com violência o perigo no arco corinthiano; a bola raspou na cabeça do atacante cruzeirense, machucando o seu olho esquerdo, motivo de sua substituição imediata, sem, no entanto, parecer algo tão trágico como se teve conhecimento, em seguida.

O craque teve que ir a Houston, Texas, se tratar com um médico brasileiro, Roberto Abdalla Moura e as chances de retornar à prática deste esporte eram mínimas. Foram meses de angústia, amenizadas apenas pelas palavras do Dr. Abdalla e do técnico João Saldanha, ambos "cravavam" que ele voltaria a atuar e, mais, jogaria a Copa do Mundo.

Acontece que a recuperação era lenta, cheia de incertezas, muitas; afinal, seis meses era o tempo estimado para retornar aos treinos, se tudo desse certo. Mas Tostão retornou em Março, porém, teve um obstáculo inesperado: Saldanha não era mais o treinador e o seu substituto entendia que ele e Pelé, por característica de jogo, não renderiam mais do que o Rei com um "centro avante" rompedor, por isso, Roberto, do Botafogo, e Dario, do Atlético Mineiro, entravam nas vagas dos colegas e amigos de Tostão, Dirceu Lopes e Zé Carlos.

Em solo mexicano, Tostão teve de continuar o tratamento às vésperas da estreia diante da Tchecoslováquia e atuou toda a competição sem as suas melhores condições; ainda assim, foi decisivo na campanha, em especial, na partida mais difícil, a segunda, diante da campeã Inglaterra.

Foi uma jornada de superação ter participado do tri campeonato, seu ponto máximo na carreira interrompida abruptamente.

Em Fevereiro de 1973, aos 26 anos, Tostão, aconselhado pela Medicina, interrompeu uma trajetória brilhante, que deixou um gostinho amargo: o destino lhe passou uma rasteira. Inteiro, ele seria, talvez, o maior destaque daquela Seleção. Faltou o desvio de milímetros na bola chutada pelo beque, naquela "Noite em que ficamos tristes, juntos com Tostão".

Fontes:  Arquivo pessoal do amigo Alvirubro

               https://tardedepacaembu.wordpress.com   

               https://www1.folha.uol.com.br

               https://pt.wikipedia.org

               https://books.google.com.br

               https://terceirotempo.uol.com.br

               https://www.ocuriosodofutebol.com.br


Memórias


Memórias (21) - Ano - 1973

O Embrião 

Fonte: https://www.mijnvoetbalnostalgie.nl

Está chegando a peleja final da Copa do Catar e quase sempre nestas ocasiões, eu recordo os "crimes" de 1974 e 1982, quando Holanda e Brasil eram, respectivamente, as melhores seleções daqueles torneios. Algo que aconteceu com a Hungria de 1954 na Suíça.

Óbvio, há méritos no campeões, a Alemanha, duas vezes e Itália, que eu resumiria numa única palavra: pragmatismo. Essas equipes ficaram com a taça, mas os vice campeões tomaram conta dos corações de quem gosta do futebol mais "romântico", que, às vezes, sucumbe e tropeça nas armadilhas de uma competição cheia de curvas e becos imprevisíveis.

Se o Brasil da Copa da Espanha era a síntese da filosofia do genial treinador Telê Santana, a Hungria devia o seu mérito por utilizar a base do Budapeste Honved F.C., uma orquestra afinada, conduzida pelo maestro Puskas.

E a Laranja Mecânica, qual seria a sua receita? Bom! a explicação começa por Rinus Michel, técnico que foi discípulo de Jack Reynolds, um dos pioneiros do futebol total; mas não é só esse quesito. Há um período glorioso, hegemônico dos flamengos na Europa; isto é, a primeira metade da década de 70, quando o Ajax se tornou tricampeão consecutivo da "Champions da época" e o Feyenoord, da Uefa no biênio 73/74. Também ganharam Mundiais de Clubes, o Feyenoord em 1970 e o Ajax, 1972. Vale lembrar que ele não quis disputar em 1971 e 1973, quando era franco favorito contra os uruguaios do Nacional e os argentinos do Independiente.

Esse histórico vencedor resultou num fato lógico: que a base do Carrossel Holandês só poderia vir destes times de Amsterdam e Rotterdam.

As fotos que ilustram esta postagem são deles no ano de 1973. Nelas estão nove titulares da Holanda na Copa do ano seguinte: Suurbier, Krol, Neeskens, Haan, Cruyff e Rep (Ajax) e Rijsbergen, Van Hanegem e Wim Jansen (Feyenoord).

"Intrusos" entre os titulares, somente o goleiro Jan Jongbloed do Amsterdam F.C. e o ponta esquerda Rob Resenbrink, que atuava no Anderlecht, agremiação da Bélgica.

Além disso, em 74, mesmo Cruyff indo para o Barcelona, depois de nove temporadas no Ajax, seu antigo clube mais o Feyenoord, os dois totalizaram quinze atletas entre os vinte e dois, ou seja, dá quase 70% do grupo. Com o "Holandês Voador", camisa 14 e capitão do time, o percentual chega a 72. Índice avassalador na construção de uma unidade de elenco e numa ideia de jogo que forja um sistema tático sólido.

A Holanda não venceu, porém, foi a equipe que mais se aproximou daquilo que se convencionou chamar de futebol total entre todas as edições da competição.

E pensar que lá se vão 48 anos! uma lástima, uma saudade.

Fontes: https://www.mijnvoetbalnostalgie.nl

              https://imortaisdofutebol.com

              https://pt.wikipedia.org
             
              https://elencos.com.br

              https://edicaodoscampeoes.blogspot.com







                                            



segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Memórias


Memórias (20) - Ano - 1934

Visão de Jogo 

SWITZERLAND 1934
EEm pé: Jaccard, Von Känel, Weiler, Kielholz, Séchehaye, Hufschmidt, Jaeck and Minelli.
Agachados: Jäggi, Abegglen and Guinchard.


O tema superação já foi visto nesta série (Memórias) com Héctor Castro na Copa inaugural, a de 30 no Uruguai.

Pois, se a equipe Celeste não tivesse desistido da próxima edição, a da Itália em 34, poderia haver um encontro inédito na história deste torneio; de um lado, Castro e a falta da mão direita, no outro, Leopold Kielholz (o quarto em pé na foto acima) que tinha sérios problemas de visão e utilizava (imaginem!) óculos "fundo de garrafa", atuando pelo seu selecionado, a Suíça.

"Poldi", como era conhecido, nasceu em Basel (Basiléia), em 09 de Junho de 1911, portanto, com quase 23 anos jogou a sua primeira Copa. Também esteve na edição da França em 1938. Era atacante, tendo atuado em 12 partidas pelo escrete suíço, marcando 5 gols, um deles, o primeiro, lhe valeu a marca de ser o autor do tento inicial de seu país em Copas do Mundo.

Ele ocorreu na partida realizada em Milão, no dia 27 de Maio, quando a sua Suíça bateu a Holanda por 3 a 2. O gol de Poldi saiu aos 7 minutos da etapa inicial. Kick Smit empatou aos 29 e aos 43, Poldi voltou a balançar as redes. 2 a 1, placar do primeiro tempo.

Na etapa final, André Abegglen fez o terceiro para os helvécios aos 66 minutos. Os flamengos descontaram aos 69 com Leen Vente. Resultado: 3 a 2.

Poldi Kielholz marcou mais uma vez na derrota para a Tchecoslováquia; desta vez, um 3 a 2 para os adversários.

Na Copa da França, 1938, integrou o elenco, porém, ficou na reserva nos três jogos que seu país disputou.

Leopold Kielholz morreu em 04 de Junho de 1980 em Zurich (Zurique).

              Foto:  http://www.pesmitidelcalcio.com
              Fontes: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro
                            https://www.tsf.pt/desporto
                            https://pt.wikipedia.org
                            https://www.zerozero.pt

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Memórias


Memórias (19) - Ano - 1986


O Gol Esquecido 


Fonte: https://www.gettyimages.pt


A Argentina bateu a Inglaterra na Copa de 1986 por 2 a 1, mas são muitos os que se referem ao escore final como 2 a 0, porque dos três gols mais comentados na história de todas as edições, dois foram marcados naquele 22 de Junho no Estádio Azteca (grafia original); o gol com a mão de Maradona e aquele que é sem dúvidas, o maior tento desde 1930 até este momento: Maradona arrancou do seu campo e só parou, quando as redes balançaram, depois de meio time dos ingleses ficar esparramado e atônito com a jogada do Gênio. O outro polêmico ocorreu na final de 1966, quando o britânico Hurst marcou o gol de desempate na prorrogação (3 a 2) com a bola cabeceada na trave, que depois bateu na linha ou dentro do arco alemão (???). Os germânicos não engoliram a decisão do juiz suíço Gottfried Dienst. Sorte dele que Hurst marcaria mais um, o seu terceiro e o resultado final consagrou o English Team; 4 a 2.

No caso da marca de Lineker, não se trata de uma mentira repetida várias vezes, que confunde os curiosos e futebolistas, mas a traição do inconsciente dessa parcela de pessoas, que esquece a cabeçada mortal de Gary Lineker aos 36 minutos da etapa final, descontando para os europeus (vide foto), dando um sopro de esperança, que se mostrou infrutífero, não sobrevivendo ao apito derradeiro do juiz tunisiano Ali Bin Nasser.

Lineker notabilizou-se por ser um artilheiro nato. Na primeira temporada como titular pelo seu time do coração, o da sua terra, Leicester, ele marcou 17 em 39 jogos, no segundo ano, os números foram bons também: 26 gols em 40 partidas. 

Depois de 7 temporadas, Lineker mudou-se para o Everton, o clube azul de Liverpool. Seguiu com sua veia goleadora, 38 gols em 52 jogos, e, assim, virou o centro avante da Seleção naquele Mundial.

Este gol marcado contra os platinos, deu a Lineker a artilharia isolada da Copa do Mundo do México. Foram 6.

Décadas passadas, Maradona se encontrou com o goleador da Copa e noutra ocasião com o árbitro Nasser. Todos, civilizadamente, rememoraram aquele célebre confronto repleto de peculiaridades, essas, que deram contornos dramáticos e emoções intensas, antes (o forte aparato policial dentro e fora do estádio por conta das cicatrizes da Guerra das Malvinas), durante, (pela jornada épica do "Pibe de Oro", uma mescla de técnica e malícia), depois (pela repercussão impactante na vida destes três atores, Maradona, Lineker e Ali Bin Nasser, além do resgate parcial da autoestima argentina) naquele Domingo ensolarado na capital dos astecas.

Gary Lineker foi, talvez, o único inglês naquela disputa, que teve algo a comemorar.

Fontes: https://premierleaguebrasil.com.br
              https://pt.wikipedia.org









domingo, 4 de dezembro de 2022

Memórias

 Memórias (18) - Ano - 1930

Charrua

Fonte: https://www.goal.com/br

Esse fato me chegou pela incrível memória e senso de organização do amigo Alvirubro na última Quinta-feira, quando após quase quatro décadas de atraso, tomamos alguns chopps, convergindo a conversa para a minha ideia de seguir postando histórias das Copas durante esta edição de 2022.

A Copa do Mundo inicial ocorreu no Uruguai em 1930 e o país anfitrião conquistou o primeiro lugar com muita justiça. Quem imagina que o fator local foi decisivo, pode ser induzido ao erro, porque a Celeste acrescentou o "Olímpica" ao seu nome não por acaso, mas por ter conquistado o bi campeonato, vencendo as Olímpiadas de 24 e 28, uma em Paris e outra, Amsterdam. 

A foto acima é do time campeão de 28 e tem entre os agachados, Héctor Castro (o segundo, que está com a bola) e é o personagem principal desta postagem.

Castro nascido em Novembro de 1904, cedo teve que parar de estudar para auxiliar financeiramente os pais. Tinha 10 anos e passou a vender jornais. Mais tarde, com 13, trabalhando numa carpintaria, ele sofreu um acidente com serra elétrica, que lhe amputou a mão direita. 

Inicialmente, arrasado, veio a convicção que seu sonho de ser jogador de futebol tinha chegado ao fim. Não demorou muito para reverter a ideia na sua mente. Não era goleiro, raciocinou, e foi à luta com o destemor tão característico dos habitantes daqueles pagos.

Destacando-se, logo alcançou um clube grande, o Nacional, isso, aos 20 anos. Em  1926, aos 22, já vestiu a camiseta da Seleção, conquistando a Copa América. Em 28, Castro, apelidado de "El Manco", esteve entre os titulares na campanha das Olímpiadas realizadas na Holanda. Era um atacante técnico, raçudo e irresignado.

A sua estrela brilhou também na inauguração do novo estádio uruguaio, o Centenário. Foi dele o primeiro gol marcado na vitória de 1 a 0 sobre o Peru.

Perdeu a posição de titular antes da estreia no torneio, entrando somente na partida que valia o título, porque o titular, Peregrino Anselmo, sofreu lesão muscular. Porém, na véspera, Castro recebeu um telefonema; uma tentativa de suborno com ameaça à sua vida, caso recusasse a quantia proposta. Não dormiu a noite inteira.

No dia da decisão, ele contou ao treinador, certo que seria sacado do time. O técnico Alberto Suppicci o manteve. El Manco atuou de forma decisiva: deu o passe para o primeiro gol (Dorado) e sacramentou a conquista, quando assinalou o quarto tento (final 4 a 2), aparando cruzamento do mesmo Dorado; uma cabeçada no ângulo do arqueiro Juan Botasso.

Por razões politicas (1934) e econômicas (1936), o Uruguai não participou, respectivamente, da Copa do Mundo da Itália e Olimpíadas de Berlim; desta forma, viu-se impedido de lutar pela manutenção de sua boa posição no ranking deste esporte.

Castro; agora chamado de Divino Manco, parou de jogar em 1935; tornou-se técnico do Nacional, obtendo nova façanha: o penta campeonato uruguaio, temporadas de 39 a 43.

Héctor Castro faleceu em 15 de Setembro de 1960 aos 56 anos incompletos.

Fontes: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro
              https://extracampo.com.br
              https://pt.wikipedia.org
         






quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Memórias


Memórias (17) - Ano - 1941 a 1947

Geração Subtraída 

Fonte: https://br.pinterest.com

A insanidade das guerras marca de forma indelével a Humanidade. Não poderia ser diferente. Até nas atividades menos relevantes, a interferência dos conflitos inviabilizou definitivamente o curso natural da história, como ocorreu com a Segunda Grande Guerra e as Copas do Mundo de 1942 e 1946.

A mais abalada? a Argentina, pois entre 1941 e 1947 dominou o futebol sul-americano e, em tese, aquela com maiores possibilidades de ganhar o caneco nestas copas que ficaram no papel. Foi-lhe tirada a chance da glória maior do antigo esporte bretão.

Antes de haver Mário Kempes, Diego Maradona e Leonel Messi, os hermanos do Prata produziram Alfredo Di Stéfano (foto acima). Verdade que ele atuou apenas seis vezes pela seleção; mas também é real, que nestes escassos jogos, ele balançou as redes seis vezes e botou faixa no peito. 

Assim como Messi, ele saiu cedo, primeiro para a Colômbia, depois para a Espanha, mais exatamente, para o Real Madrid, onde virou o maior atleta daquele clube, tornando-se inclusive, presidente honorário daquela instituição. No entanto, "La Saeta Rubia" (A Seta Loura) como ficou conhecido representou apenas a ponta do "iceberg" da inesgotável fornada de craques que o técnico Guillermo Stábile teve em suas mãos. E esse conhecia do riscado. Defendeu a Argentina na primeira Copa do Mundo, a de 1930 no Uruguai, quando foi o goleador da competição com 8 tentos. Além de ser o treinador com maior tempo no cargo, ganhou 7 torneios sul-americanos, em especial, um tri campeonato seguido. Façanha para poucos.

Dessa geração fantástica vale destacar: José Manoel Moreno, Adolfo Pedernera, Norberto "Tucho" Méndez, Angél Labruna, Félix Loustau,  Mario Boyé, Antonio Sastre (que mais tarde, brilhou no São Paulo), Juan Carlos Muñoz, Néstor Rossi, o goleiro Juan Estrada e o goleador Hermínio Masantonio, 21 gols em 19 jogos.

A maioria dos nomes citados é de atacantes, a Argentina de Stábile (um ex-centroavante) era voltada para o ataque, uma vocação irrefreável pelo gol com jogadores dotados de imensa técnica.

Infelizmente, a Albiceleste teve que esperar 30 anos para resgatar o que o destino lhe tolheu.

Fonte: https://imortaisdofutebol.com




domingo, 27 de novembro de 2022

Memórias

 

Memórias (16) - Ano - 1938


A Façanha de Cuba

Fonte:https://craiovano.wordpress.com

A gente está sempre aprendendo, por exemplo, nunca imaginei Cuba jogando futebol competitivo, muito menos, disputando uma Copa do Mundo, mas isso ocorreu; aliás, mais do que isso, ele foi o primeiro país caribenho a participar e também, o que marcou o primeiro gol de uma nação do Caribe no torneio. Foi na terceira edição, França, 1938.

Um tradicional clube mundial (Real Madrid) já utilizava atletas cubanos em seu elenco, mesmo antes deste evento (Copa da França). Até o final de 1940,  oito cubanos vestiram a camiseta branca do clube madrilenho, o maior deles, Jesús Alonso Fernández, conhecido como Chus Fernández, atuou em treze temporadas (1935-1948), marcando 68 gols em 160 partidas. Ele foi o primeiro a balançar as redes do Estádio Santiago Bernabeu, quando esse ainda se chamava Chamartín, em 28 de Dezembro de 1947.

Na Copa da França, Cuba representando a Concacaf, estreou diante da Romênia, país que esteve nas duas edições anteriores (Uruguai e Itália). Era, portanto, franca favorita neste duelo.

O representante europeu saiu na frente, marcando aos 35 minutos com Silviu Bindea, mas, aos 44, Cuba empatou com Héctor Socorro.

Na etapa final, aos 24 minutos, José Magriña virou para a ilha, porém, as 43, Gyulia Barákty deixou tudo igual. Fim da partida. Vem a prorrogação. Aos 13 minutos, Héctor Socorro marca e deixa os cubanos com a mão na vaga, entretanto, Stefan Dobay iguala o marcador que ficou até o final da prorrogação.

Na época, a disputa igualada assim, não era decidida em tiros livres, mas em uma nova partida, que foi jogada dois dias depois no mesmo local, o estádio Chapou, em Toulouse.

A Romênia sai na frente aos 35 minutos com Stefan Dobay e só não goleou pela estupenda atuação do arqueiro Juan Ayras, que substituiu o titular, Benito Carvajales.

No segundo tempo, a contenda mudou de ares; Héctor Socorro empatou aos 16 minutos e Tomás Fernández virou aos 22, o que garantiu a primeira vitória caribenha em copas. 2 a 1.

Os Leões Caribenhos, como eram chamados, passaram para a etapa seguinte, mas não resistiram ao futebol apresentado pelos escandinavos da Suécia; resultado: sofreram uma goleada histórica. 8 a 0.

Encerrou-se assim, a única participação de Cuba em copas do mundo. Atualmente, o país tem um convênio com o Real Madrid, que tem como objetivo a evolução desse esporte na ilha e, claro, revelar craques para os Merengues.

Fonte: https://www.ultimadivisao.com.br







quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Memórias


 

Memórias (15) – Ano – 1979

 

O Garoto do Parque em Riad


Fonte:https://www.pressreader.com


Já mencionei várias vezes fatos que ocorrem comigo que podem ser chamados de “coincidência”; os dois mais recentes foram o fato de Domingo ouvir um elepê há muito esquecido nas prateleiras do escritório, 1990-Projeto Salva Terra do King Erasmo Carlos, que nos deixou saindo do plano terrestre, ontem, 22.

  O outro; semana passada, eu pedi para o Alvirubro material sobre a ida de Rivellino para a Arábia Saudita (1979), dando o pontapé inicial ao futebol profissional daquele país. Queria fazer um texto sobre esse esporte naquela região. Era para ser antes da abertura da Copa, mas, massacrado pelo trabalho extenuante das últimas semanas, não consegui tempo e disposição, porém, isso proporcionou que a postagem viesse “casada” com o maior feito da Arábia Saudita em Copas do Mundo. Bateu uma bi campeã mundial na estreia, o 2 a 1, de virada sobre a Argentina.

 O craque que vestiu a camisa 10 da Seleção nas Copas de 74 e 78 (atuou também, na célebre campanha do tri no México em 70), depois de três anos de Fluminense, foi negociado com o Al  Helal (às vezes, grafado como Al Hilal) da Arábia Saudita numa transição multimilionária para a época, dando visibilidade ao futebol daquele país, que possuía apenas estádios com grama sintética e decidira abrir o mercado para atletas estrangeiros.

  Riva por dois anos de contrato, recebeu 35 mil dólares mensais, valor sete vezes maior do que o que recebia no Tricolor das Laranjeiras.

 O futebol rudimentar dos sauditas apareceu logo na estreia do craque, quando o Al Hilal, treinado por Zagallo, sofreu um impiedoso placar de 0 a 6, diante do Botafogo, que excursionava pela Europa e Oriente.

 Nesta passagem que durou até 1981, quando encerrou a carreira com 35 anos, Rivellino conquistou a Liga e a Copa nacional, participou de 50 partidas e marcou 23 gols.

A vitória sobre a Argentina na Copa do Catar, certamente, trouxe à lembrança de muitos, aquele distante ano de 1979, quando um dos remanescentes da Copa do México foi desbravar o incipiente futebol do Oriente Médio.

 Roberto Rivellino deve ter acompanhado com uma ponta de orgulho, a grande virada árabe sobre los hermanos.

 Fonte: Arquivo pessoal do amigo Alvirubro

 

 

 

 


sábado, 14 de julho de 2018

Memórias


Memórias (14) - Ano - 2002


O Homem que veio de Longe

Fonte:http://botoesparasempre.blogspot.com
Minha última postagem da série Memórias; ela que foi programada para ser postada neste final de semana, coincidindo com o provável Hexa do Brasil. Não deu certo. Não foi culpa minha. Eu estou aqui, a Seleção é que falhou comigo. Uma pena.

Em 2002, eu voltei a torcer para o Brasil, o grande responsável foi o treinador Luiz Felipe Scolari, que sofreu no começo (lembram daquele Honduras 2 x 0?), no entanto, como em outras fases de sua vitoriosa carreira, o ex-beque, cuja minha primeira lembrança era a desta foto acima. Logo em seguida, ele e o centro-médio Maurício (quarto e quinto em pé) estariam na antiga Associação Caxias e no time de botões do meu irmão, lá na virada dos anos 70; venceu.

O Brasil chegou desacreditado para a Copa do Japão e Coréia do Sul. Havia sofrido para se classificar; teve três treinadores antes de Luiz Felipe, a saber: Luxemburgo, o interino Candinho e Émerson Leão.

Houve também a perda de confiança do técnico gaúcho na maior estrela do grupo, Romário, novamente cortado, assim como em 1998.

Aos poucos, Felipão foi encontrando os nomes para as 23 vagas, perdeu o capitão Émerson às vésperas da estreia; introduziu um sistema de três zagueiros, mudando assim, uma tradição na Seleção e fez desaparecer o estigma desta formação tática, que Lazzaroni havia tentado em 90.

Luiz Felipe conseguiu fechar o grupo no que se convencionou chamar de Família Scolari. Dentro dessas ações exitosas, a maior foi recuperar Ronaldo para o futebol, tarefa tão bem sucedida que o Fenômeno se tornou goleador do certame e fundamental em dois jogos principalmente, Turquia e Alemanha. Além disso, formou dois alas de grande desenvoltura ofensiva, Cafu e Roberto Carlos, para isso encontrou dois volantes que sabiam jogar, Gilberto Silva e Kléberson, que contavam com um "curinga", Anderson Polga ou Edmílson, ambos com afinidade para a zaga e meio de campo. Dois zagueiros jogando em altíssimo nível, Lúcio e Roque Júnior, dois craques apoiando o centroavante: Ronaldinho Moreira e Rivaldo. No gol, o seu arqueiro de confiança; "São" Marcos.

A Seleção sem ter a mesma qualidade e brilho daquela de 1970, repetiu o seu feito, ganhando todos as partidas no tempo normal.

Penso que o maior mérito da conquista do quinto título pertence ao comandante técnico, porque conseguiu naquele curto espaço de tempo, naquelas sete partidas, extrair do elenco, titulares e reservas, respostas corretas para os obstáculos que um torneio dessas características exige.

Sem Luiz Felipe, o "penta" não viria em 2002. Olhando o início de sua carreira como atleta, poucos que estavam no Japão naquele dia 30 de Junho, imaginavam o longo caminho que o treinador trilhou.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br


sexta-feira, 13 de julho de 2018

Memórias



Memórias (13) – Ano – 1998

A “Letra” Escandinava

Fonte:https://vejario.abril.com.br

Esta Copa realizada na França, com certeza, aquela que eu mais desejei que o Brasil não conquistasse, seguiu o padrão de pobreza técnica das duas últimas edições.

Meu sentimento decorreu da profunda aversão que tenho ao profissional Mário Zagallo, de sua injusta atitude com o craque Everaldo, lá em 1972. Um “crime” perpetrado contra o nosso lateral tricampeão, companheiro de Pelé, Tostão & Cia. Também pela minha eterna desconfiança quanto à sua responsabilidade, seu mérito pela conquista nos campos mexicanos.
Em 74, suas declarações antes e especialmente pós Copa, atestaram que o alagoano não havia entendido nada da revolução holandesa comandada por Rinus Michels e seus pupilos.

Depois veio a conquista do tetra na loteria dos tiros livres e lá estava ele como “assessor técnico” de Parreira. Pergunto: Faria falta?

Essa credencial, em parte “apagou” o seu mau desempenho  na edição sediada pela Alemanha Ocidental, vinte anos passados; resultado: Herdou o cargo de treinador para a Copa da França. Assim sendo, Zagallo teve nova chance para tapar a boca de seus críticos. Não foi isso que se sucedeu.
Seu começo em 98 apresentou uma convocação recheada de nomes nada convincentes, casos dos defensores Zé Carlos, Júnior Baiano, Gonçalves e a novidade Leonardo, ex-lateral, como meio-campista numa tentativa de reedição de Júnior (86) e Mazinho (94). Acrescente-se a isso, o agonizante desgaste do corte de Romário, cujo rancor escancarou-se.

A condução do time suscitou desconfianças, mas dentro de um grupo “mamão com açúcar”, as duas vitórias iniciais contra Escócia e Marrocos, entusiasmaram os otimistas de plantão, os mesmos ufanistas de sempre na mídia esportiva nacional.

Desse jeito, o Selecionado Canarinho chegou para o seu terceiro compromisso frente  a Noruega, um país sem tradição no futebol, mas com uma marca muito interessante:

Mantinha-se invicta contra o Brasil. Já na Copa conquistara apenas dois empates, por isso, precisava bater o atual campeão mundial, aliás, tetra. Um feito praticamente impossível. Um milagre! Como pensavam os noruegueses.

A equipe nórdica saiu perdendo; Bebeto aos 33 minutos da etapa final abriu o marcador. O artilheiro Tore Andre Flo deixou igual aos 38,  numa vitória pessoal sobre Júnior Baiano.

Aos 43 minutos, o lance capital: Pênalti convertido por Rekdal. Ninguém viu o porquê de tal marcação. Um escândalo! O Brasil estava sendo garfado à vista de todos.

O juiz norte-americano Esfandiar Baharmastr foi crucificado. Virou inimigo público. Uma conhecida dupla da televisão, um analista de arbitragem e outro, patético animador de torcidas, detonou o pobre árbitro.

Passados dois dias, a televisão sueca, portanto, neutra, apresentou o puxão escandaloso de Júnior Baiano em Tore Flo (vide foto acima). Penalidade máxima indiscutível. Resultado justo e acima de tudo, honesto.

Aquela derrota deu pistas; a Noruega dera a “letra”: O Selecionado Canarinho estava mal preparado para levantar o caneco.

Entretanto, a Copa era composta por um amontoado de ruindades e o Brasil seguiu respirando o “penta”.

Passou bem pelo fragilíssimo Chile, sofreu contra a Dinamarca, superou a Holanda numa decisão dramática, onde brilhou Taffarel até chegar à final.

Ao cruzar com a França de Zidane, o Brasil caiu na real e foi goleado impiedosamente, 3 a 0, naquela que se tornou a mais tranquila das decisões. Parecia ficção.  Uma Argentina x Peru, duas décadas depois.

Apesar da derrota cristalina, o “professor” Zagallo saiu de campo sem entender nada do que acontecera.

Para mim, aquela derrota para a Noruega indicou que o Brasil ainda não estava preparado para uma nova conquista tão cedo. Precisava rever conceitos.

Fonte: https://esporte.uol.com.br
            http://esportes.terra.com.br



quarta-feira, 11 de julho de 2018

Memórias


Memórias (12) - Ano - 1993


O Exército de um Homem Só

Fonte:https://doentesporfutebol.com.br


A história da Copa do Mundo de 1994 mais do que em outras, começa nas eliminatórias, com um marco fundamental: A última rodada, Setembro de 1993, quando a “água bateu no pescoço” para a comissão técnica, que ignorava a grande fase de Romário na Europa, no Barcelona e não o convocava, porque o craque no ano anterior (1992), cruzara os mares para ser reserva de um decadente Careca e, chateado, declarou que se fosse para viajar e sentar no banco, preferia não ser chamado.

Assim, sem o “gênio da grande área” como definiu o não menos gênio Cruyff, treinador do Baixinho no clube catalão, o selecionado brasileiro chegou à última rodada com a necessidade de empatar com o Uruguai para escapar da repescagem para a Copa dos Estados Unidos. Não parecia tarefa gigantesca, porém, não era recomendável desprezar a hipótese de uma derrota para o Uruguai, ainda mais no Maracanã de tão boas lembranças para os charruas.

Os comandantes técnicos (Parreira-Zagallo) tiveram que “engolir” o atacante carioca. Desta forma, Romário desceu no aeroporto com ares de salvador, cheio de autoconfiança, sem refutar essa condição.

Juntando, esta edição (1994), Eliminatórias e Copa do Mundo, propriamente dita, a jornada de 19 de Setembro, onde mais de 100 mil pessoas estiveram no estádio, apresentou a maior atuação individual de um atleta da Seleção. Romário estraçalhou; fez jogadas de efeito, tabelamentos, arremates e gols decisivos (dois),  duas pequenas obras-primas que levaram ao êxtase a massa torcedora no país inteiro e, imagino, provocar sorrisos constrangidos e de alívio na dupla  Parreira-Zagallo.

Seguem dados do confronto:

Árbitro: Alberto Tejada Noriega (Peru).

Brasil: Taffarel; Jorginho, Ricardo Rocha, Ricardo Gomes e Branco; Mauro Silva, Dunga, Raí e Zinho; Bebeto e Romário. Técnico: Carlos Alberto Parreira.

Uruguai: Siboldi; Canals (Adrián Paz), Herrera, Kanapkis e Méndez; Dorta, Batista, Gutiérrez e Francescoli (Zalazar); Fonseca e Rubén Sosa. Técnico: Ildo Maneiro.
Gols: Romário, aos 26' e aos 38' do segundo tempo.

A “Romáriodependência” prosseguiria  nos gramados dos Estados Unidos, tanto que, quando o artilheiro não jogou bem (a final contra a Itália), por pouco, muito pouco, o Brasil deixaria de conquistar a Copa mais fácil dos últimos anos.

Fonte: https://doentesporfutebol.com.br
            http://www.espn.com.br]

Segue compacto:



segunda-feira, 9 de julho de 2018

Memórias


Memórias (11) - Ano - 1990




90: Os Anos Medíocres


Fonte:http://terceirotempo.bol.uol.com.br


Como escrevi anteriormente, as Copas seguintes pouco ou nada me atraíram. As causas não estavam apenas em mim, mas na crise técnica que se abateu sobre os três torneios (90, 94 e 98). Uma década com escassez de boas lembranças para quem gosta do futebol bem jogado.

Lógico! Se perguntarem para a Alemanha Ocidental, Brasil e França, dirão que não. Para eles, o que valeu foi a consagração pelo título. Verdade que houve Lothar Matthaus, Romário e Zinedine Zidane.

Começando pela edição da Itália; mesmos os finalistas, não passaram de equipes sofríveis, que chegaram à decisão à base do recurso derradeiro dos tiros livres, após duras prorrogações. Um equilíbrio “por baixo”.

A culminância da mediocridade residiu na penalidade inexistente a favor dos germânicos, marcada quase no encerramento do tempo regulamentar, que Andreas Brehme converteu. 1 a 0 e muito choro argentino. Alemanha campeã.

Desta Copa, o que permanece em minha memória com mais evidência é a desclassificação prematura do Brasil (oitavas-de-final) num jogo morno, cuja monotonia quebrou-se, quando num lance súbito e raro de Diego Maradona, saiu o gol de Caniggia (vide a belíssima foto acima). Um instantâneo brilhante colhido pelo repórter fotográfico. Um balé.

Lazaroni mandou a campo um 3-5-2: Taffarel; Mauro Galvão, Ricardo Rocha e Ricardo Gomes; Jorginho, Dunga, Alemão, Valdo e Branco; Müller e Careca. Entraram ainda, Silas e Renato Portaluppi, saindo Mauro Galvão e Alemão.

Carlos Bilardo usou: Goycochea; Simón, Monzón e Ruggeri; Basualdo Giusti, Troglio (Calderón), Maradona e Olarticochea; Caniggia e Burruchaga.

Caniggia anotou ao 36 minutos e Ricardo Gomes foi expulso aos 38. Ambos acontecimentos na etapa final.

Sessenta e uma mil pessoas assistiram a derrota brasileira com Joel Quiniou, francês, no apito.

Com a saída precoce do selecionado Canarinho, a execração do grupo tornou-se inevitável e óbvia, até batismo recebeu: “A Era Dunga”, sinônimo de futebol “científico”, duro, sem jogo de cintura, absurdamente previsível, porém, nem tudo era tão trágico assim.

A base do Tetra estava montada.

Fonte: Revista Placar

sábado, 7 de julho de 2018

Memórias



Memórias (10) – Ano -1986



O Dono da Copa

Fonte:https://www.thestar.co.uk

A segunda Copa realizada no México foi a primeira que assisti “inserido no mercado de trabalho”. Deixo fora os estágios realizados durante a anterior (1982).

Já residia em Porto Alegre, o que me proporcionou uma situação inusitada, ou seja, ver os jogos em locais diferentes;  Argentina 2 x 1 Inglaterra, casa da minha prima Nancy e família, que mora ainda no mesmo lugar, a rua onde também moravam os pais do convocado, o amigo Mauro Galvão, próxima ao Olímpico Monumental. Antes, almoçamos.

A desclassificação brasileira diante dos franceses, vi na casa do colega Agostinho, após outro almoço com sua família, no Passo D’ Areia, próximo ao Viaduto do Obirici. Já Bélgica 0 x 2 Argentina foi com um olho no trabalho, outro na tevê. Dois golaços de Maradona.

 A decisão, eu estava na terrinha, casa de meus pais. Deu 3 a 2 para a Argentina em cima da Alemanha Ocidental.
Foi a última Copa que assisti com interesse e a derradeira que me deixou várias recordações. Dali para frente, embora mais recentes, as outras me deixaram lembranças esparsas e escassas. Nem as que ganhamos.

Essa de 86 tem uma tatuagem: Diego Armando Maradona. Uma atuação inigualável, acho que irrepetível. Nem Pelé teve tanta importância. Calma! Explico: Pelé é o maior de todos, é insuperável, mas em 58 e 70, ele foi melhor acompanhado do que o “Pibe”. Pegando o Tri como exemplo: Se o Rei foi dez, Tostão alcançou nove e Jairzinho, Gérson e Rivellino, oito.

No México, Maradona foi dez, Valdano e Burruchaga, talvez sete. Quem mais? O zagueiro Brown? Sei não.

Melhor seria comparar a sua performance com a de Garrincha no Chile ou Romário na realizada nos Estados Unidos. Como não vi o “gênio das pernas tortas” em 62 pelo simples fato de ter tão somente três anos, não tenho parâmetro para “bater o martelo” em qualquer confrontação de desempenhos.

Já Romário não foi dez; diria, oito e meio (nada a ver com Fellini). Brincadeira à parte, o Baixinho arrebentou, porém, não foi bem na decisão contra a Itália.

Além disso, as atuações de Maradona extrapolaram em magnitude os limites do gramado. Viraram tratado sociológico. A superioridade inconteste sobre Bélgica e Alemanha Ocidental representou o triunfo da Colônia sobre as diversas Metrópoles europeias.

E o que dizer da vitória sobre a Inglaterra, após a guerra travada no sul do continente americano, onde houve disputa por território? Um gol com a mão e outro, o mais bonito de todas as Copas: “Só não entrou com bola e tudo, porque teve humildade ...”. Maradona saiu desfilando desde o campo defensivo, apenas “sossegou”, quando viu o goleiro batido e a rede balançando.

Por instantes, as Ilhas Falklands foram verdadeiramente Malvinas. Mesmo simbolicamente, o orgulho argentino foi recuperado. Maradona, mais do que ninguém, foi o grande arquiteto da conquista inesquecível.

Fonte: Revista Placar


quinta-feira, 5 de julho de 2018

Memórias


Memórias (9) – Ano – 1986


Coleção de Erros

Fonte:https://esportes.r7.com

O Brasil apesar do fracasso, encantou o mundo em 1982. Seu insucesso foi também a derrota do futebol que a maioria dos torcedores sonha para seu clube, sua seleção, por isso, Telê seguiu à frente do escrete brasileiro com toda a justiça, confiança e autoridade rumo à Copa do México, país que substituiu a sede escolhida anteriormente, a Colômbia que abriu mão por não superar seus conflitos internos.

No entanto, o grande treinador e sua comissão técnica cometeram vários equívocos e a Seleção apesar de sair invicta e apenas um gol sofrido (Michel Platini), poderia ter ido mais adiante.

A longa concentração em Minas Gerais propiciou no único dia de folga, o atraso de Renato e Leandro na reapresentação, o que ocasionou o corte do titularíssimo ponta gremista que estava “voando” no auge de seus 23 anos. O grupo intercedeu por ele, mas o treinador, embora tenha resistido num primeiro momento, resolveu cortá-lo logo em seguida. Leandro que andava incomodado com a insistência do técnico em mantê-lo na lateral, posição que havia abdicado de atuar pelo desgaste de seus joelhos (possuía pernas de “cowboy”), viu no corte do grande amigo, o motivo que faltava para se “desconvocar”, o que abalou e dividiu o elenco e direção.

 Assim, três titulares nem embarcaram para a América do Norte: Éder (por maus desempenhos, situação agravada por uma expulsão ridícula num amistoso preparatório), Leandro e Renato. Imaginem o ataque brasileiro com esses ponteiros e Careca com a “9”! (vide foto acima). A inflexibilidade de Telê inviabilizou esta formação.

O treinador levou um grupo envelhecido com Oscar, Falcão e Sócrates, notadamente jogando menos do que apresentaram na Espanha. Cerezzo cortado. No meio, o coração do time, teve que improvisar o lateral Júnior pela carência física e técnica dos escolhidos. Além disso, outro veterano, Zico, vinha de uma lesão séria que não permitiu seu aproveitamento integral nas partidas.

O afastamento dos medalhões gerou broncas por parte de quem se sentiu injustiçado, para completar, a fatalidade que se abateu na rara cobrança de penalidade desperdiçada pelo Galinho de Quintino contra a França, demonstrou que aquela Copa do Mundo não seria do Brasil.

A insatisfação com Telê chegou ao ponto de alguns jogadores (hoje comentaristas de grande emissora de televisão) brindarem com champanha “ao técnico mais burro do mundo”.

Na minha memória ficou apenas a certeza que o Brasil seguia sem saber se preparar bem para disputar o torneio mais importante de futebol do planeta.

1978 sem um treinador com biografia e deixando de fora o seu melhor jogador (Falcão); 1982, a Seleção foi sem um goleiro confiável, havia dois jogando mais (Leão e Raul) do que o escolhido, além do azar da lesão do centroavante Careca e 1986 com os motivos enumerados acima, firmaram em mim a convicção que o Selecionado já chegava “errado” para as disputas.

Não havia como saber; em 1990, esses erros chegariam ao ápice com Lazzaroni e suas escolhas.

Fonte: Revista Placar